domingo, 26 de abril de 2015

Decadência do Estadão

Mediocridade ou canalhice?

Quando peguei os jornais deste domingo no jardim de casa, mesmo sob o plástico que os protegem da chuva, deu para ver as manchetes. A do Estadão era: "Aliado de Dilma diz que PT exagerou no roubo". Em seguida diz que a declaração foi dada pelo presidente do PDT e ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

Mesmo que o entrevistado tenha declarado tamanha asneira, o jornal de domingo, o dia mais nobre dos jornais, não precisava colocar como manchete. A decadência do Estadão é pública e notória, inclusive com demissões de muitos jornalistas, mas, o direção da empresa jornalística precisa ter um mínimo de profissionalismo... Ganhou do fascismo da Veja.

Meu primeiro impulso foi cancelar a assinatura e deixar de ler o jornal. Nunca assinei e nunca li a Veja. O Estadão sempre respeitei, mesmo tendo minhas diferenças. Mas a direção atual do jornal está matando qualquer limite de tolerância. Depois de ler o jornal Folha de São Paulo, comecei a folhear o Estadão com medo de sujar meus dedos de sangue... Não consegui ler nada de quase todos os cadernos.  

No final apareceu o Caderno Aliás - "um outro olhar" como subtítulo. Realmente, parece que a direção do jornal ainda não colocou as patas sobre as páginas do Alias. Um outro jornal, um jornal que lembra os Mesquitas de antigamente. Conservadores, porém cultos e democratas... Até a manchete é emblemática: Trajetórias instáveis... Matérias sobre África com entrevista de Mia Couto; artigos de Sérgio Augusto, Lucia Guimaraes, belas fotos, mais artigos de Claudia Trevisan, Marcos Guterman e finalmente um ótimo artigo - como sempre - de Jamil Chade. Este caderno ganha do Estadão inteiro como também ganha da Folha inteira. Como deixar de ler o Caderno Aliás? Vou ter que começar a ler o jornal de trás para frente, como se faz com a escrita oriental.

Mas que o Estadão me dá uma tristeza imensa, isto eu não tenho dúvida. 
Será que é mediocridade dos novos donos ou será canalhice política?

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