sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Golpe, impeachment, judicialização e militarização

Brasil: Os fins justificam os meios?

O Brasil tem longa tradição de "vale tudo", "lei de Gerson", "jeitinho brasileiro", etc. O Brasil não tem tradição de democracia, regras válidas para todos e ética coletiva ou individual. O Brasil tem tradição de ser o país tardio, retardatário, porém beneficiário deste atraso.

Dizem os analistas que, graças a esta lerdeza nacional, mantivemos o país grande, unificado e com crescimento constante. Mesmo que, para isto, os pobres continuem pobres, o Nordeste e o Norte continuem atrasados e os negros continuem subjugados e como reserva de mão de obra mais barata...

Apesar da pressão dos ricos sobre os pobres, o Brasil lentamente vai melhorando. O padrão de vida dos pobres melhorou muitos nos últimos anos, os pobres passaram a ter mais acesso à universidade, a automóveis e a aeroportos, incluindo viagens ao exterior...

Mas a educação, embora tenha sido massificada, continua fraca na qualidade. É mais do que a hora de se investir muito na qualidade da educação e na qualidade das instituições.

O Brasil nunca teve tanta liberdade como tem agora, mesmo esta liberdade sendo usada de forma abusiva. Mas é uma grande liberdade e um importante aprendizado.

Temos 35 partidos políticos e péssima representação parlamentar. O Brasil está afundando no mar de lama ético, moral e comportamental. Os fins estão justificando os meios.

Temos um governo fraco, uma presidente difícil, uma imprensa golpista, um judiciário que ocupa cada vez mais espaço sobre os demais e a economia refluindo e levando o povo à angústia e ao desespero.

Todos concordamos que como está não pode continuar. 

Porém, os golpistas que pregam a necessidade de uma Unidade Nacional neoliberal, conservadora, não  podem chamar esta unidade como justificativa para dar o golpe. O impeachment nas condições que está sendo executado é golpe sim. Não adianta tergiversar. É golpe! Golpe civil, sem as mãos sujam de sangue dos militares. Por enquanto, apenas as polícias militares estão abusando da violência.

Da mesma forma, o governo Dilma e sua base de sustentação, mesmo tendo sido eleita com a maioria dos votos, precisa também viabilizar a governabilidade quotidiana, diária. A economia e o povo não podem viver de solavancos e de angústias...

Temos um governo de centro-esquerda e um congresso nacional de extrema-direita. Como equilibrar os poderes e a governabilidade? Este é o "x" do problema.

O judiciário pode ajudar, como pode atrapalhar. Ajudará mais se tiver uma expectativa de governabilidade por parte do governo, caso contrário, tenderá a apoiar os golpistas. Legalizando-os. O Congresso Nacional daria o golpe e o Judiciário reconheceria a "soberania do Legislativo". Tudo isto em nome da governabilidade. E os empresários e investidores comemorariam. Como fizeram em 1964.

Até o próximo dia 16, muita água correrá sob as pontes turbulentas em todo o Brasil...

O jornalista Ilmar Franco, em sua coluna no Globo de hoje, 11/12/2015, reproduz declaração do ministro do STF, Edson Fachin, sobre o que pode acontecer:

"Um presidente que não tiver 171 votos, caiu! Não tem governabilidade.""

Eu concordo como o ministro Edson Fachin.
Cabe, portanto, ao governo garantir seus 171 votos na Câmara Federal. Cabe a Câmara Federal e ao Judiciário punir o deputado Eduardo Cunha, que vem desmoralizando o Congresso Nacional e nossa frágil Democracia.

Para os verdadeiros democratas, os fins nunca podem justificar os meios.
Onde estão os democratas brasileiros?

Um comentário:

  1. Nego velho, o problema é que não houve mudança no Sistema de Governo no Brasil. Não existe parlamentarismo. O presidente da Câmara Federal não possui poderes para mudar regras do jogo e agir dentro de interesses próprios. Mas nosso Judiciário está corrompido, também, ao se omitir perante os desmandos de um criminoso.
    A Democracia está por um fio, diante dessa barbárie no Legislativo e Judiciário. O Pacto da República não tem mais sentido de existir.

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