terça-feira, 7 de abril de 2015

Quem governa o Brasil?

Cunha, Renan, Levy, Dilma, os banqueiros?

Hoje cedo ouvi um comentarista político falar que quem está mandando no Brasil é a dupla Cunha e Renan. Será? Outro jornalista diz que é Levy e Dilma. Será? Outros analistas acham que os banqueiros estão dando as cartas na economia e que Dilma está tolerando tudo em nome da necessidade dos ajustes fiscais e da manutenção da avaliação de risco do Brasil.

Enquanto as empresas internacionais (inidoneas) de análise de risco não definem se o Brasil vai ser rebaixado ou não, o Brasil vira uma casa de mãe Joana onde todo mundo manda e ninguém obedece...

O curioso é que, se em vez de cada um querer resolver sozinho, se constituísse uma mesa de negociação onde todos fossem ouvidos e se criasse um "consenso mínimo", provavelmente o clima do país estaria melhor.

Por que não se tenta? Levy só fala com os conservadores. O PMDB fala com os empresários e negocia sua pauta. Os juízes negociam benefícios corporativos. A Polícia Federal faz política partidária. E o povo sofre este clima de fim de festa. E a presidente Dilma?

Vejam esta matéria publicada no jornal Valor de hoje, com a opinião do presidente do Bradesco. Mesmo ponderando alguns problemas, considero a opinião de Trabuco, presidente do Bradesco, de alta relevância para o Brasil. Leiam e avaliem....

Ajuste é 'necessidade absoluta' , afirma presidente do Bradesco

Por Talita Moreira  - Valor – 07/04/2015

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, disse ontem que o país vive um "rito de passagem para resgatar a credibilidade da contabilidade pública". "O ajuste [fiscal] é necessidade absoluta, não existe plano B nem plano C", afirmou o executivo ao abrir um evento do banco com investidores em São Paulo. "O que existe é a necessidade imperiosa de que as finanças públicas possam ter a credibilidade para restaurar a confiança."

 Trabuco disse que a meta de superávit primário é factível. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, egresso do Bradesco, se comprometeu a gerar um superávit equivalente a 1,2% do PIB neste ano.

Na leitura de Trabuco, 2015 não será um ano para comemorar o crescimento do PIB, mas um período de "mudança de métodos" para enfrentar uma nova agenda no próximo ano. Segundo ele, é "muito salutar" que a presidente Dilma Rousseff tenha optado por um caminho que evita um prolongamento da crise econômica.

O presidente do Bradesco disse estar otimista com a aprovação das medidas de ajuste fiscal pelo Legislativo. "Nossa percepção é que o Congresso, independentemente de suas contradições, não vai virar as costas para a necessidade de apertarmos o passo", ressaltou.

Nas últimas semanas, Levy tem feito sucessivas visitas ao Congresso para explicar e defender itens do ajuste que dependem da aprovação dos parlamentares. Trabuco elogiou a "capacidade" da equipe econômica e destacou que o tripé de sustentação da política econômica "voltou". Com isso, vai ser possível, mais à frente, "dar uma derrubada nos juros", de forma a não onerar demais o Tesouro Nacional. O executivo não quis estimar um prazo para que o ciclo de aperto monetário comece a ser revertido.

O presidente do Bradesco destacou que o crédito no banco está aberto e avaliou que a economia brasileira tem boa velocidade de resposta. "Não existe nenhum constrangimento [no sentido] de reter e não operar no crédito."

Porém, ele também citou que um dos principais desafios do setor é encontrar "a velocidade adequada" de expansão dos financiamentos. "O crédito chegou a 56% do PIB e tem papel fundamental para desenvolvimento do país. Mas tudo a seu passo. Se a gente achar que, de uma hora para outra, crédito a 100% [do PIB] resolve nossos problemas, teremos outros problemas", afirmou.

Segundo Trabuco, o país terá de discutir e estruturar um novo formato para o crédito à infraestrutura. "Aquele modelo clássico de o Tesouro capitalizar um banco de fomento e ele ser o repassador vai ter de ser revisto obrigatoriamente", ressaltou. "Só que isso não se faz do dia para a noite, vai ter que ter processo de transição."

O presidente do Bradesco afirmou que os bancos privados têm "apetite e disposição" para aumentar o financiamento ao setor de infraestrutura. No entanto, observou, não poderão correr risco de funding, de prazo e de taxa de juros para oferecer condições parecidas com as que hoje são praticadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Eu estaria criando um problema para mim mesmo", disse.

Para Trabuco, a retomada da economia também passa pela reorganização do setor de óleo e gás. "Vai ter de consertar a turbina em voo”, afirmou.


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