domingo, 7 de fevereiro de 2016

Brasil e China enfrentam a economia

Cada um a sua maneira

A economia chinesa teve um período excepcional de crescimento, com estabilidade monetária e financeira. Agora, o grande desafio para eles é fazer a economia se desacelerar de maneira relativamente ordenada, num modelo de desenvolvimento que não vai ser tão baseado no investimento. Vai ser mais baseado no mercado interno, consumo, menos exportação, mais serviço e menos em indústria.

O Banco Central chinês é chamado a fazer uma política anticíclica, BAIXANDO OS JUROS e os DEPÓSITOS COMPULSÓRIOS. Mas, ao mesmo tempo, a China vem sofrendo, além da desaceleração, uma fuga de capitais, que pressiona o balanço de pagamento e a taxa de câmbio.

O quadro internacional é delicado, frágil, por causa da China. Mas não é só a China. Com a queda do petróleo e o recuo quase generalizado das commodities, especialmente metálicas, há uma série de tensões rompendo em setores da economia ligados a petróleo e gás. Temos de lembrar que metade da economia mundial é composta pelos países emergentes e em desenvolvimento.

A recuperação americana não está tão forte assim. A Europa continua numa recuperação frágil. De uma semana para cá, a percepção de curto prazo sobre a economia mundial piorou. O Banco Central brasileiro está tentando comunicar isso para dentro do Brasil para que os agentes econômicos levem em conta essa variável quando forma as expectativas.

O Brasil teve um ajuste muito forte em 2015. 

Quando se tem a combinação da retração da demanda agregada interna com a depreciação muito forte do câmbio, a economia responde. Há substituição de importação por bens e produtos locais, e estímulo às exportações. Os ativos brasileiros ficaram baratos e isso estimula a entrada de capitais. Nossa posição de balanço de pagamento melhorou muito e as reservas estão intactas. Nossos problemas são internos, fiscais. A inflação está alta. O mais provável é que 2016 seja semelhante a 2015, com dificuldades em vários lugares e poucas fontes de crescimento na economia mundial.

O mar não está para peixe, mas não teremos um tsunami...


Estas sábias palavras acima fazem parte de uma boa entrevista dada pelo economista e vice presidente do Banco do BRICS, Paulo Nogueira Batista, publicada no caderno de economia do Estadão de sábado de Carnaval, 6 de fevereiro de 2016.

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