segunda-feira, 11 de maio de 2015

Da Guerra e da Paz

O exemplo espanhol para o Brasil

A Espanha teve três momentos determinantes da sua história que passaram por guerra. Duas delas contra os estrangeiros e uma dela entre os próprios espanhóis. A primeira guerra histórica na Espanha foi pelo fim do domínio mouro na península; a segunda foi a guerra pelo fim da ocupação napoleônica e a terceira foi a Guerra Civil dos monarquistas contra a república.

Sobre a Guerra Civil Espanhola, "em julho de 1939, escreveu Prieto a Negrin: 

Pocos españoles de la actual generación están libres de culpa por la infinita desdicha en que han sumido a su patria. De los que hemos actuado en política, ninguno."

Da página 382 do livro España - Tres milenios de historia de autoria do professor Antonio Dominguez Ortiz. Editora Marcial Pons Bolsillo

Uma crise de governabilidade, numa democracia republicana no início do século passado foi gerando novas crises que tinham influências da Primeira Guerra Mundial e chegou num momento em que se precisava restabelecer a ordem.

O quê poderia ser mais um golpe civil-militar-monárquico foi se transformando numa das guerras civis mais sangrenta da história da humanidade e serviu como ensaio geral para a Segunda Guerra Mundial. Os livros espanhóis atuais falam com timidez sobre este período. Como se não quisessem lembrar do passado para não abrir velhas feridas.

O Brasil também vem caminhando para uma crise de governabilidade de grandes proporções. Como nas vezes anteriores, a imprensa vem estimulando o golpe e a desobediência civil. Mas o Brasil de 2015 é bem diferente do Brasil de 1964.

Da mesma forma que no início do levante franquista ninguém previa uma guerra civil tão sangrenta, ninguém tem autoridade para prever o que pode acontecer com o Brasil.

Uma coisa temos certeza. Como diz o historiador espanhol:

"De los que hemos actuado en política, ninguno está libre de culpa".

É melhor aprender com a história, do que fingir de morto e depois lamentar as chacinas, destruições de cidades e de milhares de vida.

Está na hora de os brasileiros e os paulistas aprenderem a suportar a democracia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário