terça-feira, 22 de março de 2016

Democracia, quantos crimes cometem em seu nome!

Vale também para a Justiça e a Liberdade

Estamos vivendo uma guerra aberta, declarada, um golpe.
Ainda que não seja uma guerra militar com mortos e feridos.
Mas estamos cada vez mais perto de ver os mortos e os feridos...

Quando lutávamos contra a ditadura nos anos setenta, enfrentávamos a falta de democracia, a falta de justiça e a falta de liberdade. As regras eram claras. Os militares mandavam e decidiam, e quem não obedecesse era preso, torturado e morto.

Leiam o brilhante livro "Ainda estou aqui" de Marcelo Rubens Paiva
e emocione-se com histórias tristes e lembranças relevantes.

Na luta pela democracia, pela justiça e pela liberdade, uma coisa que sempre repetíamos era que "Democracia deveria ser um princípio, não uma conveniência". O mesmo valendo para a Justiça e para a Liberdade. Os nossos grandes mestres destas sábias palavras era Dom Paulo Evaristo Arns, pela Igreja, e Augusto Campos pelo movimento sindical. Na política tínhamos pessoas como Mario Covas e Montoro. Paladinos da Democracia.

Derrubamos a ditadura, conquistamos eleições diretas, fizemos uma Constituição Cidadã, e depois de alguns anos, estamos vivendo a falta de democracia, a falta de justiça e a falta de liberdade. Usurpadas pelos militares? Não! Usurpadas pelo uso abusivo das instituições, dos meios de comunicação e por pessoas que, por não concordarem em não ser governo, apelam moralmente ou tergiversando com teorias oportunistas, para justificar o golpe, seja ele na forma de impeachment legislativo ou na forma jurídica.

Ontem, quando fomos almoçar, encontramos no restaurante uma longa mesa de sindicalistas dos velhos tempos.Sindicalistas que viveram a transição entre a ditadura e a democracia. Como eu, todos idosos, ou velhos, com mais de 60 anos de idade e mais de 40 anos de política... Muitas vezes estivemos em lados opostos, mas, curiosamente, nunca perdemos a amizade. Talvez por saber o que era ser preso, torturado e impedido de praticar a liberdade, tenhamos desenvolvido uma tolerância e solidariedade dentro da diversidade.

Nestes tempos de fim de período de democracia, de justiça e de liberdade, constatamos menos tolerância, menos solidariedade e menos respeito pelas diferenças. Talvez quando voltarmos a ser presos, torturados e mortos pela nova ditadura, voltemos a ser solidários e respeitosos.

Este filme nós já vimos e vivemos.
Mas as novas gerações não viveram isto e as velhas raposas fazem de conta que não apoiaram a velha ditadura ou que lutaram contra ela, mas agora a querem de volta. Viraram todos conservadores ou assumiram o que nunca deixaram de ser.

Leiam o livro de Marcelo Rubens Paiva, "Ainda estou aqui". 
Nestes tempos bicudos, uma ode aos acertos e erros de um pai, deputado Rubens Paiva, que sacrificou a família em defesa da Democracia, da Justiça e da Liberdade. Tanto o pai, como sua família, são todos nossos heróis e não merecem ser esquecidos.

Estamos na Semana da Páscoa que comemora a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito. Uma comemoração mais do que relevante para a humanidade por servir de exemplo para todos os tempos.

Da mesma forma que não devemos esquecer a luta pela libertação dos hebreus, também não devemos esquecer os que lutaram e lutam contra as ditaduras no Brasil. Ontem, hoje e sempre.

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