sábado, 14 de fevereiro de 2015

Eduardo Cunha vai acabar com o Carnaval?

Festa libidinosa contraria Evangélicos

Como todos sabem, o novo presidente do Congresso Nacional, além de conservador, apoiador de Aécio e de oposição ao governo Dilma e ao PT, ele é assumidamente Evangélico e foi eleito prioritariamente com os votos dos Evangélicos. 

Durante esta semana o jornal O Estado de São Paulo publicou uma página inteira louvando os dotes de Eduardo Cunha, principalmente seu combate aos homossexuais e ao aborto, além das questões políticas. O Estadão, sob nova direção, além de assumir o neoliberalismo econômico, também está assumindo o oportunismo e o cinismo do “vale tudo”. 

Hoje eu tinha acordado pensando na manchete do dia:

- E se Eduardo Cunha usar dos seus poderes congressuais e resolver acabar com o Carnaval brasileiro, por ser libidinoso, estimular a promiscuidade sexual, a nudez e o risco da AIDS?  Seria possível tanta loucura? Claro que seria! Eduardo Cunha se acha ungido por Deus e pelas Igrejas Evangélicas para “restabelecer a moralidade no Brasil e acabar com a ameaça comunista, representada pelo PT.”

Quando fui olhar os jornais, surpreendi-me com várias matérias na Folha de S.Paulo, incluindo o Editorial, chamando atenção quanto aos delírios bonapartistas de Eduardo Cunha. Em vez de escrever o texto sobre o que seria os argumentos de Eduardo Cunha para acabar com esta festa promíscua chamada Carnaval, resolvi reproduzir o Editorial da Folha. Nem tudo está perdido... 
Leiam o bom Editorial da Folha neste sábado de Carnaval.

O galo canta
Embalado pela vitória na disputa pela presidência da Câmara, Eduardo Cunha avança o sinal e impõe pauta ultraconservadora
Obtida graças a uma superior habilidade para a articulação política e à notória incompetência do governo Dilma Rousseff (PT) nesse campo, a vitória na eleição para a presidência da Câmara parece ter subido à cabeça do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
A julgar por suas mais recentes declarações, tudo se passa como se os 267 votos que recebeu de seus colegas equivalessem às dezenas de milhões que teria de conseguir junto ao eleitorado brasileiro para se tornar presidente da República.
Em tese, os votos concedidos a Cunha pela maioria dos deputados têm precisamente o sentido de legitimá-lo como representante máximo de um Poder autônomo, cuja capacidade de se contrapor ao Executivo é garantia imprescindível para o equilíbrio republicano.
Todavia, o novo comandante da Câmara avança o sinal. Não se comporta como o orquestrador das tendências vigentes no plenário, mas parte para uma carreira solo.
Já adiantou, a respeito das deliberações da Casa, o que quer e o que não quer, o que aceita e o que recusa, o que será admitido ou não por sua vontade individual, mesmo que a vaca (para recorrer à imagem da moda) tussa ou deixe de tossir.
Ocorre que a famigerada vaca não é tão metafórica assim. Em qualquer votação do Legislativo está em jogo, a rigor, a vontade da maioria do povo brasileiro.
O presidente da Câmara decreta, contudo, que projetos que tratem da legalização do aborto, por exemplo, só entrarão em pauta se passarem por cima de seu cadáver --expressão usada em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo". O tema não merece discussão republicana, em especial se for para realizar uma consulta popular?
Não na sua ótica, que privilegia a ridícula proposta (de sua autoria) de criar o "Dia do Orgulho Heterossexual". Cunha entende que a vasta maioria da população sofre, ou corre risco de sofrer, discriminação por não ser gay.
O deputado, como se sabe, é evangélico. Há cerca de 80 de seus colegas com semelhantes convicções. A força dessa bancada supera sua representação numérica.
Agindo como porta-voz desse grupo, Cunha alcança vários objetivos ao mesmo tempo. Beneficiado pelo voto fisiológico do "baixo clero", o novo presidente da Câmara "ideologiza" seu papel justamente nas questões que dizem respeito ao foro íntimo dos cidadãos.
Assim Cunha amplia seu poder de barganha diante do governo, que mal e mal ainda não se rende ao conservadorismo religioso. Surge, ademais, como líder nacional, em posto de destaque numa conjuntura em que os principais partidos naufragam no descrédito.
Para insistir nas metáforas rurais, Cunha canta de galo. Resta saber se resiste à "tosse da vaca", ou aos riscos de denúncia em alguma operação da Polícia Federal.

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