segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O velho Estadão faz 140 anos

E continua melhor do que o "novo Estadão"

Com quatro cadernos e 72 páginas, o Estadão deste domingo comemorou seus 140 anos de existência. Realmente um passado glorioso e histórico! Pena que o jornal tenha perdido sua principal qualidade: o de ser representante do empresariado paulista sem ser neoliberal e cínico.

Talvez por falta de dinheiro, o velho Estadão tem mantido as aparências do velho e bom jornal, mas tem assumido um lado cínico e provocador típico dos tucanos intelectuais que escrevem tanto na parte de política. Sou assinante e todos os dias fico olhando o jornal e pensando em cancelar a assinatura. No entanto, sempre que folheio os cadernos de Economia, o setor internacional e o Caderno 2, chego a conclusão que boa parte do jornal ainda não está contaminada.

Quanto aos quatro cadernos comemorativos, o melhor artigo ficou no terceiro caderno, lá no meio de outras matérias. Quase que não a vejo.

Na página H60, depois de várias fotos e pequenos textos, aparece um título:

"O duplo olhar de um correspondente"- um ótimo artigo do lendário GILLES LAPOUGE. Um texto histórico e que bem representa a vida do jornal e do Brasil.

No entanto, no geral, os quatro cadernos são muito interessantes. Inclusive quando fala que o jornal apoiou o gole militar de 1964 mas se refez rapidamente. Fatos como estes só valorizam o passado do jornal.

Quanto ao presente, parece que o jornal está à venda. Tomara que apareça um grupo internacional de qualidade para comprar, fortalecendo a diversidade da imprensa brasileira. Este monopólio neoliberal e cínico está matando a nossa tênue democracia.

Parece que o Banco Itaú é o maior credor do jornal.
Talvez a família Bracher pudesse ajudar a encontrar um bom comprador.

E por falar no bom e velho Estadão, e da qualidade do Caderno 2, leiam longa reportagem sobre o filme LEVIATÃ. Vale tanto como crítica ao Estado moderno, como crítica à imprensa manipuladora. No filme, o único setor que não foi representado criticamente foi a imprensa, justamente por que naqueles rincões não existe jornal, embora já exista celulares e internet.

Por enquanto, vou mantendo minha assinatura e mantendo meus elogios ao passado do família Mesquita e seu glorioso Estadão. O Brasil agradece e reconhece a grande contribuição.

Nenhum comentário:

Postar um comentário