terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Aprendendo na Escola e na Vida

FGV também ensinava Movimento Sindical

Ainda durante a ditadura militar no Brasil, em pleno anos 70, quando ainda se prendia e matava no Brasil, durante o curso de Administração de Empresas na FGV-SP, tínhamos aulas de matérias optativas com professores mais progressistas como Edgard Carone e Maurício Tragtenberg, além de, no final do curso, com Olgária Matos entre outros.

Um dos livros recomendados pelo professor Edgar Carone foi "Movimento Operário no Brasil" (1877 - 1944) de sua autoria. Como vocês veem pelo título, incluía desde o final do século XIX até o ano de 1944, depois do Estado Novo varguista. Evidentemente que há muitos outros livros sobre o Movimento Operário e Sindical brasileiro, mas, o fato de uma escola de ricos como a FGV-SP também ensinar sobre o operariado mostra que os empresários, mesmo sendo beneficiados com a ditadura militar, também se preocupavam em conhecer a história dos trabalhadores.

Da mesma forma que com o fim do Estado Novo, a ditadura varguista, e o fim da segunda guerra mundial, o movimento sindical voltou a crescer no Brasil, com a fragilização da ditadura militar nos anos 70, também os trabalhadores voltaram a reconquistar seus sindicatos e a fazer greves.

Talvez as escolas brasileiras já não ensinem sobre o movimento operário e sindical, mas este movimento já é parte relevante do período recente. Foi de seu meio que surgiu o presidente da república melhor avaliado da nossa história e também surgiu a primeira central sindical da história nacional.

Está na hora de aprender mais com a vida e voltar a ensinar a versão dos trabalhadores e dos movimentos sociais nas escolas brasileira. Esta predominância neoliberal no ensino nacional é muito empobrecedor. O mundo é plural, e o ensino também precisa ser.


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