quarta-feira, 8 de julho de 2015

Liberdade e Luta Refazendo-se

Caminhando e Cantando...

Vivemos uma semana de instabilidade geral, com a direita brasileira, capitaneada pelo PSDB, tentando derrubar a presidente Dilma de qualquer maneira. A forma não importa, o que importa é tirar o PT do governo e recuperar o governo brasileiro para os neoliberais e oportunistas disponíveis.

Como a imprensa está incendiando tudo e utilizando-se do Judiciário, que partidarizou a Justiça e vem funcionando de forma articulada com o PSDB e a direita do Congresso Nacional, liderada por Cunha, as organizações populares e de esquerda começaram a intensificar as mobilizações e manifestos contra o golpe iminente.

Acenderam a luz amarela de alerta geral contra o golpe e intensificaram os movimentos "Fica Dilma!" e pelo respeito às regras democráticas.

Neste clima que parece os anos 70, quando os movimentos sociais e de esquerda cresciam em todo Brasil e apareciam nomes no movimento estudantil que deixaram boas lembranças:

- Liberdade e Luta - Libelu - vanguarda dos estudantes da USP;
- Refazendo - movimento mais moderado, que tinha militantes como Aloisio Mercadante e tantos militantes da Igreja;
- Caminhando - vinculado ao PC-B e setores da Igreja Católica;
- Convergência Socialista - de formação trotskista, como a Libelu, porém menos representativa.

Muitos daqueles jovens estudantes atualmente são avós e avôs, muitos viraram parlamentares, ministros e executivos. Surgiram novas organizações e novos partidos. Já não sei nomea-los... Embora o Brasil tenha 33 partidos legalizados. Quase todos conservadores...

A dúvida é: 
- se o Partidão (antigo Partido Comunista Brasileiro) e as Ligas Camponesas não foram capazes de impedir o golpe militar e civil de 1964;

- estas novas organizações brasileiras, mesmo considerando o tamanho do PT e do PC-B, além das organizações de massa como o MST e a CUT, conseguirão impedir este novo golpe da direita brasileira?

Todo mundo está se reunindo e tirando táticas e estratégias à direita e à esquerda. É como se o golpe fosse inevitável, embora ainda não se saiba quem herdaria o governo. Se o PMDB de Cunha ou o PSDB de Aécio. Ambos maus vistos pela sociedade, mas considerados bons destruidores do PT. A direita nacional ainda não está segura com quem conta. Cunha é um louco arrivista, e Aécio é um arrivista louco.

Já a base eleitoral de Dilma, continua sentindo-se traída pela nomeação de Levy para o Ministério da Fazenda, sem contar a Katia Abreu e Armando Monteiro. Ambos representantes expressivos do empresariado. Sabíamos que seria um governo de composição, como foi antes, porém, ninguém previu um ministro da Fazenda neoliberal para aplicar um ajuste fiscal neoliberal...

O projeto que elegeu Dilma, o desenvolvimentismo, com crescimento econômico, distribuição de renda e inclusão social foi esquecido e o governo Dilma passou a aplicar o manual neoliberal na economia, provocando recessão, desemprego, inflação e desorganização política e social.

O dilema é: 

Precisamos garantir o mandato da presidente Dilma a qualquer preço
ou precisamos garantir o projeto que Dilma foi eleito?

Os velhos militantes das esquerdas da década de 70 precisam contribuir para responder a pergunta acima. A Grécia deu uma grande aula de democracia direta. Ainda temos tempo para reconquistar o terreno perdido com as opções erradas.

Por coincidência, hoje na hora do almoço, enquanto dirigia, ouvi um programa de rádio muito interessante na Rádio USP, onde um professor e autor de um livro sobre A História do Brasil - Uma Interpretação, contava história da USP naquele tempo da ditadura e apresentava músicas da época e também falava um pouco sobre a atualidade. Para os jovens que sempre associa a USP com a direita, foi com alegria que soube do passado de esquerda e de progressistas na USP.

Lembrei-me que ontem, quando voltava para casa e subia a Rua da Consolação, no sentido contrário vinha uma grande passeata de estudantes cantando músicas com tambores e entoando o FORA CUNHA.

Nem tudo está perdido e, como diz o professor Bresser Pereira, ainda é possível construir novos caminhos com músicas e muitas festas.

Nem todo agosto é sinônimo de golpes e suicídios no Brasil. 

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