terça-feira, 22 de setembro de 2015

Quatro Banespianos de Ouro

Augusto, Gushi, Vaccari e Zé Roberto

Por mais que a elite brasileira tente esconder ou negar, no Brasil existe o preconceito racial. Se, embora seja evidente, os que mandam nos currículos escolares e na imprensa negam o preconceito racial, imaginem o quanto eles vão negar sempre que haja no Brasil luta de classe ou preconceito de classe social. Ser negro no Brasil é motivo de discriminação, ser pobre no Brasil também é ser discriminado, ser negro e pobre aí é dosagem em dobro. Mesmo nos dias atuais.

Se mesmo no Brasil de hoje, vence na vida quem diz sim, quem é obediente e seguidor dos valores da classe dominante, imaginem querer defender os pobres, os negros e a classe trabalhadora na época da ditadura militar, nos anos setenta?

Foi nos anos 70 que eu conheci muitos bancários de todos os bancos - naquela época tinha muitos bancos, principalmente do Banespa. Neste banco trabalhavam quatro rapazes que contribuíram muito na minha formação de vida. Quatro bancários que poderiam ter ficado ricos e viverem bem as suas aposentadorias. Mas eles resolveram fazer a opção pela Classe Trabalhadora e por um Brasil diferente.

1 - Augusto Campos, que ontem completou 74 anos de vida e de liderança, foi o maior estrategista que conheci no movimento sindical. Estava sempre na frente, pensando em como ajudar a organizar e conscientizar os trabalhadores. Luta de massa ou guerrilha? Clandestinidade ou sindicalismo? Vanguardismo ou organização por local de trabalho? Relação individual ou coletiva? Tudo isto Augusto nos ajudava a entender... O Augusto Campos sozinho já dá material para muitos livros e filmes.

2 - Gushi, como nós chamamos Gushiken, era o grande agitador das assembleias. Era nosso trotskista maior. Formava uma grande dupla com Augussto Campos. Além de banespiano, foi meu colega na Fundação Getúlio Vargas e nossas esposas eram também colegas de faculdade e começamos os namoros na mesma festa e no mesmo apartamento perto da Praça Roosevelt. Gushi, foi um bom sindicalista, mas brilhou mesmo foi como líder partidário e parlamentar. Foi acusado injustamente e morreu provando que a dignidade da classe trabalhadora é construída com ações e palavras.

3 - João Vaccari, nosso tesoureiro no Sindicato, na CUT e no PT, que conseguiu sanear as contas e ajudar as pessoas a compreender a importância de equilibrar os orçamentos e evitar despesas desnecessárias, está dando mais uma demonstração de dignidade. Ontem, no mesmo dia do aniversário de Augusto Campos, a luta de classe atacou nosso companheiro e amigo João Vaccari. Ontem, um juíz do interior do Paraná, aliado as forças ocultas, decidiu que Vaccari seria condenado a 15 anos de prisão por ter tido a coragem de organizar as finanças para a Classe Trabalhadora em vez de ser servil à classe dominante. Como este juiz do interior provou que Vaccari era culpado? Ouvindo delatores que não provaram nada contra Vaccari. Tudo que Vaccari fez como tesoureiro do PT foi exigir a legalidade das doações financeiras. Contabilizado e aprovado pelo TSE - Tribunal Superior Eleitoral. Mas, como mataram Joana Darc e acusaram sem prova o Gushiken, agora estão condenando Vaccari. Um banespiano de muita dignidade..

4 - Zé Roberto Barbosa, o banespiano do Comitê Betinho.  Também conheci Zé Roberto ainda na década de 70, quando começamos a fazer o trabalho sindical na compensação geral do Banco do Brasil, no período da noite. Zé Roberto sempre foi um cristãozão da Teologia da Libertação. Quando conheceu Betinho na Campanha contra a Fome, emocionou-se. Depois conheceu Dona Zilda Arns com a Pastoral da Criança e ficou mais entusiasmado ainda. Tanto que criou com outros colegas banespianos o COMITÊ BETINHO, contra a fome e a seca. Seca de água e seca de justiça. No começo eles trocavam tickets refeições por dinheiro para doar para se fazer cisternas no Nordeste. Depois doavam computadores e livros para brinquedotecas da Abrinq. Outro dia Zé Roberto estava nas redes sociais recebendo prêmios pelo seu trabalho no Comitê Betinho....

Fernando Henrique Cardoso acabou com o Banespa. Privatizando-o e vendendo o banco por uma pechincha para o Santander. Alí já houve suspeita de dilapidação do patrimônio do povo de São Paulo, além das milhares de demissões de banespianos. FHC acabou com quase todos os bancos estaduais e muitas estatais estaduais, além da Vale do Rio Doce e dentre outras estatais vendidas a preço de banana...

O Banespa acabou, mas as belas histórias do Banespa e dos banespianos continuam aos milhares.

Hoje, eu tive o prazer e a emoção de escrever sobre estes

QUATRO BANESPIANOS DE OURO.

9 comentários:

  1. Os não banespianos agradecem a atual e aguardam futuras homenagens como essas.

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  2. Esses banespianos foram fantásticos! Abs. Fraterno.

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  3. Mais uma crueldade judiciária contra verdadeiros patriotas. Mas jamais poderão apagar o brilho de nossa estrela, até porque, tucano não voa, só pula. Não tem como alcançar uma estrela.

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  4. João Vaccari tem toda a minha solidariedade, assim como João Paulo Cunha, injustiçados pela elite, pela mídia burguesa e pelo judiciário elitista.

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  5. João Vaccari tem toda a minha solidariedade, assim como João Paulo Cunha, injustiçados pela elite, pela mídia burguesa e pelo judiciário elitista.

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  6. João Vaccari tem toda a minha solidariedade, assim como João Paulo Cunha, injustiçados pela elite, pela mídia burguesa e pelo judiciário elitista.

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  7. João Vaccari tem toda a minha solidariedade, assim como João Paulo Cunha, injustiçados pela elite, pela mídia burguesa e pelo judiciário elitista.

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  8. João Vaccari tem toda a minha solidariedade, assim como João Paulo Cunha, injustiçados pela elite, pela mídia burguesa e pelo judiciário elitista.

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  9. João Vaccari tem toda a minha solidariedade, assim como João Paulo Cunha, injustiçados pela elite, pela mídia burguesa e pelo judiciário elitista.

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