sexta-feira, 26 de junho de 2015

O caos que cresce no Brasil

Aprendendo com os acertos e com os erros

A redemocratização do Brasil criou grande expectativa de que entraríamos num período de fartura, de grande criatividade e de realização dos nossos sonhos. O país do futuro estava se transformando no país do presente.

A morte de Tancredo serviu de mau agouro. Apesar de ter sido escolhido pelo Colégio Eleitoral, Tancredo sinalizava a transição conservadora, sem grandes riscos... Com a morte de Tancredo assumiu Sarney. Fazendo uma transição sem entusiasmo e sem grandes expectativas. O mais marcante de seu governo foi a Inflação galopante que enlouqueceu o Brasil.

Depois da Constituinte de 1988, quando mais uma vez as esperanças foram renovadas, ao realizar a primeira eleição direta para presidente depois de 1964, foi eleito o anticandidato Fernando Collor. O mandato de Collor prenunciava a falta de organicidade nacional, a fragilidade das instituições, o estímulo à corrupção e ao ganha-fácil... Acabou em impecheament e assumiu Itamar Franco.

Itamar, como Sarney, representava o improviso na política e na governabilidade. Com todas suas contradições, Itamar teve dois méritos: nunca apareceu um caso de corrupção no seu governo e também teve a coragem de dar carta branca para seu ministro da Fazenda fazer o Plano Real, que acabou com a inflação galopante.

Se Collor começou a implantar o neoliberalismo no Brasil, com a eleição de FHC - Fernando Henrique Cardoso, o neoliberalismo foi consolidado tanto na economia como na imprensa e nas universidades. Ser neoliberal passou a ser chic! Ser americano, ser de Miami e novo rico. Também com o neoliberalismo veio o desemprego e o arrocho salarial, abrindo portas para a eleição de Lula.

Com a eleição de Lula em 2002, o que ninguém imaginava aconteceu: O Brasil deu certo!
Nunca na história deste país se ganhou tanto dinheiro, se gerou tantos empregos, tantas escolas e universidade, hospitais e vida cultural. Nem Lula entendia como tantos milagres aconteceram...

A direita assustou-se, tentou derrubá-lo e não conseguiu, tentou ganhar no voto e não conseguiu. Tiveram que ver o brasileiro comprar casa própria, fazer faculdade, ter emprego formal, viajar para o exterior e até voltar a trabalhar no campo ou na roça. Até os nordestinos comemoram a fartura. O Sertão virou Mar, e o Mar virou Sertão...

Mesmo com a crise mundial de 2008, Lula pregou a marolinha e o tisunami não aconteceu. O homem virou o Padrinho Cícero de todos os brasileiros. Apesar de ganhar muito dinheiro, os conservadores cresceram em inveja e ciúme. E inveja de homem é pior do que inveja de mulher... Lula indicou e ajudar a eleger a primeira mulher presidente da história do Brasil. Dilma Rousseff, ex-presa política, mineira e gaúcha tomou posse tentando manter a fartura da época de Lula.

No primeiro mandato, 2010-2014,  Dilma conseguiu manter o nível de emprego e a qualidade dos salários, manter os investimentos e os programas sociais. Mas a inveja crescia e a economia reverberava, não conseguindo crescer nem manter as exportações.

Até a China já não comprava tanto como antes...

Com menos dinheiro, ficou mais fácil de os conservadores e invejosos fazerem campanha contra a presidente Dilma e intensificarem a campanha contra o PT.

Pequenos erros políticos facilitaram novos confrontos políticos e econômicos. 
Aos poucos foi-se abrindo uma porta perigosa que tomou conta da política e da economia. A Petrobras, o maior patrimônio nacional, que era administrada com forte ingerência dos políticos tanto da situação como da oposição, serviu de cabeça de ponte para aterrorizar todos que se uniram direta e indiretamente ao PT. Mesmo os empresários conservadores...

Destruir o PT, mesmo que, para isto, destuísse junto a Petrobrás e as maiores empresas brasileiras, passou a ser a grande meta da direita brasileira. A briga deixou de ser eleitoral para ser jurídica, sendo que a verdade deixou de ser relevante, o importante passou a ser usar a versão da lei para prejudicar o PT. O resto será reconstruído depois. É a política da terra arrasada.

Se o caos da Petrobrás já afetava a economia e a política nacional, a presidente Dilma reeleita em 2014, cometeu seu segundo grande erro.
Da mesma forma que subestimou o erro em manter Graça Foster na presidência da Petrobrás; a presidente Dilma achou que fazer acordo com os banqueiros e nomear um neoliberal que votou em Aécio como Ministro da Fazenda acalmaria o mercado e o PSDB. Não conseguiu nem uma coisa, nem outra.

Perdeu o apoio da sua base social, a economia travou de vez e o PSDB aliou-se ao que tem de pior no Congresso Nacional para implantar um Parlamentarismo Suicida, que botou o governo Dilma nas cordas... É o quanto pior melhor.

Enquanto os empresários vão preso por fazer negócios com a Petrobrás e com o governo Dilma; enquanto o Congresso Nacional brinca de fazer política; enquanto o Judiciário perde o rumo e fica refém do ódio; a imprensa comemora o caos e o povo sofre as consequências da imaturidade da nossa democracia.

Como o povo vai reagir?

No primeiro momento pode votar na direita como mágoa e ressentimento. Com o tempo, poderá ter saudade de Lula, mas só o tempo vai mostrar se o PT terá capacidade de recuperação ou não. Embora muitos conservadores já estejam comemorando o fim do PT e do desenvolvimentismo, o tempo tem provado que o povo sabe recuperar seus aliados históricos. O mundo está cheio de bons exemplos, como na Espanha recentemente.

Enquanto o futuro não chega, precisamos ser cautelosos e Orar e Vigiar...

Um comentário:

  1. Didática síntese Gilmar. Mas um judiciário conservador e partidarizado vai truncar o caminho democrático que o país vinha trilhando.

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