quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A Ética protestante e a Ética evangélica

O "Espírito" do Capitalismo e as Igrejas conservadoras atuais

Recuperar Max Weber para tentar entender o porquê do crescimento das igrejas pentecostais, ou evangélicas atuais, é muito importante, embora entender o protestantismo do início do capitalismo não seja condição suficiente para se entender as igrejas conservadores atuais.

"A ética protestante e o espírito do capitalismo procura compreender um fenômeno observado na passagem do século XIX para o XX: o maior desenvolvimento capitalista dos países de confissão protestante e a maior proporção de protestantes entre os proprietários do capital, empresários e integrantes das camadas superiores de mão-de-obra qualificada.

Max Weber procurou responder a essa questão articulando conceitos da então nascente sociologia alemã com a velha teologia protestante, para que o capitalismo fosse compreendido não em termos estritamente econômicos e materiais, como um modo de produção, mas como um espírito, isto é, uma cultura, uma conduta de vida cujos fundamentos morais e simbólicos estão enraizados na tradição religiosa dos povos de tradição protestante puritana."

Curiosamente, a América Latina, que era católica, está ficando evangélica. O Sul dos Estados Unidos está sendo invadido por igrejas latinas e hispânicas, todas evangélicas com rituais latinos. A África também está sendo invadida pelos evangélicos e mesmo a Europa, talvez com o aumento do desemprego e a crise de 2008, também está servindo de celeiro para os evangélicos.

Mais importante ainda é procurar entender por que o mundo está se polarizando entre o muçulmano e o mundo evangélico conservadores. A novidade é o fato de que a Igreja Católica, que vinha de forte atuação conservadora, com o novo papa Francisco começa a dar passos significativos para o centro social, isto é, contendo os conservadores e recuperando parte da ação social progressista como forma de conter o crescimento dos evangélicos.

Um comentário:

  1. A "ética protestante" de Weber é um elogio da acumulação. A prosperidade seria sinal da preferência divina, numa teologia da predestinação - mas só se acompanhada de uma vida frugal. Simplifico muito, é claro.
    As igrejas neopentecostais fazem o elogio do consumo. A graça divina se manifestaria ainda na prosperidade, mas essa deve ser ostentatada, até como testemunho.
    (por isso os fiés não se escandalizam quando a riqueza do pastor é exposta na mídia - ao contrário, isso comprova que ele é um "escolhido")
    As duas teologias/ideologias parecem bem adequadas a fases diferentes do capitalismo. Talvez essa seja uma das causas do sucesso da Reforma e do neopentacostalismo?

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