segunda-feira, 25 de julho de 2016

Vidas que vêm e que vão

Estamos virando nossos pais...

Ontem vi vários amigos nas redes sociais comunicando-nos que seu pai ou sua mãe tinham "partidos". Viraram "estrelas".

É claro que quando olhamos as fotos, constatamos que os pais, via de regra já passavam dos 80 anos e os filhos já passavam dos 50 anos. O que nos leva a concluir que nós estamos substituindo nossos pais... Já estamos virando avós e terceira idade.

Atualmente é comum as pessoas viverem mais de 80 anos e até mais de 100 anos. O curioso é que estas pessoas cresceram e viveram boa parte do tempo num período que o Brasil tinha poucos hospitais e a medicina era bem mais simples que a atual. Se curavam com chás e benzedeira.

É claro que o índice de mortalidade era maior que a atual, mas não sei se é necessário deixar dezenas de velhos em leitos de hospitais por meses e até anos. Não sei se o que move esta "modernidade" de deixar as pessoas idosas e doentes por longos períodos nos hospitais é um esforço pela manutenção da vida - mesmo que não haja lucidez - ou se é um mecanismo de "ocupação hospital para ganhar dinheiro". A indústria farmacêutica e o mundo da saúde sem dúvida é um grande negócio.

Precisamos ter um ponto de equilíbrio.
Não pode ser normal que as pessoas tomem dez ou quinze remédios por dia... É como se tomasse remédio para uma doença, mas os efeitos colaterais dos remédios obrigassem a tomar mais remédios que por sua vez gerassem mais efeitos colaterais e assim infinitamente, ou até quando o salário possa pagar ou o convênio aceitar o tratamento.

Temos também um grande número de idosos saudáveis.
Nos encontramos nos cinemas, nas associações, nas praias, nas viagens turísticas, nas igrejas e nas reuniões familiares. Ainda mais quando são liberados de pagar ônibus e metrô. Cada um ou uma é uma vida cheia de histórias boas e também ruins. Cada um ou uma daria um filme ou um livro.

Quando olhamos a história dos nossos avós, depois as dos nossos pais, as nossas histórias e agora dos nossos filhos e sobrinhos, vamos constatando o quanto o Brasil e o mundo mudaram. Nossos avós na agricultura ou imigrantes fugindo das guerras e das crises, o Brasil com poucas escolas e poucos diplomas, os pais já nas cidades, implantando o serviço público, as escolas, os transportes coletivos e cuidando da saúde. O trabalho como prioridade para que os filhos estudassem e tivessem vida melhor...

Nós, os filhos, já universitários, concursados ou trabalhando em grandes empresas nacionais ou estrangeiras, e finalmente nossos filhos, filhas e sobrinhos, crescendo falando mais de uma língua, morando fora, casando mais tarde e tendo poucos filhos. A nova geração já é cidadã do mundo. O mundo é a pátria destes jovens. Eles se comunicam pela internet e cantam todas as canções.

Quando nossos filhos registram que seus avós estão "virando estrelas", passando para o outro lado, é porque nós somos os novos avós, nós estamos virando nossos pais, como compôs o compositor e Elis Regina cantou com tanta beleza.

E pensar que o "homo erectus já andava como seres humanos há 1,5 milhão de anos"?
Quantos ciclos de vida já tivemos?


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