domingo, 18 de outubro de 2015

Juca Kfouri e a Corrupção no Brasil

Juca Kfouri faz gol de placa contra a corrupção

O melhor artigo de hoje sobre a corrupção que assola o país não está nas páginas de política, está no caderno de Esportes na Folha de S.Paulo.
Juca Kfouri escreve sobre a corrupção no futebol e no Brasil como um todo e lamenta que, no caso do futebol, só aparece a corrupção porque o principal corruptor e corrupto achou que morar nos Estados Unidos não corria risco, se a corrupção fosse no Brasil e usado o dinheiros nos States...

O FBI, dos Estados Unidos, não a PF – Polícia Federal do Brasil, rastreou a sonegação e a fraude e pegou tanto a CBF como a FIFA.
Aqui no Brasil, a corrupção de vez em quando vira notícia e depois esfria, volta ao normal. Isto é, a corrupção continua e alguns são punidos por disputa de mercado. 

Como diz Juca Kfouri, “Causa vergonha constatar que nós, brasileiros, convivemos com tal estado de coisas por anos a fio, ou melhor, por décadas, sem que as autoridades nacionais, da polícia ao judiciário, tomassem providências”.

Peguem os artigos de Juca Kfouri e de Jânio de Freitas, na Folha de hoje, pode até incluir o de Hélio Gaspari e teremos um tripé de demonstração de quanto a nossa história está contaminada com a corrupção e a impunidade. E esta doença não será curada nem pelos políticos, nem pelas operações Lava a Jato, nem pela Polícia Federal. Estão contaminados politicamente e comprometidos com a parcialidade.

Precisamos de uma Nova Constituição e de uma Nova Estrutura de Poderes. Com a palavra final sendo do Povo Brasileiro. Nas urnas. Enquanto isto não acontece, vai o Troféu Osmar Santos para... JUCA KFOURI. Leiam seu ótimo artigo de hoje:

O pecador se confessa
Folha – Juca Kfouri - 18/10/2015 

Deveria causar grande alegria a quem sempre denunciou o submundo do futebol que toda a podridão seja revelada como o FBI está a proporcionar.
Deveria, mas não causa.

Causa, em primeiro lugar, vergonha constatar que nós, brasileiros, convivemos com tal estado de coisas por anos a fio, ou melhor, por décadas, sem que as autoridades nacionais, da polícia ao judiciário, tomassem providências.
Ao contrário, não poucas vezes foram cúmplices e protegeram os meliantes.

Em segundo lugar, dá raiva.
A raiva de ver em inglês muito do que se ouviu e publicou em português, como se fosse grego.
J. Hawilla diz estar arrependido e pede desculpas.
No arrependimento é possível crer, mas num arrependimento diferente daquele das pessoas decentes que erram.

O arrependimento do maior corruptor do futebol das Américas é por não ter sabido parar. É por ter escolhido um comparsa, outro, mais um e mais outro, até ser pego.
As desculpas ele deve aos seus e aos que está traindo.

Quem ouviu um dia dele que o jogo é jogado e é sujo não desculpa nem se arrepende de ter exercido a marcação cerrada que ele mereceu.
Quem um dia disse a ele que era estranho seu súbito enriquecimento apenas comprova o que sempre soube.
Ou quem um dia soube dele, ainda nos anos 1990, que tinha de acordar cedo, antes de seus filhos, para pegar esta Folha e evitar que eles lessem uma certa coluna no caderno de Esporte, não se surpreende com nenhuma revelação que o FBI possa fazer e que o incrimine ainda mais assim como a seus parceiros.
Basta, aliás, dar um Google nas imagens dele para verificar quem o cerca nos convescotes, com as raras exceções de alguns inocentes úteis.

Que a Fifa se exploda é uma questão internacional da qual os juízes suíços certamente saberão tratar.

Em nosso quintal são outros 500.

A esmagadora maioria dos cartolas e seus apaniguados que aí está não é digna que se compre dela um carro usado –também com as exceções de praxe, de gente que quer mudar o estado de coisas que nos assola, embora ninguém da CBF, registre-se.
Em meio ao mar de lama e depois do 7 a 1, jamais o futebol brasileiro teve chance tão grande de recomeçar do zero, com a casa limpa, sem os acordos pornográficos que vemos na política.
Para tanto, será necessário que as grandes empresas envolvidas com o futebol tenham coragem e espírito cidadão, além de tino comercial, para fazerem a necessária renovação que o século 21 está a exigir lá se vão 15 anos.

J. Hawilla, então, terá motivos de sobra para se arrepender, com tornozeleira eletrônica ou sem, ao constatar que poderia ter enriquecido honestamente.


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