terça-feira, 26 de abril de 2016

O golpe na Câmara, no Senado e no STF

A democracia pela metade

Qualquer criança sabe que a primeira regra de um jogo é que as partes devem respeitar o regulamento. Isto é, as normas devem ser respeitadas pelos competidores. É normal as crianças não gostarem de perder, como é normal na história os poderosos burlarem as regras quando percebem que estão perdendo. Isto é da natureza humana, querer levar vantagem em tudo. (Lembram da Lei de Gérson?). Daí a necessidade de as regras serem pré-estabelecidas e, se necessário, ter arbitragem para julgar as tentativas de fraude.

Os golpistas, reacionários, oportunistas e fascistas, no Brasil, também não gostam de perder. O problema é que o Brasil vinha de um processo de redemocratização e os vários setores da sociedade tinham jurado respeito à democracia e à liberdade.

Apesar das regras constitucionais, o Brasil vem passando por grave crise econômica e de representatividade. Traduzindo, além da crise econômica, temos um governo fraco e uma oposição cada vez mais hegemonizada pelos golpistas, reacionários, oportunistas e fascistas. O quê facilitou para que segmentos de centro-direita decidissem usar os radicais de direita para fazer o "serviço sujo".

Acontece que o "serviço sujo", o golpe do impeachment sem fato jurídico constitucional, precisa ser aprovado em três instâncias dos poderes formais brasileiros. Passar pela Câmara dos Deputados, depois pelo Senado e por último pelo STF - Supremo Tribunal Federal. Mesmo passando por estes poderes, precisa ter a simpatia ou conivência da população, cabendo à imprensa fazer o trabalho sujo de manipulação das informações.

A primeira votação golpista já foi feita na Câmara; a segunda será nestes dias no Senado e a última no STF, mais na frente. Todos juntos contra um governo fraco, que não soube enfrentar a grande crise econômica e não soube lidar com os "excelentíssimos senhores deputados e deputadas".

Dilma, no entanto, JAMAIS foi acusada de corrupta!

Como o golpe mais difícil já foi dado, o primeiro, o Senado tende a "ratificar" a decisão da Câmara, sem entrar no mérito do processo. E, o que é mais trágico, o judiciário que deveria agir em função das leis, decidirá politicamente, declarando que acatará a decisão do Senado.

Como  Pilatos, quando crucificou Jesus na cruz, o STF dirá que foram os deputados e senadores que condenaram a presidente Dilma. Cabendo à imprensa, também golpista, fazer a campanha de legitimação do golpe.

Só faltou combinar com o povo brasileiro e com a imprensa internacional.
Cada vez mais gente reconhece que levou "um golpe".
Estão tirando a Dilma para botar o Temer!
Isto não estava combinado no jogo.
Ficaram com a brocha na mão...

Além de não concordarem com o golpe, as delegações internacionais não entendem como é que o Brasil tem 35 partidos políticos e um presidencialismo refém do legislativo e da imprensa golpista. Só poderia dar nesta zona que estamos presenciando.

Tudo isto mostra que, até 2018, 
o Brasil estará à beira de um grande ataque de nervos,
podendo descontrolar-se a qualquer momento.
E não vai adiantar chamar as Forças Armadas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário