segunda-feira, 18 de abril de 2016

O golpe e a vitória dos Evangélicos

O Centro sumiu. 
Só temos Direita e Esquerda?

Ontem, na votação do impeachment, constatamos um fato histórico de alta relevância:
- O Congresso Nacional brasileiro ser hegemonizado pelos Evangélicos. Não tem aqui nenhum juízo de valor negativo. Também por ser religioso, respeito muito a militância evangélica. Mas o Brasil atual com seus 35 partidos políticos mostrou-se como um país de partidos subordinados às religiões.

O mundo viveu as guerras pela Reforma Protestante, a Revolução Francesa, a Revolução Russa e tantas outras revoluções para poder ter o Estado Laico, onde as religiões são separadas do poder do Estado. Principalmente em áreas como Educação, Saúde, Direitos Humanos e Justiça.

Como militante da Teologia da Libertação nos anos 70 a 90, vi com tristeza a Igreja Católica mundial ser controlada por conservadores que destruíram as Comunidades de Base e assim deram espaço para que as Igrejas Evangélicas substituíssem os católicos nos bairros da periferia e da nova classe média.

Ontem, os Evangélicos comemoraram sua nova conquista: O Congresso nacional.
Ou Eduardo Cunha não é Evangélico? Independente de ser corrupto ou não, predomina no seu comportamento o fato de ser militante evangélico e do vale-tudo. Pastores, missionários, bispos e militantes de base das Igrejas Evangélicas durante toda a votação, fizeram questão de mostrar que estão ali graças ao poder de suas  Igrejas e de sua Fé religiosa.

O que tem os Evangélicos que os outros deputados não tem?

Têm as Igrejas mais militantes do Brasil. Declarando-se como mais de 50 milhões de brasileiros militantes, que pagam os Dízimos (10% do que ganham); quando necessários pagam para que os bispos comprem novas Igrejas e novas estações de Rádio e TV. São solidários entre si, são estudiosos da Bíblia, portanto, precisam aprender a ler e praticar a leitura. Fazem a inclusão social militante.

Outro detalhe importante:
A Igreja Católica é uma só, enquanto as Igrejas Evangélicas são mais de 50. Só que elas se unem quando necessário. Os discursos dos Evangélicos durante a votação de ontem não distinguiam uma Igreja da outra.

A úncia curiosidade que fiquei ontem foi sobre a diferença entre os Evangélicos do PR e os do PRB. Parecia disputa entre o pessoal de Edir Macedo e o pessoal de outra Igreja Evangélica. Desculpem minha ignorância sobre as diferenças entre as Igrejas. Espero não ser injusto com nenhuma.

Porque os conservadores, a direita e os fascistas brasileiros se aliaram subordinamente aos Evangélicos contra o governo Dilma e contra as esquerdas?

Porque a Folha, o PSDB e os intelectuais neoliberais aceitaram subordinar-se a Evangélicos como Cunha em vez de fazer um papel de centro-direita?

Como a direita "civilizada" pretende recuperar a hegemonia conservadora no Brasil?

Continuo insistindo que nesta "guerra santa", a imprensa e o judiciário são tão manipuladores quanto os políticos. A ética e a coerência saíram em férias do Brasil e estão esperando as águas se acalmarem. Afinal, se até na História do Povo Hebreu conhecemos tanta traição, mortes e mentiras, o Brasil sendo tão frágil, também pode ter suas contradições entre o discurso e a prática. Democracia se aprende praticando...

Enquanto o Brasil não se acalma, a Esquerda tende a continuar unida na Frende Brasil Popular e Frente Povo sem Medo. Os Evangélicos continuarão sentindo-se mais poderosos, reivindicarão cada vez mais poder de mando e mais cargos no aparelho do Estado nacional. E como ficarão os conservadores de centro direita? Viveremos a "Era dos Extremos"?

O Brasil continuará dividido.
Nossa dúvida é se esta divisão será na Democracia ou na Barbárie.
Por enquanto, está explicitamente na Barbárie.

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