domingo, 1 de fevereiro de 2015

Espanha, Grécia, USA – A Esperança se renova

A hora dos 99%?
Uma nova estrutura de Estado, Partido e Sociedade

Ontem, nos sites nacionais e internacionais, apareceram as fotos de milhares de manifestantes na Espanha marchando contra a austeridade neoliberal  conservadora. Hoje o Estadão não deu nada no jornal impresso e a Folha deu uma notinha envergonhada. A nossa direita não quer este tipo de manifestação no Brasil, nem no Governo. A nossa imprensa é neoliberal.

Contraditoriamente, mesmo sendo atualmente um jornal horrível de ler a parte sobre política nacional, o Estadão continua dando uma certa liberdade para os demais cadernos. O Caderno 2 é sempre melhor do que o Caderno 1, de política nacional. O Caderno “Aliás” é o melhor do que qualquer jornal que saia impresso nos domingos. O de hoje está ótimo, tanto nos artigos, como nas fotografias.

Vejam a matéria que saiu no site do Estadão de ontem e não saiu no jornal impresso de hoje, e vejam a introdução da ótima entrevista de DAVID GRAEBER, um dos idealizadores do Occupy Wall Street, nos Estados Unidos. A entrevista saiu no caderno "Aliás", deste domingo. Uma boa notícia para este Fevereiro esquisito, que começa hoje.

Dezenas de milhares marcham na Espanha contra a austeridade

JULIEN TOYER - REUTERS
31 Janeiro 2015 | 10h 46 – Estadão

Pessoas gritavam 'tic tac tic tac' durante manifestação em Madri, sugerindo que o tempo está acabando para a elite política do país

Dezenas de milhares marcharam em Madri neste sábado, 31, na maior demonstração de apoio ainda para o partido anti-austeridade Podemos, cuja popularidade e políticas têm levantado comparações com o partido Syriza, que acaba de vencer eleições na Grécia.
Pessoas gritavam "sim, nós podemos" e "tic tac tic tac", sugerindo o tempo está acabando para a elite política. Muitos agitavam bandeiras e banners gregos e republicanos lêem "a mudança é agora".

O Podemos foi formado há apenas um ano, mas produziu um grande choque ao ganhar cinco assentos nas eleições para o Parlamento Europeu, em maio. Atualmente está liderando as pesquisas de opinião na corrida para as eleições locais, regionais e nacionais neste ano.

A Espanha está saindo de uma crise econômica de sete anos como um dos países de mais rápido crescimento da zona do euro, mas a saída da recessão ainda tem de aliviar dificuldades para milhares de famílias, num país onde quase um em cada quatro trabalhadores está sem emprego.

O líder esquerdista grego Alexis Tsipras disse que cinco anos de austeridade "humilhação e sofrimento" impostos pelos credores internacionais acabaram, após seu partido Syriza vencer eleições antecipadas em 25 de janeiro.

A hora dos 99%?

Entrevista. David Graeber

Para um dos idealizadores do Occupy Wall Street, a vitória do Syriza pode marcar o início da reconstrução econômica europeia

A hora dos 99%?

Juliana Sayuri

31 Janeiro 2015 | 16h 00 - Estadão

Na mira. O premiê Alexis Tsipras é o novo alvo de críticas – negativas e construtivas

Era setembro de 2011 quando o antropólogo americano David Graeber se tornou a primeira voz a bradar “we are the 99%”. De lá pra cá, o grito de guerra repercutiu mundo afora, de Nova York a Madrid, de Reykjavik a Atenas. Autor de The Utopia of Rules (2015) e The Democracy Project (2013), entre outros, Graeber, de 53 anos, foi uma das principais inspirações teóricas para o Occupy Wall Street, movimento que conquistou páginas e mais páginas de uma história do tempo presente marcada, desde 2008, por uma crise financeira internacional.

Atualmente professor da prestigiada London School of Economics, o intelectual provocador se considera um anarquista: “Não há esperança no sistema político. Não é nada mais que um sistema de suborno institucionalizado”, critica. 

Era janeiro de 2015 quando o líder opositor grego Alexis Tsipras, de 40 anos, se tornou o primeiro governante europeu eleito com a promessa de peitar as políticas de austeridade predominantes. Se uns tremeram com a vitória da extrema esquerda na Grécia, outros vibraram com a conquista olímpica.

“Em última instância, o plano do Syriza não é simplesmente amortizar a dívida, mas iniciar um processo de reconstrução da arquitetura econômica da própria UE”, analisa o antropólogo. 

Para Graeber, porém, não é possível promover mudanças por “dentro” do sistema. Pergunto se é possível mudar o mundo sem tomar o poder, uma questão “surrealista”, na expressão do ativista, que responde com outra interrogação: “Você realmente quer dizer que, se não tivéssemos ignorado o rumo da política tradicional, se não tivessem existido Occupy e Syntagma, esses novos movimentos eleitorais viriam a existir?”

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