terça-feira, 28 de julho de 2015

Igrejas de Direita, Igrejas de Esquerda. E Deus?

Religiões substituem partidos políticos

Hoje vimos em todos jornais fotos e matérias do promotor público e um dos coordenadores da Operação Lava Jato pregando numa Igreja Evangélica no Rio de Janeiro. Os assuntos se misturavam. Isto é, ora o pastor-promotor falava da Bíblia, ora falava da Operação Lava Jato.

Curiosamente, Eduardo Cunha, o presidente da Câmara Federal, também é evangélico, e muitos deputados são pastores evangélicos. Lembram do ex-governador do Rio de Janeiro, Garotinho? Ele e sua esposa, que também foi governadora do Rio, também são evangélicos.

Todos os evangélicos que estão se destacando na política atual são conservadores, de direita, ou mesmo reacionários e preconceituosos...

De repente, o Brasil está se vendo governado pelos Evangélicos.
De repente o Brasil está submetido a uma pauta reacionária de direita.
Será que nossa imprensa, como a Folha, também virou Evangélica?

Tudo indica que é um momento histórico em que a população se deixou levar pelo discurso conservador dos Evangélicos, em contraposição ao discurso progressista da Igreja Católica, que lutou contra a ditadura militar.

Lembram que, antigamente, a Igreja Católica defendia a Teologia da Libertação?
Os últimos papas acabaram com esta teologia de esquerda, impuseram uma pauta igual a dos evangélicos e só agora, com este papa franciscano e argentino, as coisas caminham para uma igreja mais humanista e solidária.

Este crescimento do papel das igrejas, sendo mais fortes do que os partidos políticos, não é apenas um fenômeno brasileiro, está presente no mundo todo. Na Índia, na Russia, nos Estados Unidos, na Europa, no Oriente Médio, em Israel e mesmo na Ásia.

Como para governar ainda se precisa de Partidos Políticos e estes perderam legitimidade, agora os partidos foram transformados em aparelhos religiosos e as igrejas substituíram as reuniões partidárias.

A Reforma Protestante, contra a Igreja Católica, a partir do século XVI na Europa, serviu como retaguarda para a introdução do Capitalismo no mundo. Os protestantes simbolizam o moderno e o novo. Atualmente, quinhentos anos depois, os protestantes já estão simbolizando o Velho e o mundo está construindo o novo, que ainda não tomou forma. Um Novo laico, plural, sem fronteiras e sem violências.

Enquanto o Novo não surge de forma organizada, o Velho protestantismo debate-se como o Catolicismo de antigamente, tentando resistir e manter-se como teoria da ordem e de um Deus que é demonstrado como força financeira e capacidade de mobilização, como eram as Cruzadas de antigamente.

Como fazer uma Sociedade com Estado laico, com religiões livres e múltiplas, e, de preferência, sem partidos políticos parasitas?

Este é o desafio do novo século. O Século XXI.

Um comentário:

  1. Repassei no meu blog A JANELA DO ABELHA.
    http://oblogdoabelha.blogspot.com

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