quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Delfim Netto, Bresser Pereira e Belluzzo como moderadores

 O Brasil precisa de mais diálogo

Estamos começando o ano de 2016 acompanhando a crise econômica na China contaminar o economia global. No Brasil, além de a imprensa e a direita continuarem tentando o golpe, o governo e o novo ministro da Fazenda estão investindo na construção de uma nova imagem e de um novo Conselhão. Enquanto isto, as disputas políticas continuam... 

Considerando que é possível melhorar a Economia, conter os aumentos da Selic e retomar o crescimento econômico, mesmo com a inflação ainda em patamar acima de 5%, quero aproveitar o artigo de Delfim Netto, na Folha de hoje, para recomendar que o governo pense em nomes como o de Delfim, do professor Bresser Pereira e de Belluzzo. Estes podem contribuir como moderadores no Conselho. 

Da parte dos trabalhadores, além dos representantes das Centrais Sindicais, é imprescindível a participação do Dieese. Como mesmo nos governos petistas, o Brasil continua cada vez mais capitalista, recomendo a leitura desta nova aula do professor Delfim. O Brasil precisa de mais diálogo e mais respeito aos acordos e às instituições. 

Quem diria, Delfim, com o passar do tempo, passou também a ser ouvido pelos trabalhadores. Os patrões vão ficar com inveja. Mas é uma boa inveja...

Acomodação
Delfim Netto – Folha S.Paulo
13/01/2016  02h00

O mais terrível desperdício que pode haver numa sociedade civilizada é o desemprego.
Cada vez que uma pessoa que pode e quer trabalhar não encontra um emprego, sente-se excluída da sociedade. A situação é ainda mais grave quando o desemprego se prolonga e ela perde o "capital humano" que adquiriu no simples ato de trabalhar: vai-se, com o tempo, a sua expertise, superada pelos avanços da tecnologia. Sofre um rebaixamento de seu status social e lhe resta, se tiver alguma sorte, a oportunidade de pertencer ao gueto dos que têm de aceitar salário abaixo de suas qualificações. No fim do dia, perdeu um pedaço da sua identidade e destruiu sua família.

Um nível de desemprego acima do mínimo suficiente para acomodar as mudanças estruturais e tecnológicas que ocorrem em toda a organização social dinâmica e produzem o aumento da produtividade do trabalho (cujo apelido é "desenvolvimento econômico") é a tragédia que revela a falsidade da conjecturada eficiência do capitalismo do "laissez aller", "laissez faire", "laissez passer", que alguns ainda supõem ter sido matematicamente demonstrada.

O "capitalismo" é um instante histórico na procura do homem por uma sociedade civilizada. Não é eterno, nem é "justo", mas é o melhor que se encontrou até agora. Sobreviveu adaptando-se ao enfrentamento do poder econômico do capital pelos trabalhadores com a criação do sufrágio universal a partir do século 19. Na urna, ele dá o mesmo poder a cada cidadão, não importa se vende (é trabalhador) ou compra (é capitalista) força de trabalho.

Quem defende o entendimento direto entre os comitês de fábrica com os empresários, sob a vigilância dos sindicatos (que também têm muito a aprender) para enfrentar as flutuações cíclicas ínsitas na economia de mercado, tem plena consciência das limitações e inconvenientes das levianas propostas de flexibilização "tout court" do mercado de trabalho. 

Tal teoria é apenas mais uma conjectura contra a qual pesam sérios exemplos empíricos levantados em 2005 (no livro "Fighting Unemployment", de David Howell) e confirmados em 2012 (em "Macroeconomics Beyond the NAIRU", de Servaas Storm e C. W. M. Naastepad).

O que se propõe é que trabalhadores e empresários, sentados numa mesa com informações relevantes e transparentes, possam discutir – caso a caso, livre e concretamente – qual a melhor forma de ambos enfrentarem as inevitáveis flutuações da conjuntura. Devem procurar a distribuição mais "justa" dos ganhos e dos seus inconvenientes, a segurança e a estabilidade do emprego além de respeitar todos os direitos constitucionais dos trabalhadores. Por si mesmo, esse entendimento aumentará o bem-estar de todos e mitigará as próprias flutuações cíclicas.

                                                                                                                           

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