segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Os muçulmanos de cá e de lá

Turcos, libaneses, sírios, somos todos "primos"

Antigamente, quem vinha do Oriente Médio para o Brasil era chamado de "turco". No comércio, os mascates e comerciantes, chamavam a todos de "primo". Conheci vários na região do Mercado e no Centro de São Paulo. Todos "primos".

Com o tempo fui descobrindo bons professores, bons médicos, bons comerciantes, construtores, advogados, juízes, esportistas, jornalistas e tudo mais que dê dinheiro. O Brasil, particularmente São Paulo, tem "turcos" em todas as áreas. Inclusive entre os sonegadores de impostos e nos conservadores... Afinal, se eles vendem barato, não podem pagar muito imposto, senão encarece...

O Brasil tem mais libaneses do que o Líbano. 
O Brasil também tem muitos sírios. E São Paulo tem o melhor hospital do Brasil, que é.... o Hospital Sírio-Libanês. Que atende gente de todas as etnias e de todas as religiões.

Apesar dos nomes e sobrenomes, a comunidade oriunda do Oriente Médio não se posiciona publicamente sobre a guerra atual entre os muçulmanos, entre os jihadistas e o mundo ocidental. Não entendo muito o porquê.

Para tentar entender, além de pesquisar na internet, comprei o ótimo livro de Albert Hourani, Uma história dos povos árabes, editado no Brasil pela Companhia das Letras/de Bolso. Para quem não conhece, o professor Hourani não é terrorista. Durante décadas é professor em Oxford. Como bom historiador, nasceu na Inglaterra em 1915 e morreu em janeiro de 1993. Portanto, ficou livre de tanta tragédia em nome do Deus cristão, do Deus muçulmano e do Deus judeu.

Por falar em guerras, os americanos, que adoram fazer filmes onde eles são os bonzinhos e algum povo representa os bandidos, antigamente os inimigos eram os russos e chineses, depois apareceu a Coreia do Norte e desde a revolução iraniana, os inimigos atuais são os muçulmanos e o Oriente Médio.

Nossa imprensa, que está à serviço dos Estados Unidos, acompanha a orientação americana. Apoiou golpe militar, em nome de se combater o comunismo, apoiou a derrubada de Getúlio e agora participou diretamente do golpe do impeachment. Isto na disputa interna. Já na disputa externa, apoiou a invasão do Iraque e todo o seu desdobramento. Independente se o governo nos Estados Unidos é republicano ou democrata. Agora nossa imprensa está reclamando do Iraque por que o golpe não deu certo...

Há várias coisas que ainda não entendi em relação aos muçulmanos:

1 - Não conheço nenhum país muçulmano que seja INDUSTRIALIZADO;
2 - Não conheço nenhum país muçulmano que pratique a Democracia tipo ocidental;
3 - Não sei porque os países muçulmanos têm tantos advogados;
4 - Não sei porque os países muçulmanos ainda discriminam tanto as mulheres;
5 - Em função da realidade geográfica, os valores e os costumes são diferentes, mas estes países não podem confundir os governos imperialistas e colonizadores do ocidente, com seu povo. Os franceses, alemãs, espanhois e americanos, entre outros, não podem ser punidos em função de seus governos.

O curioso é que as cinco dúvidas levantadas acima, se adequadas aos países da América Latina e da África, também são iguais. O que passa a impressão que o problema em si não é religioso, mas de grau de desenvolvimento econômico, industrial e social. Parece que tem a ver com o tal do "capitalismo tardio". Os países asiáticos estão superando este atraso em função da influência da China. O Japão cresceu mais rápido por ser uma história à parte.

Quem deu a melhor aula até agora, de como superar este atraso, foi a China. Deixou de ser comunista, deixou de ser subdesenvolvida, passou a respeitar seus valores confucianos e só falta resolver o dilema das liberdades individuais em relação ao bem estar coletivo.

A conclusão que chego é que, no fundo, somos todos muçulmanos...

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