sábado, 2 de maio de 2015

USA e Vietnã: A primeira derrota, a gente nunca esquece

Foi um momento muito triste, diz Kissiger, aos 92 anos

Quando se fala de Kissinger, necessariamente lembramos de dois fatos altamente relevantes na história da humanidade: A primeira derrota militar dos Estados Unidos, que foi justamente para o Vietnã e seus aliados; e o Golpe Militar no Chile, organizado pelos Estados Unidos e que aplicou a economia neoliberal levada ao extremo, pelos Chigaco's Boys.

No último dia 30 de abril esta derrota americana completou 40 anos.
Em 1975, portanto. O Brasil que também estava sob uma ditadura militar protegida e orientada pelos Estados Unidos, já não conseguia manter o controle sobre a economia e o movimento de redemocratização começava a ganhar força. Primeiro pelas ações dos estudantes, depois pelas declarações dos empresários e depois pela reorganização dos movimentos sociais, particularmente do movimento sindical.

Calcula-se que durante o conflito no Vietnã, foram usadas mais toneladas de bombas do que todas as lançadas durante a Segunda Guerra, sem contar as armas químicas e bacteriológicas. Morreram mais de 1,5 milhão de vietnamitas, civis e militares, e apenas 60 mil soldados americanos.

A guerra durou mais de duas décadas, ao custo de US$150 bilhões, os Estados Unidos arruinaram cerca de 70% dos povoados do Vietnã do Norte e inutilizaram mais de 10 milhões de hectares de terra do país.

Aos 92 anos, Kissinger, que continua escrevendo, fazendo palestras e consultorias, reconhece que "o trauma de Saigon" fez que a Casa Branca perdesse o fio a partir do qual se desenrolava seu conceito de ordem mundial.

É importante destacar que, mesmo perdendo a guerra do Vietnã, a longo prazo, os Estados Unidos, como principal mentor do Capitalismo, ganhou a disputa de modelo econômico e social. A União Soviética implodiu e a China passou da economia comunista para o capitalismo de mercado com Estado centralizado.

Já o Século XXI, caminha para a hegemonia asiática sobre a economia e as finanças, e a Alemanha como novo centro europeu aliado dos Estados Unidos, para tentar equilibrar a economia mundial. A América Latina ainda não se achou nem descobriu qual é o seu futuro...

Muito do que está escrito acima faz parte da ótima reportagem do Caderno EU&Fim de Semana do jornal Valor, de 30 de abril, sexta-feira.

Kissinger ainda faz uma avaliação importante:
"Esta é a primeira vez na história em que todas as regiões do planeta têm um impacto em todas as demais regiões."

Se vou fazer 62 anos este ano, e se meus pais também estão completando 92 anos em 2015, isto significa que eu também poderei viver 92 anos e terei mais 30 anos de vida para estudar, militar, escrever e ver as transformações do mundo. Afinal, a Terra é nossa Pátria. 

Quem já viu e participou de tantas mudanças, ainda teremos muito tempo para viver e participar de novas mudanças. O que estamos semeando e fazendo não tem sido nem será em vão. Por mais que nossa imprensa reacionária tente negar nossa importância histórica.
Sem medo de ser feliz!


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