domingo, 27 de setembro de 2015

Adeus, Marta Suplicy

Foi bom enquanto durou...

Os jornais de hoje noticiam a nova filiação partidária de Marta Suplicy. Ela foi para "o novo PMDB"...

A saída de Marta Suplicy do PT tem muito simbolismo e pode ajudar no aprendizado da nossa frágil democracia e também no relacionamento humano.

Lembro-me que, há muitos anos atrás, um colega de trabalho veio lamentar comigo que teríamos eleições para prefeitura de São Paulo e Erundina, que já tinha deixado o PT, iria candidatar-se pelo PSB, sendo que o PT não tinha candidato. Eu respondi que tinha muitos candidatos, entre ele, poderia ter como candidata, Marta Suplicy. Ele respondeu-me que Marta era conhecida como "mulher de Suplicy". Eu argumentei  que Marta era bem mais que isto.

Marta Suplicy era realmente a esposa de Eduardo Suplicy, (um símbolo de seriedade nacional), era rica, bonita, inteligente, psicanalista e sexóloga. Que eram requisitos que estimulariam o povo da cidade de São Paulo a votar em alguém que é "um algo mais" do que os candidatos tradicionais.

O tempo passou e Marta acabou saindo candidata à prefeitura de São Paulo. Num dos debates deu uma bela enquadrada em Maluf e assim credenciou-se a ser a Prefeita de São Paulo. Elegendo-se resolveu também separar-se e divorciar-se de Eduardo Suplicy. Surpreendentemente, Marta Suplicy foi a melhor prefeita e prefeito que São Paulo teve desde Mário Covas. Mesmo sendo uma pessoa extremamente difícil no relacionamento. Gosta de mandar e constranger os homens...

Mais tarde elegeu-se senadora e virou ministra no governo Dilma. Duas mandonas não se bicam e assim Marta deixou o ministério "chutando o pau do barraco"... E mais tarde deixou o PT. Também "chutando o pau do barraco".

Para uma pessoa com tantos méritos, como listado no início deste artigo, ter críticas a Dilma e ao PT é normal. Mas, ficamos sem entender direito o quê a fez ir para o PMDB. Será que os mesmos defeitos que tem Dilma e o PT, além de muitos outros, também não existem no PMDB? Eu fui filiado ao MDB de Ulisses Guimarães e Franco Montoro. Isto em 1978. Mas, estamos em 2015....

Marta Suplicy tem todo direito de ir para onde quiser. Mas acho recomendável priorizar andar e olhar para a frente em vez de ficar somente falando mal do PT e de Dilma. Casamento quando acaba não significa fim da vida de ninguém. Pode até significar novas esperanças. Na vida partidária pode ser da mesma forma.

Eu prefiro ficar com as boas lembranças de Marta.
Como por exemplo, quando nos anos 70, nosso professor Eduardo Suplicy fez uma apresentação no Cine-clube da GV,  da sua viagem à China. Quando Suplicy mostrou uma foto de um camelo no deserto de Gobi, o grande público presente expressou: Oh!... E o professor Suplicy explicou que aquele era o famoso deserto de Gobi. E alguém perguntou: E a loira, perto do camelo? O professor, humildemente como sempre, respondeu: "Esta é a Marta, minha esposa." E o público jovem respondeu em coro: Oh!!!

Marta, siga seu caminho. Conviver com você foi muito bom.
Nós, velhos militantes, continuaremos tentando recuperar, manter e criar novas formas de fazer política no Brasil. Nós continuamos a acreditar e praticar a solidariedade e o respeito à diversidade de ideias, de gênero, religiões e de ideologias. Ainda acreditamos em sonhos...

Um comentário:

  1. Ótimo texto. Parabéns!
    Abs
    Vitor (caffe latte)

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