quinta-feira, 11 de junho de 2015

Santander entra na briga pelo HSBC

Santander é maior que Itaú e Bradesco juntos

Como acaso não existe...
Depois de a imprensa brasileira dar ampla cobertura sobre a venda do HSBC no Brasil e na Turquia; sobre os potenciais compradores no HSBC Brasil; e a possibilidade de o Santander ficar fora da disputa nacional, hoje saiu grande reportagem sobre o Santander no jornal Valor, que publica caderno especial do The Wall Street Journal Americas.

A ampla reportagem, feita diretamente em Santander, na Espanha, é só elogios ao Santander e à sua presidente, Ana Botín. O mais curioso da reportagem é o destaque dado ao fato de o Santander ser maior do que o Itaú e Bradesco juntos.

Os ativos do Santander chegam a US$1,5 TRILHÃO de dólares!

Vai dar para encarar?

Leiam abaixo parte da matéria sobre o Santander e sua presidenta!

Ana Botín rompe com legado do pai 
e tenta criar o Santander do século XXI

The Wall Street Journal Americas – Valor
Por  JEANNETTE NEUMANN, de Santander, Espanha 
quinta-feira, 11 de junho de 2015 00:05 EDT


Desde que assumiu o comando do Banco Santander SA, SAN +0.20% Ana Botín vem reformulando a estratégia da instituição e a equipe executiva montada pelo seu falecido pai, a quem ela costuma se referir como “o ex-presidente”.

Dando poucos sinais de nostalgia, a executiva de 54 anos está modernizando um banco que tem US$ 1,5 trilhão em ativos — mais que Itaú Unibanco SA  ITUB4.BR -1.40%  e Bradesco SA  BBDC4.BR + 0.96%  juntos —,  mas que investidores, analistas e executivos de bancos dizem que ficou para trás em termos de padrões financeiros e de governança durante os quase 30 anos em que foi liderado por Emilio Botín.

No cargo de presidente executiva do conselho de administração desde que seu pai morreu, em setembro do ano passado, ela trocou o diretor-presidente, homem de confiança do pai, e mudou os cargos de quase metade da cúpula executiva. Ela começou 2015 vendendo 7,5 bilhões de euros (US$ 8,48 bilhões) em ações do banco, numa resposta às críticas de investidores de que seu pai havia negligenciado o balanço. Ela colocou novas equipes no comando de algumas unidades, inclusive nos Estados Unidos, onde o Santander foi reprovado em dois testes do Federal Reserve, o banco central americano, que analisaram a saúde de suas finanças.
Ela também rompeu com o legado de grandes aquisições deixado pelo pai, cuja estratégia fez do banco uma potência. O Santander é hoje o segundo maior banco da Europa em valor de mercado, atrás do HSBC Holdings HSBA.LN -0.34% PLC, e seus ativos se comparam aos dos americanos Citigroup Inc. C +0.56% (US$ 1,8 trilhão) eWells Fargo WFC +0.49% & Co. (US$ 1,7 trilhão). O Santander tem uma base de clientes que cobre dez países na Europa e nas Américas, inclusive EUA e Brasil.

Mas Botín diz que está na hora de priorizar a melhora dos serviços e atrair novos clientes. “Precisamos mudar nosso modo de administrar bancos” e a “cultura”, disse ela numa entrevista ao The Wall Street Journal em Londres. “Se fizermos isso direito, podemos ter um impacto enorme.”

A capacidade de liderança de Botín, que assumiu o papel incomum de líder executiva num setor dominado por homens, é raramente posta em dúvida por analistas, mesmo aqueles que viram a promoção dela ao cargo como um ato de nepotismo. Botín, dizem eles, teve uma preparação sem paralelo como a mais velha de seis filhos — é membro do conselho do Santander desde 1989 e liderou a unidade do banco no Reino Unido.
“Ela conhece a máquina de trás pra frente e foi treinada para ser a líder”, diz Joseph Oughourlian, da firma londrina de fundos de hedge Amber Capital, que detém ações do Santander. Respondendo às acusações de nepotismo, Botín disse que é qualificada e dá como exemplo os executivos talentosos que contratou e sua bem-sucedida gestão no Reino Unido.
Entre os desafios que ela enfrenta estão os problemas regulatórios nos EUA, a desaceleração da economia brasileira e a baixa demanda por empréstimos na Espanha.
O Santander foi fundado em 1857 por um negociante na cidade portuária de Santander. Rafael Botín Aguirre tornou-se diretor administrativo em 1985. Seu sobrinho Emilio Botín López, bisavô de Ana Botín, revezou na presidência do conselho a partir de 1909. Em 1923, o avô de Ana assumiu o posto em caráter permanente, seguido pelo pai dela.
Botín, que também nasceu em Santander e estudou na Universidade de Harvard, nos EUA, trabalhou durante oito anos no banco americano J.P. MorganJPM +0.56%
Ela entrou no Santander em 1988, dando início a uma carreira que alternou sucessos e reveses.
Ela liderou aquisições para expandir a presença do Santander no setor de banco de varejo da América Latina, mas não conseguiu torná-lo um grande participante na região. 

No Brasil, por exemplo, apesar de ser o maior banco estrangeiro, o Santander está bem atrás dos rivais. O banco encerrou 2014 com um patrimônio líquido de R$ 58,2 bilhões, contra R$ 81,6 bilhões do Bradesco e R$ 103 bilhões do Itaú Unibanco, segundo dados do Banco Central.
Em 1998, na tentativa de fincar um pé na Ásia, Ana Botín aproveitou turbulências econômicas lá para contratar 150 analistas de ações de uma firma de Hong Kong. O negócio não teve um bom desempenho e ela acabou demitindo os profissionais. 

Por outro lado, sua passagem pelo Santander do Reino Unido, de 2010 a 2014, é amplamente vista como bem-sucedida. O lucro líquido da divisão nos primeiros nove meses de 2014, o último período em que ela estava na liderança, subiu 50% ante igual período do ano anterior, para 1,12 bilhão de euros.
 (Colaborou Anupreeta Das.) 

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