sexta-feira, 27 de março de 2015

Conteúdo Local é corrupção?

Má fé, entreguismo ou inocência na Petrobras

Uma jornalista de um importante jornal como o Valor não é qualquer pessoa inexperiente. É um profissional com vivência e formação universitária.

No último dia 19 de março, o Valor publicou um longo artigo assinado por Claudia Schuffner, do Rio de Janeiro, com o título "Desconfiança do mercado sobre Renato Duque começou em 2003".

Um artigo cheio de informações interessantes, onde ficava evidente que, além da autora ter estudado o assunto, foi abastecida por alguém muito bem articulado com a Operação Lava Jato, mesmo em off.

No meio do artigo aparece uma frase que tanto poderia passar despercebida como também indicar um juízo de valor de alta importância para o Brasil e seus concorrentes internacionais.

Vejam a frase:

"A política de conteúdo local foi um grande impulso para o esquema de cartel que está sendo desvendado nas investigações da Operação Lava Jato que trouxe perdas literalmente incalculáveis para a Petrobras."

Algumas considerações:

1 - a frase reforça a ideia de que a criação do conteúdo local foi premeditada para corromper...

2 - a autora ou quem a induziu a afirmar isto ignora as centenas de milhares de empregos gerados, impostos recolhidos e benefícios em infraestrutura em todo território nacional;

3 - em nome do combate à corrupção, a autora prefere que as compras aconteçam na China, na Coreia ou no Japão, mesmo aumentando o desemprego no Brasil e caindo a arrecadação, além dos investimentos em infraestrurura;

4 - considerando-se ainda que a Petrobras é uma S/A, onde ficou a auditoria externa internacional? Onde estava a CVM? A Governança? A Receita Federal e tantos fiscais e promotores públicos? Por que se demorou tanto para descobrir que sempre houve corrupção na Petrobras?

5 - um jornal como o Valor não pode permitir ou publicar artigos com subterfúgios ou posições comprometedoras. Talvez a editoria não tenha percebido a delicadeza da afirmação no meio do artigo, mas, algum advogado ou político esperto pode usar o mesmo artigo para justificar o fim da indústria nacional e a dependência total aos países industrializados, como já acontece com nossa indústria automobilística. Dos grandes países, o Brasil é um dos poucos que não tem montadoras próprias. Coreia, China, Índia, Itália e França têm dezenas de marcas próprias. O Brasil tem umas vinte montadoras no país, todas elas estrangeiras.

É a síndrome do vira-lata.

Entre a má-fé, entreguismo e a inocência, eu prefiro pensar que a Cláudia escreveu apenas reproduzindo argumento do entrevistado (em off) sem perceber a relevância do tema, não acredito em má-fé.


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