segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Grécia sinaliza novas esperanças

É preciso repensar os Estados e os Partidos Políticos

É comum ouvirmos falar em "envelhecimento de uma marca ou de um produto", mas não é comum ouvirmos falar em "envelhecimento de um sistema". O sistema político republicano, capitalista, oriundo da Revolução Francesa e do capitalismo industrial inglês está velho e não tem mais legitimidade para governar com eficácia e agilidade.

O Capitalismo Financeiro requer uma sociedade protegida por um sistema de representação melhor e mais ágil contra os abusos dos especuladores financeiros. Os governos, e por tabela, os partidos políticos, estão subordinados aos interesses internacionais do capitalismo financeiro e perderam sua capacidade de colocar os interesses do povo em primeiro lugar.

Em 2008 os Estados Unidos e a Europa foram abalados pela maior crise depois de 1929, levando o mundo ao desemprego e ao arrocho salarial, além de muitas falências e crises econômicas na agricultura e no comércio.

Os Estados Unidos estão se recuperando primeiro lugar, antes outros países porque, além de ser o maior mercado consumidor do mundo, tem o poder de imprimir dolar e definir taxa de juros conforme seu interesse e assim transferir inflação para os outros países, facilitando a sua retomada do crescimento. Enquanto isto, a Europa patina e o povo europeu sofre.

A Grécia está vivendo com uma crise econômica imensa e 25% de desempregados, sendo que na juventude, o desemprego chega a mais de 50%. É uma calamidade pública! Mas os bancos e a Comunidade Europeia estão mais interessados nos ajustes econômicos do que na qualidade de vida do povo grego.

Só que na Grécia, regularmente, tem eleições. E o povo foi testando os partidos e seus candidatos. Votou nos socialistas, não melhorou; votou na direita, piorou e agora votou na esquerda mais ousada do que os socialistas. Quem sabe agora o povo seja mais respeitado!

Na Espanha houve o mesmo processo. Derrotaram os socialistas e elegeram a direita. A situação que era caótica melhorou, mas o desemprego continua grande. Tudo indica que o povo espanhol vai votar na esquerda, mais a esquerda do que os socialistas do PSOE. Quem sabe assim a Espanha ponha limites na ganância do sistema financeiro internacional.

A Europa tem a vantagem de ter o Parlamentarismo, em vez do Presidencialismo. Assim, fica mais fácil de trocar governos que não dão certo. Mas não tem sido suficiente. Quem sabe não esteja na hora de se repensar o sistema de governo e a lógica partidária. Em vez da forma atual de se governar, delegando muito poder aos governos e aos partidos, por que não avançar para uma forma de representação e de governo formada através de Conselhos Participativos?

Se analisarmos o Brasil, a conclusão é muito pior do que a Europa.
Aqui, nem parlamentarismo temos. Quanto mais democracia participativa.
Aqui, cada poder quer mandar mais do que o outro. Seja ele Executivo, Legislativo ou Judiciário. E o povo que se dane!

A Grécia, além de discutir sua crise econômica,
bem que poderia discutir também uma nova forma de Democracia.
Se isto acontecer, poderemos afirmar que renovam-se as esperanças…

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