quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Cauby Peixoto e Ângela Maria

O Novo em São Paulo

O Brasil vive um período de nostalgia.
A cada dia é mais uma comemoração de 50 anos de carreira deste ou daquele artista ou escritor.

Hoje, procurando coisas agradáveis nos jornais politiqueiros de São Paulo, achei um anúncio no caderno Ilustrada da Folha, bem no pé da página, mas que deveria ser de página inteira:

"Ângela Maria & Cauby Peixoto - 120 anos de sucessos"
dia 24 de outubro - hoje - no Teatro BRADESCO.

Quando eu vi as comemorações de Caetano e Gil com seus 50 anos cada um de carreira musical, somando 100 anos da dupla, e depois vi a comemoração de Antonio Fagundes, também com 50 anos de carreira, fui procurar na História o que estava acontecendo no mundo quando eles começaram a fazer arte. Guerra Fria e Guerra Quente, e início de uma Ditadura no Brasil. Era 1965!

Quando vejo a propaganda do show de Cauby e Ângela, fiquei pensando como era o Brasil em 1955, quando eles começaram a cantar.

Era um Brasil rural, analfabeto, com muita seca e fome, porém era também um Brasil de Copacabana, músicas e carnavais, cassinos e grande crescimento econômico e avanços na industrialização. Era um Brasil cheio de sonhos, desejos e esperanças. Mas também já tinha os golpistas e os contra a modernidade...

Entre os anos 1955 e 1965, quando em Serrinha, na Bahia, ainda não tinha luz elétrica, água encanada, fogão à gaz nem televisão, com frequência apareciam os Parques e Circos com seus sistemas de alto-falantes que à noite e nos matinées apresentavam músicas e artes.

Nós morávamos perto da praça onde eram instalados os Parques e Circos e, à noite, quando íamos dormir, como a casa não tinha forros, ficava mais fácil de ouvir as músicas como acalanto. E, com frequência dormíamos ouvindo duas músicas que faziam muito sucesso na época e fazem até hoje.

Cauby soltava a voz parecendo nosso Sinatra:

"Conceição, eu me lembro muito bem....

E, Ângela Maria respondia com sua voz de veludo:

"Bandeira branca, amor
Não posso mais.
Pela saudade que me invade eu peço paz...

Um comentário:

  1. Adorei a homenagem,mas "Bandeira branca" foi sucesso na voz da Dalva de Oliveira.

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