domingo, 8 de novembro de 2015

Break the Silence, Brazil

Caetano Veloso, tarda mas não falha!

Passei o dia pensando em como abordar o longo artigo de Caetano Veloso publicado no Caderno Ilustríssima da Folha de S.Paulo deste domingo. Quando houve a polêmica se Caetano e Gil deveriam ir ou não se apresentar em Tel Aviv, Israel, eu acompanhei os debates e fiquei em dúvida.

Ir a Israel não significa ser a favor da política do governo atual de Israel. Eu já estive em Israel e não me arrependo. Eu sempre fui favorável a constituição dos dois países: Palestina e Israel, dividindo-se os territórios e obrigando a ONU a sair da covardia. Sou favorável a criação do Estado Palestino e do Estado dos Curdos, dois povos que precisam de seus países...

Caetano e Gil foram a Tel Aviv, fizeram um belíssimo show, voltaram, meditaram e Caetano solta seu documento que, como tudo que Caetano faz, vai entrar para a História. O documento tem o título "A paz que eu não quero?" e torna-se leitura obrigatória. Por exemplo, foi a primeira vez que li um artigo completo do caderno Ilustríssima. Tenho preferido o caderno Aliás, do Estadão.

O jornal Folha de S.Paulo é apoiador ostensivo de Israel e dos Estados Unidos. O quê levou o jornal a publicar artigo tão polêmico? Só por ter sido de Caetano Veloso? Tenho minhas dúvidas. O Estadão, que sempre foi um jornal conservador, sempre foi mais noticioso do que a Folha. O Estadão noticiava, a Folha publica versões. O Estadão atualmente virou sublegenda da Folha, particularmente no caderno de Política. Ambos disputam quem é mais fascista.

Adorei a parte do artigo que Caetano diz que Tel Aviv parece mais com uma Fortaleza habitada por cariocas. Quando lá estive, fiquei com a sensação que Jerusalém era São Paulo e Tel Aviv era Rio de Janeiro. Uma séria e sisuda e a outra profana e beira-mar.

Caetano também nos lembra que já houve em Israel um ministro da Suprema Corte que tinha tornado legal a tortura de indivíduos árabes para fazê-os falar e assim manter Israel protegido.

Aqui no Brasil também legalizaram as prisões preventivas e as torturas físicas e psíquicas com o objetivo de conseguirem "delações premiadas" de empresários, políticos e pessoas comuns. O mundo anda tolerante com os abusos e as transgressões. O mundo anda tolerante com o fascismo legalizado. O comunismo já não ameaça ninguém, portanto, é hora de diminuir os direitos dos trabalhadores. É hora de se combater as imigrações decorrentes de guerras motivadas pelos países como Estados Unidos e seus aliados europeus.

Caetano demorou mas falou.
Está na hora de os empresários, a OAB, os artistas e a sociedade brasileira exigir o fim dos abusos e o respeito à liberdade e à democracia.
Está na hora de romper o silêncio.

Break the Silence, Brazil!

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