quinta-feira, 31 de março de 2016

A Direita perdeu o rumo e o pudor: Não vai ter golpe!

As Redes Sociais mostram o ridículo da Imprensa

Da mesma forma que, na Reforma Protestante, a Igreja Católica perdeu o monopólio da Bíblia e da Verdade com a descoberta da imprensa e a impressão da Bíblia em alemão, por Gutemberg, os jornais, rádios e TVs tradicionais também perderam o monopólio de ser formadores de opinião e de divulgar o que seria a Verdade.

A imprensa brasileira é a principal articuladora do golpe contra o governo Dilma. O judiciário vem em seguida como bate-pau da imprensa, que por sua vez, usa o poder da Polícia Federal. Já os políticos da oposição, liderados pelo PSDB, fazem o serviço sujo de reproduzir o que a Imprensa mostra e o que o Judiciário vinte apurar para passar a imagem de moralidade.

Já os empresários, os banqueiros e os interesses internacionais, ficaram quietos no primeiro momento, mas agora assumem que, apesar de terem pedido as eleições de 2014, querem o golpe para fazer as reformas conservadoras que o PSDB tinha prometido.

E quanto mais a imprensa e seus aliados se desmoralizam, mais radicais eles ficam. Perderam o pudor. Perderam o discurso de "Brasileiro Cordial". Agora querem partir para o Vale-Tudo. Até a OAB está ficando desmoralizada, com advogados de vários Estados denunciando os abusos e os erros da diretoria atual da OAB nacional.

A direita não esperavam tanta reação contra o golpe. Tanto no Brasil e como no mundo.

E a reação não é apenas dos movimentos sociais. Os artistas mais uma vez estão se manifestando contra o golpe e em Defesa da Democracia.  Os intelectuais também estão contra o golpe. Os estudantes brasileiros que moram no exterior também estão fazendo manifestações e denunciando o golpe.

O melhor disto tudo é que, graças ao Papa Francisco, a Igreja Católica brasileira, que vinha apoiando os conservadores, agora voltou a ouvir o clamor do povo de Deus e está apoiando a luta contra o golpe e o movimento em Defesa da Democracia.

Se a Igreja Católica está defendendo a Democracia e contra o golpe, com certeza nós temos tudo para ganhar esta disputa. Não é à toa que a direita brasileira perdeu o rumo e o pudor.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Campanha Internacional contra o golpe no Brasil

CARTA ABERTA À COMUNIDADE 
ACADÊMICA INTERNACIONAL

Brazilian Observatory
27 de março de 2016

Nós, pesquisadores e professores universitários brasileiros, dirigimo-nos à comunidade acadêmica internacional para denunciar um grave processo de ruptura da legalidade atualmente em curso no Brasil.
Depois de um longo histórico de golpes e de uma violenta ditadura militar, o país tem vivido, até hoje, seu mais longo período de estabilidade democrática – sob a égide da Constituição de 1988, que consagrou um extenso rol de direitos individuais e sociais.

Apesar de importantes avanços sociais nos últimos anos, o Brasil permanece um país profundamente desigual, com um sistema político marcado por um elevado nível de clientelismo e de corrupção. A influência de grandes empresas nas eleições, por meio do financiamento privado de campanhas, provocou sucessivos escândalos de corrupção que vêm atingindo toda a classe política.

O combate à corrupção tornou-se um clamor nacional. Órgãos de controle do Estado têm respondido a esta exigência e, nos últimos anos, as ações anticorrupção se intensificaram, atingindo a elite política e grandes empresas. No entanto, há uma instrumentalização política desse discurso para desestabilização de um governo democraticamente eleito, de modo a aprofundar a grave crise econômica e política atravessada pelo país.
Um dos epicentros que instrumentaliza e desestabiliza o governo vem de setores de um poder que deveria zelar pela integridade politica e legal do país.

A chamada “Operação Lava Jato”, dirigida pelo juiz de primeira instância Sérgio Moro, que há dois anos centraliza as principais investigações contra a corrupção, tem sido maculada pelo uso constante e injustificado de medidas que a legislação brasileira estabelece como excepcionais, tais como a prisão preventiva de acusados e a condução coercitiva de testemunhas. As prisões arbitrárias são abertamente justificadas como forma de pressionar os acusados e deles obter delações contra supostos cúmplices. Há um vazamento permanente e seletivo de informações dos processos para os meios de comunicação. Existem indícios de que operações policiais são combinadas com veículos de imprensa, a fim de ampliar a exposição de seus alvos. Até a Presidenta da República foi alvo de escuta telefônica ilegal. Trechos das escutas telefônicas, tanto legais quanto ilegais, foram apresentados à mídia para divulgação pública, ainda que tratassem apenas de assuntos pessoais sem qualquer relevância para a investigação, com o intuito exclusivo de constranger determinadas personalidades políticas.

As denúncias que emergem contra líderes dos partidos de oposição têm sido em grande medida desprezadas nas investigações e silenciadas nos veículos hegemônicos de mídia. Por outro lado, embora não pese qualquer denúncia contra a Presidenta Dilma Rousseff, a “Operação Lava Jato” tem sido usada para respaldar a tentativa de impeachment em curso na Câmara dos Deputados – que é conduzida pelo deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados e oposicionista, acusado de corrupção e investigado pelo Conselho de Ética dessa mesma casa legislativa.

Quando a forma de proceder das autoridades públicas esbarra nos direitos fundamentais dos cidadãos, atropelando regras liberais básicas de presunção de inocência, isonomia jurídica, devido processo legal, direito ao contraditório e à ampla defesa, é preciso ter cautela. A tentação de fins nobres é forte o suficiente para justificar atropelos procedimentais e aí é que reside um enorme perigo.

O juiz Sérgio Moro já não possui a isenção e a imparcialidade necessárias para continuar responsável pelas investigações em curso. O combate à corrupção precisa ser feito dentro dos estritos limites da legalidade, com respeito aos direitos fundamentais dos acusados.

O risco da ruptura da legalidade, por uma associação entre setores do Poder Judiciário e de meios de comunicação historicamente alinhados com a oligarquia política brasileira, em particular a Rede Globo de Televisão – apoiadora e principal veículo de sustentação da ditadura militar (1964-1985) -, pode comprometer a democracia brasileira, levando a uma situação de polarização e de embates sem precedentes.

Por isso gostaríamos de pedir a solidariedade 
e o apoio da comunidade acadêmica internacional, 
em defesa da legalidade e das instituições democráticas no Brasil.


O Brasil violentado e envergonhado

Envergonhada, a direita imita o discurso da esquerda

"Governo sitiado". 
Esta frase acima eu a li no site da Uol/Folha. Eu tenho usado a frase de que "Vivemos em Estado de Sítio", decretado pelo golpistas como o Judiciário, a Imprensa e a Oposição parlamentar, além dos empresários tipo Paulo Skaf. O governo Dilma perdeu a iniciativa e ficou refém dos golpistas. A iniciativa em defender as conquistas dos trabalhadores e defender o sistema democrático ficou com os movimentos sociais e as centrais sindicais.

Reconhecendo que os golpistas estão conseguindo manter o governo Dilma nas cordas, a etapa atual passa ser a tentativa de impedir que os parlamentares golpistas consigam os 342 votos necessários na Câmara. Embora os golpistas continuem insistindo que já têm numero suficiente de votos para passar dos 342 votos, o jogo ainda não acabou e muita água ainda vai passar sob esta ponte.

O maior problema para os golpistas é o constrangimento por passarem por cima da democracia e efetivarem mais um golpe no Brasil e na América Latina. Os conservadores brasileiros ainda não estão preparados para viver numa democracia com alternância de poderes. Os conservadores brasileiros funcionam como meninos que não sabem perder e são donos da bola, acabando com o jogo quando estão perdendo.

Ser chamado internacionalmente de GOLPISTAS, é uma vergonha. 

Tem nada mais vergonhoso do que olhar a foto da reunião do PMDB em todos os jornais e ver o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, erguendo o braço de Jucá, comemorando a decisão de sair do governo Dilma e gritarem "Fora PT"? Não tinham ninguém mais decente para representar o PMDB e a Câmara?

E o povo assiste a disputa entre os Corruptos de um lado contra os Corruptos do outro lado.

Foi para isto que pararam a economia, geraram tanto desemprego, criaram a Lava Jato, quebraram milhares de empresas, prenderam tanta gente, a imprensa mentiu tanto, juízes e Policia Federal abusaram tanto da autoridade e o Brasil implodiu-se?

A direita queira ou não, esta foto de Eduardo Cunha representando o PMDB, já vai ficar para a História. História de mais um golpe no Brasil e na América Latina. As fotos e os livros não podem ser queimados e apagados. A História existe para isto: para registrar os fatos e contribuir para serem entendidos.

Por mais que a direita use todas as frases criadas pelos movimentos sociais para combater o Golpe, por mais que queiram dizer que o golpe não é um golpe militar, aí está a maior tragédia e farsa deste golpe.

O maior crime deste golpe é exatamente SER UM GOLPE CIVIL.
Não é um golpe militar. Portanto, os civis não têm direito de acusar os militares de estarem a mando dos Estados Unidos e dos fazendeiros, industriais e banqueiros nacionais.

Para ser um Golpe Civil, tinha que ser idealizado pelo PSDB. 

Isto é que ser um partido orgânico da direita nacional e internacional.
Esta é a cara da nova direita no Brasil e na América Latina.
Não é o primeiro e não será o último golpe civil ou militar que acontecerá em nossa paradas.


terça-feira, 29 de março de 2016

PMDB saiu do governo?

Estão vendendo gato por lebre.

Imagino os milhares de brasileiros e brasileiras que foram às ruas defendendo a luta contra a corrupção e pela moralidade pública e, de repente, estão vendo o PMDB deixar o governo Dilma para voltar logo em seguida com mais poder e mais gana?

O PSDB será coadjuvante. Não mandará. Quem mandará será Temer e o PMDB. Era isto que o pessoal queria? Como ficarão Bolsonaro e Eduardo Cunha? E os mais de 300 políticos da lista da Odebrecht?

Talvez o Judiciário e a PF ganhem aumento de salário e mordomias. Mas os milhões de funcionários públicos terão arrocho salarial e PDVs - Planos de Demissões Voluntárias. Nós já vimos este filme na época de FHC.

O Brasil terá mais inflação, mais custo de vida, menos moradia barata, menos vagas nas universidades, menos saúde e menos escolas públicas. Teremos mais recessão.

Mesmo com tanta ambição de poder e de acesso ao dinheiro das empresas estatais e dos ministérios, o jogo ainda não acabou e nem todo deputado e senador, como também nem todo juiz do STF vai participar desta farra golpista. Cada dia é um dia...

Enquanto a direita comemora a saída fingida do PMDB, as manifestações em Defesa da Democracia e Contra o Golpe continuam em todo o Brasil e também em vários países do mundo.

Impeachment como estão fazendo é mais um golpe latino-americano.

A imprensa mente descaradamente.
Os políticos negociam benesses.
O judiciário tenta "legalizar o golpe".

E a Luta Continua!
Cada dia é uma batalha.
Nossa missão é defender a Democracia!

segunda-feira, 28 de março de 2016

O golpe da direita envergonhada

Tentam vender a ideia de que este impeachment não é golpe

A imprensa que vem pregando o ódio e a mentira, agora está tentando vender a ideia de que este impeachment não é golpe. Usam até juízes aposentados, que advogam para empresas e políticos...

O problema é que ninguém está acreditando.
E mesmo o noticiário internacional começa a divulgar mundialmente que o Brasil está passando por mais um golpe na América Latina.

Os movimentos sociais deixaram de priorizar os espaços dos golpistas, como a avenida Paulista em São Paulo, e começam a dialogar com a população mais pobre. Os movimentos sociais estão surpresos com a boa receptividade que o povo apresenta. O povo não está gostando do que está vendo.

Na verdade, o povo está achando que este negócio de impeachment é "briga de ricos e de políticos". Isto é, briga de PSDB com o PT, usando o PMDB e os outros partidos que sempre estão por cima, compondo e negociando com quem está no governo.

O PMDB está animado para ser presidente pela terceira vez sem disputar um voto sequer. Foi assim quando substituiu Tancredo Neves por Sarney; depois quando Itamar Franco substituiu Collor e agora o Brasil pode ser governado por Temer no lugar de Dilma. Sabe aqueles filmes de "Hospedeiros?"

Será um golpe dentro do golpe?

Os ricos, os empresários, o PSDB e seus aliados da direita, apoiam um golpe com nome de impeachment e, na verdade, quem vai governar vai ser Temer e o PMDB. Quem conhece o PMDB sabe que eles sempre gostaram de cargos que controlam orçamentos vultosos. Ficam com o bônus, sem o ônus... Por que será?

Este é um dos motivos que faz crescer a campanha
Em Defesa da Democracia e Contra o Golpe.

Começa a surgir uma campanha por eleições gerais...

Eu sou mais radical. Eu defendo uma Nova Constituinte para elaborar uma Nova Constituição, que acabe com esta promiscuidade de 35 partidos políticos que mais parecem balcão de negócios do que legisladores. Não adianta trocar as moscas se o lixo continuar. Nosso sistema eleitoral e de governo é um lixo!

Porém, mais importante é que, além de se lutar para acabar com a corrupção e com a desonestidade política, o Brasil precisa voltar a crescer economicamente; as famílias precisam voltar a ter emprego, trabalho, salário e dignidade.

O povo não pode pagar a conta.
O povo já não aceita mais manipulações.
O povo quer mais do que comida.
O povo quer Paz, Trabalho e Dignidade!


domingo, 27 de março de 2016

Flores na Páscoa

Variedades da Vila Madalena

O espírito da Páscoa ... 


Hibisco amarela. Simplesmente linda!


O que é mais bonito: 
- O céu azul e branco;
- Ou o Jasmin com suas pequenas flores brancas?


Ainda temos as flores da Romã. Lembram o Oriente...


sábado, 26 de março de 2016

Impeachment é matemática e vale tudo

Entre as versões e os fatos

Marcelo Rubens Paiva é a primeira pessoa que vejo fazer uma análise numérica do Congresso Nacional com consistência. Antes dele, eu ficava sempre com a impressão que estava todo mundo mentindo, já que para justificar o golpe e o impeachment "Vale Tudo", isto é, mentir, comprar votos, ficar doente, não ter ideologia, ser fisiológico, ser religioso e mal caráter, ser jornalista e cafajeste e professor de faculdade e enganador. Afinal, o que vale é o resultado do jogo - ou do impeachment.

É claro que os golpistas já estão até montando governo e oferecendo cargos para os envolvidos no golpe. Até a imprensa está dando espaço para os golpistas envergonhados, com a tentativa de se criar um clima de que "os fins justificam os meios" e que a vida é assim mesmo. Somos um país ainda subdesenvolvido, nossa democracia ainda é nova e nossos partidos não prestam mesmo, portanto, um golpe aqui outro ali, faz parte do processo histórico.

Quero ver quando a economia emperrar de vez, o desemprego chegar a 20%, a inflação chegar a 15% e os salários forem corrigidos abaixo da inflação. Qual vai ser a desculpa?

Enquanto a tragédia não vira realidade, vamos ver a numerologia de Marcelo Rubens Paiva. O bom filho de um pai que sacrificou a família e a vida pelo povo brasileiro e pela democracia. Este artigo de Marcelo, eu acabei vendo ao ler o jornal Estadão de trás para frente. O jornal anda tão fascista que não tenho conseguido ler nem os cadernos de economia e cultura. Hoje, ao ver a foto de Marcelo, resolvi dar uma olhada em seu artigo. Valeu a pena...
Nem tranquilo, nem favorável

Marcelo Rubens Paiva

O clima não está tranquilo nem favorável para os que garantem que Michel Temer tirará o vice de cargo e será o próximo presidente da República. Por uma simples razão: impeachment pelo Congresso é mais difícil do que se propaga. 

Impeachment é matemática.
São precisos 342 votos para o processo ser instaurado,
e Dilma ser afastada por 180 dias.

Se forem 339, 340, 341 votos para o impeachment, não passa.
Mesmo se o placar for 341 x 0. 
Não bastam os debates ou números da Comissão Especial do Impeachment, a defesa de Dilma, o rito do Supremo, o clamor das ruas, a fachada da Fiesp, aliada de Temer, pedir “Renúncia Já”, os conflitantes números da PM, organizadores ou Datafolha das manifestações, a torcida de parte da imprensa, o ódio dos “haters”, o rompimento de amizades pelas redes sociais, as panelas, os gritos “Fora PT!” nos estádios. 

Dois terços da Casa. É muito deputado federal. 
Espalhados por uma sopa de letrinhas sem uma ideologia definida ou uma ética transparente. Depois, OK: o julgamento pelo Senado, também com o voto de dois terços, 54 senadores, referendaria a votação da Câmara.

Deve-se concordar com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL):
 “Acho que impeachment em circunstância normal é uma coisa normal. Mas é bom que as pessoas saibam, e a democracia exige que nós façamos essa advertência, que, para haver impeachment, tem que haver a caracterização do crime de responsabilidade da presidente da República. Quando o impeachment acontece sem essa caracterização, o nome sinceramente não é impeachment, é outro nome”.

Renan diz que o PMDB, “mais do que nunca, precisa demonstrar sua responsabilidade institucional”. Para ele, se o PMDB sair do governo, e isso significar um agravamento da crise.

Do PT e PSDB, a escolha está feita. Mas e os deputados federais do PMDB, PP, PTB, muitos envolvidos em escândalos do Mensalão e do Petrolão, antigos aliados na alegria e na tristeza do governo e na mira e escutas da Lava Jato?

São 513 votos no Congresso.
Tudo muda a toda hora. PT e PCdoB somam 71. O bloco PP, PTB, PSC, PHS, muitos da base aliada, formam 88. PRB, que elegeu 31 deputados em 2015, decidiu sair da base aliada semana passada. Seu ministro dos Esportes, George Hilton, foi para o PROS, que aparentemente se mantém na base. Mas todos voltaram atrás. O PRB desistiu de abandonar o governo, continua influente nos Esportes, mas mudou-se o ministro: saiu Hilton e entrou Ricardo Leyser (do fiel PCdoB). A meses dos Jogos Olímpicos. Com PSD e PR, que também saiu fora, formam um bloco de 76 deputados. Comportamento? Imprevisível, notou-se nos últimos dias. 

PSOL, 6 votos, é contra o impeachment. PDT, 20 votos, está até segunda ordem com o governo e ganhou os Correios (Giovanni Queiroz). Aparentemente, está rachado. Como o PSD. Incógnita também seriam PV e REDE. No grupo ecológico, muitos deputados são conflitantes com a escolha do partido. No começo do mandato, os deputados pró-Dilma somavam 304, com a massa do PMDB. Na oposição, 181. Independentes, 28. Tudo mudou em 2016. PSB está dividido. Como PP, PSD e PR.

O mapa do impeachment do VemPraRua faz uma projeção de 246 deputados a favor do impeachment. É possível. Faltariam 96 votos. Contra e indecisos somariam 267. Se a massa dos hoje 71 deputados do PMDB-PEN migrar para a oposição total, o que ninguém sabe se deve acontecer, com o PSDB somariam 130 votos. Com o PPS e PSB dividido, iriam para 178. Com DEM e Solidariedade, pulariam para 220. 

Analisando a micropolítica, tem mais.
Estão marcadas eleições municipais em outubro. O governo só pode liberar verbas para as prefeituras até seis meses antes das eleições, isto é, até abril, isto é, semana que vem. Se a Dilma é suspensa, para o governo. Nenhum governo, nenhuma verba. 
Prefeituras sem dinheiro precisam de obras para agraciar eleitores. Deputados federais sofrem uma pressão terrível de suas bases municipais, isto é, vereadores. Presidência da República tem caneta. Nem verbas do BNDES já alocadas estão sendo liberadas. 

Como os deputados indecisos ou independentes enfrentariam a pressão e a vigilância da população em seu voto em aberto, na que seria a histórica e redentora ação de impeachment? Do jeito que enfrentaram os que, em 25 de abril de 1984, ignoraram a emenda das Diretas Já. Muitos deputados aparecerão com atestado de licença médica, justificando a falta no dia da votação.

Na emenda das eleições diretas para a presidência, 298 deputados disseram sim, 65 disseram não, com três abstenções. Não compareceram 112 deputados ao plenário no dia da votação. A emenda foi rejeitada. Não alcançou o número mínimo de votos para a aprovação.
Se perder na Câmara, falhar a operação PSDB-PMDB pelo impeachment, o Tribunal Superior Eleitoral julga a ação de cassação de mandato contra a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer. Mas aí, Temer seria atingido. Cassação via Justiça Eleitoral seria um fiasco para os planos do vice-presidente. Assumiria Eduardo Cunha. Se não o pegarem antes.

Cenário possível.

Se o TSE cassar Dilma em 2016, vamos para eleições diretas em 90 dias. Se o TSE cassar Dilma em 2017, o que é mais provável, teríamos, como na ditadura, eleição indireta para presidente. Os eleitores, o Congresso. Aquele lá, sob os olhos e escutas da Lava Jato. Até a Câmara aceitar um segundo pedido de impeachment. 

Até lá... 

sexta-feira, 25 de março de 2016

Impeachment é Golpe contra os Trabalhadores

Contra a Democracia e contra a Liberdade

Pior do que ditadores, são os golpistas envergonhados.
Nossa imprensa perdeu o pudor, nosso judiciário perdeu a ética e nossos políticos perderam a vergonha. Além disto tudo, conseguiram parar o Brasil e obrigar todo mundo a discutir se é contra ou a favor do golpe ou do impeachment.

Hoje, furando o bloqueio da imprensa, temos um ótimo artigo do presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, na Folha, o tradicional bom artigo de Fernanda Torres e a tristeza com as notícias da Bélgica, mas também a triste notícia da doença do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão. Sou fã público de Pezão e fiquei muito triste com a noticia de sua doença. Eu adoro Fernanda Torres e sua família, e recomento a leitura de seu artigo de hoje.

Mas, considerando a qualidade do artigo do presidente da CUT, fiz a opção por reproduzi-lo em nosso espaço. Cada dia é uma batalha, ou são várias batalhas. Precisamos manter a mobilização e a coragem e a consistência dos nossos argumentos. Sem medo de ser feliz.

Vagner Freitas com a palavra:

Impeachment é Golpe contra trabalhadores
Folha - 25/03/2016  02h00 – VAGNER FREITAS

A base social da CUT protestará e sairá às ruas sempre que houver ameaças à democracia, ao Estado de Direito, às liberdades civis e aos direitos da classe trabalhadora.

Defenderemos a todo momento as conquistas dos governos de Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula. O processo de impeachment que tramita na Câmara dos Deputados não é um golpe contra Dilma, mas sim contra toda a classe trabalhadora brasileira.

A história já nos ensinou -os trabalhadores são os mais prejudicados sempre que um governo de base popular é derrubado por forças conservadoras. O principal exemplo ocorreu em 1964, quando as forças de direita apoiaram o golpe e os militares assumiram o comando do país. Vivemos nos anos seguintes um período de arrocho salarial, com piora na distribuição de renda e perda de direitos, como o fim do regime de estabilidade no emprego.

Os conservadores que agora tentam derrubar a presidente Dilma são os mesmos que apresentam projetos de lei para retirar direitos dos trabalhadores, como o PL 4330, da terceirização, o PLS 555, que abre o capital das estatais e limita a participação dos trabalhadores nos conselhos de administração, e o PLS 432, que flexibiliza o conceito de trabalho escravo. Como podemos ver, pouco mudou, o alvo de um golpe nunca deixa de ser o trabalhador.

Há sim, no entanto, uma diferença significativa. Hoje os golpes tentam se apropriar de um discurso democrático, apenas para camuflar seus mesquinhos interesses próprios.
Foi o que ocorreu em Honduras e no Paraguai. Por aqui, os grupos que perderam as eleições presidenciais de 2014 querem de toda forma ocupar a cadeira que não conquistaram legitimamente nas urnas.

Tentam ainda inviabilizar a candidatura de Lula em 2018, criando um ambiente de crise política que agrava a crise econômica e paralisa o país. A estratégia é a mesma de 1964, o falso combate à corrupção.

Sem compreender o momento histórico que o país vive, muitas pessoas acreditam que o fim do PT, a prisão de Lula e o impeachment de Dilma irão resolver, como num passe de mágica, todos os problemas econômicos e políticos enfrentados pelo Brasil.

Quem for além desse raciocínio precário perceberá que vivemos um momento único de combate à impunidade e correção de rumos das instituições públicas e privadas. A investigação de todas as denúncias indica que estamos construindo um país melhor, mais ético.

As perseguições contra Dilma e Lula têm caráter político. Não há base jurídica para cassar o mandato da presidente. Não há nada de concreto que justifique a prisão de Lula. O que a oposição, com forte apoio de parte da mídia, tenta fazer é dar a um golpe de Estado a aparência de operação judicial.

Nossa resposta é uma só, fortalecer a democracia. Esse é o único campo fértil para garantirmos a manutenção e a ampliação dos direitos da classe trabalhadora, da justiça social e da distribuição de renda.

Essa é a agenda da CUT para o Brasil. E foi justamente essa agenda que a CUT e dezenas de entidades dos trabalhadores e empresários entregaram para a presidente em dezembro do ano passado. Fizemos propostas de ações para a geração de emprego e o aquecimento da produção, garantindo, assim, o avanço do sistema econômico produtivo e das relações de trabalho.

Sempre que necessário, estaremos nas ruas de todo o Brasil para defender a democracia e denunciar o golpe. Atos de resistência são fundamentais na luta contra os conservadores e a retirada de direitos.

Acreditamos que os brasileiros, ricos e pobres, brancos e negros, podem e devem construir um país mais desenvolvido, mais solidário, mais justo e mais democrático, sem ódio nem intolerância.

Por isso, reforço o convite para todos nos acompanharem nos próximos atos pela democracia.


VAGNER FREITAS é presidente nacional da CUT - Central Única dos Trabalhadores

quinta-feira, 24 de março de 2016

Brasil no mar de lama e na promiscuidade

O "brasileiro cordial" já morreu?

Como manter-se "Paz e Amor", quando a imprensa destila ódio, a Justiça perde a neutralidade e o discernimento, a polícia faz campanha política pelas redes sociais, os políticos conspiram por toda parte e a população fica refém de um filme de terror, ou de um país sob clima de guerra declarada?

Nas escolas os alunos tomam partido pelo ódio, nos restaurantes já não se come em paz, nos aeroportos já não se fala com estranhos próximos, nos locais de trabalho ninguém fala nada informal nos telefones, nas ruas não sabemos quem está ao nosso lado e em nossas residências, não sabemos se há gravadores ou escutas para registrar o que falamos dos políticos, dos juízes ou da polícia.

Todos somos suspeitos?
Sim, neste estado de guerra que vivemos,
o inocente de hoje é o suspeito de amanhã.

Algumas verdades estão se definindo:

1 - Não dá para acreditar em NENHUM político. Todos se beneficiaram da corrupção;

2 - O sistema partidário e de governo está podre e ingovernável;

3 - O judiciário perdeu a neutralidade e está fazendo política partidária;

4 - A  Polícia Federal que era usada pela ditadura, agora está sendo usada pelo judiciário para novamente fazer política partidária;

5 - A imprensa perdeu o pudor e resolveu fazer campanha permanente pela derrubada do governo Dilma e pela destruição da imagem do PT, em vez de deixar o PT desgastar-se sozinho;

6 - Os Patrões, cada vez mais, assumem que estão bancando o golpe contra Dilma;

7 - Se os patrões estão bancando o golpe atual, o judiciário e a imprensa, são executores dos desejos dos patrões e empresários nacionais e internacionais;

8 - Das centrais sindicais, quase todas ficaram contra o golpe e, portanto, contra os patrões;

9 - A operação Lava Jato faz parte da armação para combater o governo Dilma e o PT. Mesmo partindo de uma boa proposta que é o combate à corrupção;

10 - O impeachment é golpe?  Como o processo de impeachment é contra a presidente Dilma e ainda não há "fato gerador" ou motivo que justifique a decisão jurídica ou política contra ela, evidentemente, a tentativa de impeachment torna-se um golpe de conveniência.

11 - Os conservadores, a direita, os fascistas, os derrotados nas urnas, os empresários que querem reformas contra os trabalhadores, enfim, todos eles juntos, criaram um grande clamor nacional para "legitimar o golpe". Afinal, alguns crimes contra a Constituição valem a pena e a sociedade irá perdoar. O problema é que alguns crimes podem virar hábito ou rotina, como a polícia MATAR bandidos ou qualquer juiz mandar devassar a vida privada de qualquer empresário ou cidadão comum. As ditaduras sempre começam com pequenos crimes;

12 - Vale a pena lembrar aqui que, desde o início da operação Lava Jato, dissemos que  João Vaccari estava sendo mantido preso sem acharem um motivo formal para manter a prisão. Dissemos também que Vaccari estava preso por ser tesoureiro do PT, embora tudo estivesse dentro da lei e da ordem definida pelo TSE. Expuseram a família de Vaccari na imprensa e depois não provaram nada contra eles. Agora vai ficando claro que os participantes da Lava Jato só querem condenar o PT, sendo que o Brasil tem 35 partidos políticos e, só na lista de Odebrecht, 24 pegaram dinheiro.

13 - Com o tempo, mais verdades aparecerão, mesmo que os execrados pela imprensa e pelo judiciário já estejam mortos, como aconteceu com Rubens Paiva e tantos outros durante a outra ditadura.

14 - Quanto aos que dizem que não será uma ditadura do PMDB com o PSDB, as formas como se constituem governos dizem mais do que mostra a imprensa. Os civis desta nova ditadura terão vergonha de assumir que são novos ditadores e que não farão a reforma política que o Brasil precisa. Farão a reforma para se preservarem no poder, mesmo que mudem os nomes dos partidos. As moscas continuarão as mesmas. E as sujeiras, também.

15 - Enfim, continuamos num Mar de Lama e numa promiscuidade histórica. O quê nos resta é saber que o "brasileiro cordial" já morreu e que podemos ver uma grande resistência ao golpe e ao novo tipo de ditadura que estão querendo impor ao Brasil. Podemo dizer que o Brasil de 2016 não é igual ao Brasil de 1964. Deus queira que não...

terça-feira, 22 de março de 2016

Democracia, quantos crimes cometem em seu nome!

Vale também para a Justiça e a Liberdade

Estamos vivendo uma guerra aberta, declarada, um golpe.
Ainda que não seja uma guerra militar com mortos e feridos.
Mas estamos cada vez mais perto de ver os mortos e os feridos...

Quando lutávamos contra a ditadura nos anos setenta, enfrentávamos a falta de democracia, a falta de justiça e a falta de liberdade. As regras eram claras. Os militares mandavam e decidiam, e quem não obedecesse era preso, torturado e morto.

Leiam o brilhante livro "Ainda estou aqui" de Marcelo Rubens Paiva
e emocione-se com histórias tristes e lembranças relevantes.

Na luta pela democracia, pela justiça e pela liberdade, uma coisa que sempre repetíamos era que "Democracia deveria ser um princípio, não uma conveniência". O mesmo valendo para a Justiça e para a Liberdade. Os nossos grandes mestres destas sábias palavras era Dom Paulo Evaristo Arns, pela Igreja, e Augusto Campos pelo movimento sindical. Na política tínhamos pessoas como Mario Covas e Montoro. Paladinos da Democracia.

Derrubamos a ditadura, conquistamos eleições diretas, fizemos uma Constituição Cidadã, e depois de alguns anos, estamos vivendo a falta de democracia, a falta de justiça e a falta de liberdade. Usurpadas pelos militares? Não! Usurpadas pelo uso abusivo das instituições, dos meios de comunicação e por pessoas que, por não concordarem em não ser governo, apelam moralmente ou tergiversando com teorias oportunistas, para justificar o golpe, seja ele na forma de impeachment legislativo ou na forma jurídica.

Ontem, quando fomos almoçar, encontramos no restaurante uma longa mesa de sindicalistas dos velhos tempos.Sindicalistas que viveram a transição entre a ditadura e a democracia. Como eu, todos idosos, ou velhos, com mais de 60 anos de idade e mais de 40 anos de política... Muitas vezes estivemos em lados opostos, mas, curiosamente, nunca perdemos a amizade. Talvez por saber o que era ser preso, torturado e impedido de praticar a liberdade, tenhamos desenvolvido uma tolerância e solidariedade dentro da diversidade.

Nestes tempos de fim de período de democracia, de justiça e de liberdade, constatamos menos tolerância, menos solidariedade e menos respeito pelas diferenças. Talvez quando voltarmos a ser presos, torturados e mortos pela nova ditadura, voltemos a ser solidários e respeitosos.

Este filme nós já vimos e vivemos.
Mas as novas gerações não viveram isto e as velhas raposas fazem de conta que não apoiaram a velha ditadura ou que lutaram contra ela, mas agora a querem de volta. Viraram todos conservadores ou assumiram o que nunca deixaram de ser.

Leiam o livro de Marcelo Rubens Paiva, "Ainda estou aqui". 
Nestes tempos bicudos, uma ode aos acertos e erros de um pai, deputado Rubens Paiva, que sacrificou a família em defesa da Democracia, da Justiça e da Liberdade. Tanto o pai, como sua família, são todos nossos heróis e não merecem ser esquecidos.

Estamos na Semana da Páscoa que comemora a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito. Uma comemoração mais do que relevante para a humanidade por servir de exemplo para todos os tempos.

Da mesma forma que não devemos esquecer a luta pela libertação dos hebreus, também não devemos esquecer os que lutaram e lutam contra as ditaduras no Brasil. Ontem, hoje e sempre.

domingo, 20 de março de 2016

O Brasil de 1962 e de hoje

Sabres Especiais

Como os dias atuais andam em clipe de golpe e derrubada de governo, além de vigilância sobre as pessoas, resolvi matar a saudade de um tempo em que o golpe de 1964 ainda não estava na pauta ou na ordem do dia. Quando cheguei no sacolão da Vila Sonia, tinha tantas e belas pinhas que não resisti e comprei uma para saborear neste domingo. As pinhas em São Paulo são caríssimas. Vinte reais o quilo!

Hoje pela manhã, depois de fazer a caminhada no Parque Villa Lobos, ao chegar em casa sentei no quintal, em frente à mesa  e fiquei olhando aquela pinha que me lembrava uma viagem à Miguel Calmon, cidade de meus avós... Lá tinha pinha de monte, especialmente no quintal da nossa tia Terezinha. Naquele tempo, até nossa pobreza rural era alegre e deixava todos felizes e esperançosos.

As frutas e as viagens são como as musicas, ficam sempre na nossa memória, trazendo boas ou más lembranças. 

Vejam que foto saudosista!


A pinha pronta para ser saboreada e a moringa com água fria e natural. 

Vejam mais fotos...


A pinha mais de perto e as sementes da pinha.


Depois de dois anos, em 1964, veio o golpe e a ditadura. 
Em 1968 a liberdade acabou e a violência correu solta...
Com o tempo, a luta pela a reconquista da liberdade venceu.
Pensávamos que não teria nem golpe nem ditadura nunca mais,
E eis que tanto o golpe como a ditadura estão chegando novamente.
Porque será?

sábado, 19 de março de 2016

STF: Quem o ofende mais? Gilmar Mendes ou Lula?

Na guerra, a verdade é a primeira vítima

Esta frase é histórica e merece ser sempre repetida. A vi pela primeira vez num livro que era a defesa de tese de um jornalista inglês. Uma raridade!

Vivemos numa guerra?
Sem dúvida alguma! Ainda não é uma guerra militar com mortos e feridos fisicamente. Mas já temos várias pessoas e instituições gravemente feridas...

A grande imprensa, que é parte ativa da guerra que vivemos, usou e abusou  das gravações ilegais e irresponsáveis com as conversas reservadas de Lula e seus parceiros. A imprensa usou e abusou da repetição e de depoimentos de conservadores mostrando que o palavriado de Lula era chulo e desrespeitoso para com o STF e alguns juízes.

Lula poderia ou deveria ter evitado falar inconveniências? Sem dúvida deveria. Mesmo Lula alegando que estava nervoso, assediado e no telefone privado, não deveria ser rude. Até porque uma pessoa pública deve saber que nenhum telefone é de confiança. Nem no Brasil, nem em qualquer país do mundo. Telefone serve para dar recados e fazer convites. Nada de intimidades...

Mas, reconhecendo-se as grosserias faladas por Lula, o quê podemos dizer das grosserias públicas e privadas ditas diariamente por um juiz do STF, como faz Gilmar Mendes? Será que ele comporta-se como um juiz da maior corte do país? Que deveria primar-se pelo decoro e pela lisura? Será que as grosserias ditas e feitas por Gilmar Mendes não ofendem a imagem pública do STF?

É claro que a imprensa o usa para fazer a guerra suja. Por exemplo, com certeza Gilmar Mendes usou do arbítrio e da disputa política chula ao  suspender a posse de Lula, como ministro da Casa Civil, e enviar o processo para Moro, passando por cima de seu colega do STF, que cuida do processo, e ignorando a relevância do assunto para o coletivo da corte do STF e estimulando o clima de hostilidade e guerra que o Brasil vem passando. Quem é mais partidário e ideológico no STF do que Gilmar Mendes?

Ao informar sobre a decisão de Gilmar Mendes, a Folha foi mais cuidadosa que o Estadão. A Folha diz que o "Ministro do STF devolve caso de Lula a Moro", já o Estadão, que anda mais agitador que a Folha, diz: "STF suspende posse de Lula e mantém investigação com Moro". Qual é a diferença? Na manchete da Folha subtende-se que o STF ainda julgará o pedido, enquanto no Estadão passa-se a imagem de que o STF já julgou. Mesmo os autores sabendo como a Justiça funciona.

Entre todas as instâncias nacionais, o STF é onde se pode esperar uma postura mais ética e neutra. Mesmo reconhecendo-se o direitos de os juízes terem posições pessoais e políticas. Mesmo com a presença desagregadora de Gilmar Mendes, a maioria da corte ainda prima pela preservação da instituição.

O Congresso Nacional está maculado.
Enquanto não se afastar Eduardo Cunha da presidência da casa, não haverá legitimidade nem autoridade moral para decidir sobre o impeachment. Teremos então um golpe de república das bananas, bem típico da América Latina. O Executivo nacional também está fragilizado e é exatamente a presença de Lula no ministério que pode restituir autoridade para dialogar com os segmentos políticos, sociais e econômicos para apaziguar o Brasil.

É exatamente a possibilidade de Lula recuperar a governabilidade do país que faz com que os golpistas e os enganadores na imprensa, no judiciário, no congresso nacional e nas ruas entrem em pânico e decretem a guerra total e o "Estado de Sítio", como fez a revista Época desta semana.

Com estas ponderações, fica a pergunta:
- Quem ofende mais o STF?
- Gilmar Mendes ou Lula?

Eu ainda torço pelo STF como Guardião da Constituição e dos Direitos Humanos.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Brasil em Estado de Sítio

Flores manchadas de sangue?

O Brasil vinha de um período de crescimento, distribuição de renda e inclusão social. O mundo via com alegria o bem-estar e a democracia se consolidarem no Brasil. Tão moderno que chegou até a eleger uma mulher pela primeira vez presidente da república ...

De repente algo mudou. A cordialidade deu lugar a intolerância e ao vale tudo. O quê mudou? 

Agora estamos envoltos em mais um golpe. Desta vez não é militar. É civil, Juridico, midiático. Não existe mais privacidade. Se isto vale para os monarquistas franquistas espanhóis, quando for necessário estes conservadores usarão contra todos. Quando se ultrapassa a legalidade, a verdade é o que menos importa. 

Estamos em Estado de Sítio!
Como na Espanha de 1936, a guerra aberta está deflagrada...
Os golpistas estão mais fortes por enquanto. O governo está nas cordas. Sobreviverá? Não sabemos. Sabemos que os democratas e libertários estão sob pressão cinica da imprensa e do judiciário moralista, porém golpista.

Hoje podemos vivenciar cenas de violência com feridos ou mortos. A direita brasileira vai sujar de sangue as nossas flores? 

O verde e amarelo serve para várias coisas. Vejam estas belas cores:


E vejam mais estas pequenas flores...


Vamos ver como estas flores ficarão depois do golpe...

quarta-feira, 16 de março de 2016

Imprensa alemã mostra o que imprensa brasileira não quer mostrar

O povo brasileiro está com Lula. Já os ricos...

Vejam que bela matéria saiu na imprensa alemã.

Do alto do morro, outra visão dos protestos
Deutsche Welle
http://m.dw.com/pt/do-alto-do-morro-outra-vis%C3%A3o-dos-protestos/a-19116649
Moradores de comunidade em Copacabana não escondem ponta de decepção com governo e medo da atual crise. Mas ainda são poucos os que veem motivo para descer e se juntar às manifestações contra Dilma.
Apenas 500 metros separam a rua Saint Roman, principal acesso à comunidade do Pavão-Pavãozinho, da praia de Copacabana. Mas, mesmo diante de um futuro de incertezas, foi lá do alto do morro, de onde se tem uma vista privilegiada do mar, que a maioria dos moradores acompanhou a manifestação pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff no último domingo (13/03).

A crise política divide a comunidade de cerca de 20 mil pessoas na zona sul do Rio de Janeiro. Nos bares, frequentadores fazem questão de acompanhar pela TV as últimas notícias. E ainda que o assunto seja recorrente nas rodas de conversa em escadarias e vielas, poucos viram motivo para descer e se juntar aos manifestantes. Entre as razões, a crença de que a corrupção é maior do que o Partido dos Trabalhadores (PT) e os governos de Dilma, e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

A comunidade foi pacificada em 2009, mas ainda sofre com as obras incompletas prometidas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 2008. O destino dos 43 milhões de reais previstos em obras, os moradores desconhecem. Por ali, ainda faltam investimentos em mobilidade e serviços básicos, como saneamento e rede de energia elétrica.

Mas, apesar de uma ponta de ressentimento com o governo federal, gente como a operadora de caixa Maria de Lurdes Silva, de 44 anos, acredita que os problemas do Pavão-Pavãozinho e do Brasil são fruto de uma corrupção que assola o país bem antes da chegada do PT ao poder, em 2002. No domingo, ela preferiu ficar em casa. E garante que a maioria dos vizinhos também. Para ela, as manifestações são "uma burrice sem tamanho".

"Vão tirar a Dilma e colocar quem no lugar? Ela está sendo usada como bode expiatório. Todo mundo rouba no Brasil, e até acho que o Lula tenha roubado também. Quem não? Mas o governo dele melhorou a vida dos pobres. Quando o Fernando Henrique governou, roubou também. O problema foi causado porque o Lula não conseguiu colocar rédeas na roubalheira", argumenta Maria de Lurdes.

"Todos têm as mãos sujas"

Os laços do Pavão-Pavãozinho com a política são antigos. Na década de 1960, enquanto havia uma política de remoção em outras favelas da zona sul, empreendida pelo então governador Carlos Lacerda, a comunidade ganhou suas primeiras obras de urbanização, com melhorias nas escadarias e no abastecimento de água. Em 1984, no primeiro mandato de Leonel Brizola no governo do estado do Rio de Janeiro (1983-1987), foram realizadas algumas obras de urbanização, como a implantação de um plano inclinado no Pavão-Pavãozinho.

Moradores como o motorista Carlos Alberto da Silva, de 52 anos, lembram bem disso. Desempregado, ele faz bicos vendendo chinelos para sobreviver, se diz descontente com a corrupção, mas acredita que destituir a presidente não é solução para a crise.

"Eu preferi ir à igreja no domingo. Aqui todo mundo sempre votou no Brizola, ele vinha aqui e passava o dia, sentava, conversava com todos no bar. Depois, votamos no PT. Eu votei na Dilma e estou muito decepcionado, mas ela foi eleita e tem de terminar o trabalho. A vida mudou nos últimos anos para melhor, apesar de eu estar desempregado há seis meses. Se a Dilma e o Lula roubaram, terão de pagar pelos erros", avalia.

Em 2012, um estudo socioeconômico de 16 comunidades pacificadas do Rio feito pela Firjan indicava que o Pavão-Pavãozinho tinha a maior renda per capita (755 reais) e a segunda menor taxa de desemprego (5%). Mas, apesar de ter quatro escolas municipais e uma creche, registrava, ainda, a terceira pior escolaridade média entre pessoas com 25 anos ou mais –apenas 5,9 anos de estudo.

"Se você tem a tal da elite branca que faz o protesto, você ainda permite o governo sustentar essa narrativa de que o protesto é choro de perdedor. Isso está ficando cada vez menos sustentável. Você já tem, inclusive em classes com menos dinheiro e educação, algum nível de consenso pela responsabilidade da presidente e do partido dela pela crise", opina o cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Mackenzie.

E quem tem medo de que a crise piore ainda mais, achou melhor ficar longe dos protestos, como Cátia Maria Marcelino, de 33 anos. Dona de uma loja de roupas e acessórios num beco da comunidade, ela se diz preocupada com a queda no movimento e teme um retrocesso econômico ainda maior. Segundo ela, derrubar a presidente sem alternativas concretas é "absurdo e perigoso".

"O problema é que todos os partidos têm as mãos sujas. O que precisam fazer é continuar investigando e punir quem rouba. Se tirar a Dilma, entra o vice dela, que é corrupto. Se não for ele, tem o [presidente da Câmara] Eduardo Cunha, que é corrupto. Sobra quem? O PSDB e o PMDB, que também estão cheios de suspeitas? Esses dois aí só pensam em ajudar os ricos. Tenho a sensação de que estamos andando para trás", lamenta Cátia.

"Todos os ricos foram"

Opinião semelhante tem o porteiro Manuel, de 40 anos. Morador do alto do morro, ele trabalha num edifício à beira-mar. Ele estava trabalhando no domingo, mas garante que, mesmo se tivesse tempo, não iria para as ruas porque "só havia ricos protestando".

"Eu via no prédio onde trabalho. Todos os ricos foram. E rico não gosta do PT e de pobre. Rico só gosta do trabalho dos pobres. Não podemos confiar em quem defende os ricos. Votei no Lula, na Dilma e, se ele se candidatar em 2018, voto nele de novo. Pelo menos, eles pensam na gente. Dilma foi eleita e tem que ficar. Só não sei se ela vai ter força, esse negócio está muito embaraçado", opina Manoel, pedindo para não ter o sobrenome revelado.

Segundo o cientista político Valeriano Costa, pesquisador da Unicamp, o não comparecimento das classes sociais mais baixas aos protestos se explica. Além da desconfiança quanto ao que está sendo discutido, o discurso dos organizadores não é dirigido aos interesses e preocupações dessa camada da população.

"Por exatamente serem pessoas que têm questões básicas de sobrevivência, elas têm, primeiro, um medo muito grande de perder o que ganharam. Não é sobre questões sociais e políticas públicas que está se falando nas manifestações, mas sobre um tema que toca diretamente uma classe média que, na verdade, se considera a grande vítima do Estado, do imposto de renda alto, das políticas sociais pesadas", observa.

Para Jacinto Pedro da Costa, de 42 anos, protestar não adianta nada. Ele votou no PT nas últimas eleições e, decepcionado, diz que não pretende repetir a escolha. Nascido e criado no Pavão-Pavãozinho, ele se diz apartidário e promete pesquisar muito bem antes de decidir em quem votar no futuro. Mas, ele acredita ser injusto atribuir somente ao PT os problemas do país. E arrisca: se outros partidos fossem melhores, trabalhariam juntos por uma reforma política.

"Existem empresários ricos que não querem só derrubar a Dilma, mas querem acabar com o PT. Não é justo, mesmo que tenham cometido erros. Por causa do PT consegui abrir minha primeira conta em banco, consegui crédito para comprar as coisas e colocar mais comida dentro de casa. A corrupção fez os poderosos de todos os partidos se misturarem", queixa-se Costa, porteiro de um edifício na vizinhança.