domingo, 27 de dezembro de 2015

Último domingo do ano

Imprensa, Democracia e Violência

O clima de ódio que tomou conta do Brasil nos últimos tempos tem uma boa contribuição da imprensa. O Brasil vivia com medo da ditadura militar, conquistamos a Democracia e a Liberdade com eleições gerais, liberdade de expressão e partidária. Parecia que teríamos um período de "leite e mel"...

Com a democracia, veio a inflação e a discórdia, veia a disputa de projetos e de valores. As verdades deixaram de ser absolutas e passaram a ser relativas. Aparentemente, tudo passou a ser permitido e nada podia ser proibido. As drogas, que animavam os jovens na luta contra as guerras e as ditaduras, passaram a ser controladas por traficantes, acabando com o romantismo e a inocência.

A Democracia começou a dar sinais de fragilidade e a deixar o povo indefeso. A Justiça perdeu a neutralidade propagada, os partidos se contaminaram com o poder e as facilidades, os empresários passaram a achar mais fácil fazer negócios com os políticos do que competir no mercado internacional e o mundo acadêmico, perplexo, perdeu seu discurso e suas bandeiras. Para onde estamos indo? Até agora, ninguém sabe...

Neste último domingo do ano, pensei que os jornais apresentariam grandes análises sobre o quê está acontecendo no Brasil e no mundo. Não sei porque, não aconteceu. A Folha veio meia-boca, enxutinha, burocrática, só para dizer que veio... O Estadão veio maior, mais jornal, mesmo conservando sua pobreza política nacional. O quê salva o Estadão, como sempre, são os cadernos 2, com uma ótima reportagem sobre os Beatles e com um título muito sugestivo: "História sem fim" e o Caderno Aliás.

O Caderno ALIÁS honra a tradição secular de um jornal que não merece mais a herança que tem. O Caderno Aliás está ótimo! Todo mundo deve ler. Ilustrado por Jaguar. Isto mesmo, o velho Jaguar do Pasquim! E textos de Sergio Rodrigues, Lee Siegel, Jurandir Freire Costa, Lúcia Guimarães, Kenneth Serbin, Luiz Felipe Alencastro, Sergio Augusto, Ellen R. Stofan, Renato Janine Riberito, José de Souza Martins, Hilário Franco Junior, José Castello e Juan Pablo Villalobos. Artigos livres e sem manipulação. Sem censura como nos velhos tempos em que os Mesquitas enfrentavam ditadores...

Parece mentira, quem fica com raiva do caderno de política do Estadão e cancela a assinatura ou não ler o jornal, não tem acesso a bons artigos como os publicados no Caderno 2 e no Aliás. A luz vence às trevas. Tanto na vida, como nos jornais... Nem sempre o jornal mais rico faz o melhor jornal. E mesmo o pessoal da política achando-se poderoso, o poder real do Estadão está no Caderno 2 e no Aliás.

Que nos próximos domingos de 2016, a Democracia sempre vença a Violência.
Parabéns ao pessoal que resiste no Estadão. Um povo culto é um povo livre. O Estadão sempre defendeu a cultura e a diversidade.

Por falar em cultura, se tiverem tempo, comprem a edição da Odisseia de Homero, publicada pela editora Cosacnaify. Mais uma das boas coisas no Brasil que estão ameaças pela crise e pela nossa ignorância... A Editora vai fechar, mas a edição é histórica e servirá como alimento sagrado do saber.

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