segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A Imprensa e o limite do ódio

Estimula o ódio e depois assusta-se com a violência

Como leitor assíduo de jornais e ouvinte de rádio, embora veja pouco noticiário de televisão, ando pensando sobre "o limite do ódio" para nossa imprensa. Junto com a pregação do ódio vem o cinismo, ao estimular a violência, mas, depois que a horda pratica a violência, a própria imprensa mostra a violência como se não tivesse nada a ver com ela. É como a direção de um grande time de futebol que distribui ingressos de graça para as Torcidas Organizadas e depois reclama da hostilidade destas mesmas torcidas quando o time dá vexame no campo.

Ando pensando em escrever uma Carta Aberta a Washington Olivetto.
Olivetto é o nosso símbolo de sucesso publicitário. Ele e Nizan são os dois melhores do Brasil. A ideia da carta aberta sempre volta toda vez que pego para ler o jornal Estadão. Na época dos Mesquitas era um bom jornal que fez parte da História de São Paulo e do Brasil. Com a crise econômica, o jornal passou a ser administrado por alguns malucos, neoliberais e "doutores da USP", como eles gostam de se identificar nas matérias.

O Estadão, que era conservador mas era um bom jornal, perdeu os escrúpulos e transformou-se num boletim tucano e da extrema direita. No entanto, os Cadernos de Economia, Internacional e Cultura continuam bons. Mas, gradativamente os neoliberais e cínicos estão invadindo a parte de Economia, restando apenas o setor Internacional e o Caderno2.

Fico pensando:

- Será que vale a pena manter a assinatura do Estadão apenas em função dos Cadernos Internacional e o de Cultura?
- Será que Olivetto vai continuar fazendo propaganda do Estadão, mesmo o jornal piorando a cada dia? Vale a pena sujar o nome de Olivetto com um produto decadente deste?
- A Folha também é odienta, mas não é um pastelão como o primeiro caderno do Estadão.
- Poderia ler apenas o jornal Valor, que é o melhor jornal atual. Mas o Valor não tem futebol, nem cultura. E a parte internacional é limitada.
- Será que, com tanto ódio na imprensa, não seria mais fácil cancelar todas as assinaturas?

Na época da ditadura militar eu assinava todos os jornais que eram contra a ditadura, como forma de estimular a liberdade de imprensa e a diversidade de comunicação. Hoje, com a democracia, nossa imprensa está oligopolizada, reacionária e cínica. Já as oposições a esta hegemonia cínica, não tem jornal escrito, tem apenas sites nas redes sociais. Doze anos de governos Lula e Dilma não foram capazes de criar um canal de televisão progressista, até a TV Cultura de SP transformou-se em aparelho do PSDB e reacionários. Os rádios e TVs proliferaram como aparelhos dos Evangélicos (conservadores, também).

Enquanto o ódio não tomar conta de tudo e o Brasil transformar-se num Chile de Pinochet, ou numa Argentina de Videla, talvez a imprensa não se dê por satisfeita. O que deveria ser divergência política está transformando-se em violento Ódio de Classe. Imaginem se estas barbaridades praticadas pela imprensa fossem a favor da Classe Trabalhadora? O Brasil já estaria em Guerra Civil. O fantasma que nos ronda mas que nunca pode se impor por estas terras.

O ódio está vencendo a esperança.

Talvez esta mensagem sirva como um ato desesperado de pedido de ajuda a Olivetto e Nizan. Sem poder contar com os políticos, juízes e com a imprensa, ainda conto com os artistas e com os grandes nomes da publicidade. Leio tudo que aparece sobre Olivetto e Nizan. Eles não têm o ódio como forma de ganhar a vida.

Um comentário:

  1. Cara, confesso que causava-me espécie teu estômago para ler estadinho e fel lha, que bom que está caindo na real. Cancele a assinatura e procure cultura na net. Colabore com o Brasil, e ajude a enterrar logo esses lixos.

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