sábado, 7 de março de 2015

Direita na Ditadura e na Democracia

Direita atual chama-se PSDB

50 cores de cinza é um nome de livro e de filme sobre sexo sadomasoquista, mas também pode ser usado para avaliar os 50 anos da história recente do Brasil.

A geração que lutou conta a Ditadura Militar, uma forma de governo onde os mandantes se escondiam atrás dos militares, agora sofre a perseguição da mesma direita, só que, agora esta direita aparece transvestida de Poder Judiciário, Liberdade de Imprensa e PSDB. No fundo, tudo igual, isto é, a elite paulista não aceita perder a hegemonia sobre o Brasil.

O golpe militar de 1964 foi um golpe de São Paulo contra o Brasil, que vivia sob a ameaça das Reformas de Base do governo João Goulart e também tinha o clima da guerra fria e da vitória de Fidel em Cuba. Foi fácil fazer o golpe de 64. Não teve sequer resistência. O Estado de São Paulo ficou muito mais rico do que já era antes de 64 e a oposição deixou de dar trabalho.

Com a redemocratização, o Brasil tentou ser o Brasil com o PMDB e mesmo com Collor, mas o empresariado paulista mais uma vez soube impor suas posições e, além de enquadrar Sarney, desmoralizou Collor e impôs FHC, como a fina flor da intelectualidade orgânica do neoliberalismo e do entreguismo. Burguesia nacional para quê? Basta ser elite nacional a serviço dos Estados Unidos. Mais fácil e mais chique. Mesmo falando francês.

Como nem tudo são flores, com a crise do Plano Real, veio Lula e seu governo de inclusão social sustentado pelo crescimento econômico e pelas exportações para a China. Lula efetivamente mudou o Brasil. Mas, insistiu em não ser subserviente aos paulistas do PSDB e companhia. Começou o governo fazendo de conta que era "um brasileiro cordial", como apareceu no filme de João Moreira Sales, mas, com o tempo foi mostrando as manguinhas de fora e precisou ser defenestrado.

Por teimosia, Lula indicou e elegeu Dilma Rousseff para presidentA do Brasil. A primeira mulher na nossa história a ser eleita presidente. Mas aí veio a crise internacional e Dilma não soube combinar a música, isto é, combinar crescimento baixo com diálogo com todos os setores da sociedade.

Ante a fragilidade de Dilma, a direita cresceu, tomou coragem e a expõe diariamente ao ridículo. Quando a direita tentou fazer isto com Lula em 2005, Lula percorreu o Brasil, dialogou diretamente com o povo e se reelegeu. Já Dilma, em vez de buscar sua base social, recolhe-se, facilitando os ataques da direita encabeçada pelo PSDB, a imprensa e o Judiciário.

Vejam que preciosidade de palavras estão na página 2 do primeiro caderno do Estadão de hoje (sábado), palavras do ex-ministro da Justiça de FHC, professor titular de direito na USP e assessor permanente do PSDB, Miguel Reale Junior:

"No próximo dia 15, a passeata dos indignados deve clamar por patriótica e ampla renúncia. Dilma não tem condições éticas e políticas para governar, carente de qualquer, carente de qualquer credibilidade pelo passado nefasto e por ausência de autoridade moral; é apenas a triste condutora de sua herança maldita com um séquito de ex-ministros investigados."

Nem os militares, no auge da ditadura, ousaram ser tão levianos...

Nenhum comentário:

Postar um comentário