domingo, 14 de fevereiro de 2016

Síria e Oriente Médio viram Herança Maldita

Europa, mais uma vez, espera pelos Estados Unidos

Bush invadiu o Iraque provocando a desorganização do Oriente Médio, Obama autorizou a guerra civil na Síria, achando que a Turquia seria suficiente para servir de retaguarda contra o governo Sírio. Estas duas guerras transformaram-se em Herança Maldita para quem ganhar as próximas eleições americanas.

Ao mesmo tempo, a crise econômica começada em 2008 volta para dentro dos Estados Unidos, somando com as guerras e estimulando candidatos alternativos da direita e da esquerda (se é que existe esquerda nos Estados Unidos).

Tudo isto também sobra para a Europa... Que contou com o poder bélico e econômico americano mas não percebeu que politicamente Obama não gosta de lidar com guerras, preferindo a Paz. Mas, qual paz?

Agora os governos europeus condenam falta de estratégia e omissão de Washington na guerra civil síria. “Há muitas palavras, mas ações são outra história”, reclamou o Ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius. A insatisfação com a Casa Branca, além da França, é cada vez mais comum em Londres, Berlim, Istambul e nas capitais do mundo árabe.

Para um número crescente de diplomatas e de analistas em geopolítica, a suposta omissão do governo Obama é uma das grandes responsáveis por esse cenário ruim. Um dos principais alvos de críticas é o secretário de Estado, John Kerry, cuja posição pró-acordo de paz resultou em sucessivos fracassos, enquanto a Rússia organizava sua estratégia de apoio ao governo sírio.

A Turquia que apostou todas as fichas na queda de Assad, é cada vez mais mera observadora do conflito, arca com 2,5 milhões de refugiados em seu território e ainda viu grupos curdos ganharem poder no norte sírio, no Iraque e em seu território. As condições para o surgimento do País Curdo estão dadas. A Jordânia e a Arábia Saudita estão vendo seus adversários crescerem em sua volta e o Irã avançar em quatro capitais da região: Bagdá, Damasco, Sanaa e Beirute.

Os dados acima foram copiados do bom artigo do excelente jornalista Andrei Netto, correspondente do Estadão em Paris.

Enquanto o Oriente Médio continua em chamas, afetando a Europa, as eleições presidenciais dos Estados Unidos avançam com as prévias mostrando que a disputa não está definida. Apesar das análises conservadoras da Folha, Eleonora de Lucena continua se diferenciando do jornal e apresenta mais um ótimo artigo na edição deste domingo sobre o avanço do candidato socialista, Bernie Sanders, que disputa pelos democratas e tenta ganhar de Hillary Clinton. O título do artigo é: “Pré-candidato “abraçou” Occupy Wall Street, afirma autor”.

Da mesma forma que Obama foi um marco histórico nas eleições americanas por ser o primeiro negro eleito na história do país, podemos ver o eleitorado ser mais exigente ainda e eleger um presidente progressista, autodeclarado “socialista democrático” e que pode basear-se em Roosevelt com sua política de combate a pobreza e estímulo a inclusão social. Além de incluir no governo toda uma geração que reivindicava “Paz e Amor”, igualdades civis lideradas por Martin Luther King e os jovens e intelectuais do Occupy Wall Street.

Enquanto todo mundo olha assustado para o Oriente Médio, algo de novo nasce dentro das entranhas do grande império do século XX.  Pelo voto, o povo americano pode, mais uma vez, surpreender a humanidade. In God, we trust!

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