quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

2015 - Um ano para não ser esquecido

Alguns motivos:

1 - Com a escolha errada para o Ministério da Fazenda, o governo Dilma ajudou a fazer de 2015 um mau ano para nossa história;

2 - Com os erros iniciais do segundo mandato de Dilma, a direita brasileira perdeu o medo e o pudor, saindo do armário e mostrando seu lado fascista e preconceituoso;

3 - As ruas, que até então eram monopolizadas pelos progressistas e pelas esquerdas, passou a ser ocupada pela direita organizada, mobilizada e convocada pela imprensa nacional;

4 - O Congresso Nacional, que até então mantinha uma aparência de seriedade, perdeu também o pudor e passou a ser dirigido pelo simbolo maior do "vale tudo" nacional: Eduardo Cunha. A imprensa o elegeu como herói nacional;

5 - O Judiciário, que até então ainda não tinha entrado na política, tomou partido abertamente, acusando e prendendo somente àqueles que eram identificados como "amigos de Lula"; Políticos do PSDB são deliberadamente "não vistos" ou "não relevantes nas listas de recebedores de dinheiro";

6 - Nunca na história deste país, a imprensa manipulou tanto a verdade e os fatos. Nem em 1964 a imprensa foi tão golpista. é só fazer a retrospectiva das capas dos jornais e revistas;

7 - Tudo isto alimentado por um Pacote Fiscal suicida que arrochava salário, aumentava a inflação, aumentava a taxa de juros, causava desemprego e as empresas entraram em crise. Tudo em vão;

8 - O desemprego e a crise jogaram a imagem do governo na lona. O governo, ao perceber a incapacidade do ministro da Fazenda dar resultados positivos, começou a por limites na economia. Fechando o ano com um bom reajuste de salário mínimo;

9 - A direita tentou o impeachment de todas as formas e, quando achava que estava fácil, foi pega com seu porta-voz sendo acusado de ter dinheiro na Suíça, além de ser um manipulador grosseiro. Eduardo Cunha também passou a ser visto como corrupto, manipulador e mentiroso. O povo não perdoa...

10 - O STF retoma o papel de palavra final e julga com maestria o processo de impeachment aberto pelos golpistas da Câmara Federal, dando aula de ética, de comportamento e de justiça. A dignidade nacional começa a ser restabelecida;

11 - Os movimentos sociais e sindicais resistiram como puderam. Foram às ruas defender um governo que não ajudava muito e, aos poucos, foi retomando a capacidade de mobilização. Fechando o ano de 2015 com grandes manifestações em todo o Brasil. O impeachment começou a fazer água;

12 - O Brasil, cansado de tudo e de todos, começa a concluir o ano de 2015, tendo a impressão que não vai ter golpe, a mudança do ministro da Fazenda recupera a esperança de que os improvisos econômicos acabarão, o governo paga as pedaladas vencidas, aumenta o salário mínimo e o povo passa um Ano Novo com mais esperança e exigindo mais humildade por parte de todos os representantes sociais, incluindo aí os políticos, a imprensa, os juízes, a PF, os sindicalistas, o movimento social e do próprio governo.

2016 será bem melhor do que 2015. 
Mas 2015 jamais deverá ser esquecido. O brasileiro cordial virou passado. Agora todos reconhecemos que aqui também tem luta de classe, tem conflitos sociais e tem a necessidade de aprender a conviver com as diferenças. Cidadania é plural. Democracia também é plural. 

Os pobres passaram a ser Classe Média e não aceitarão voltar a ser pobres e excluídos. Seja em governo de esquerda ou em governo de direita.

Que venha 2016!

domingo, 27 de dezembro de 2015

Último domingo do ano

Imprensa, Democracia e Violência

O clima de ódio que tomou conta do Brasil nos últimos tempos tem uma boa contribuição da imprensa. O Brasil vivia com medo da ditadura militar, conquistamos a Democracia e a Liberdade com eleições gerais, liberdade de expressão e partidária. Parecia que teríamos um período de "leite e mel"...

Com a democracia, veio a inflação e a discórdia, veia a disputa de projetos e de valores. As verdades deixaram de ser absolutas e passaram a ser relativas. Aparentemente, tudo passou a ser permitido e nada podia ser proibido. As drogas, que animavam os jovens na luta contra as guerras e as ditaduras, passaram a ser controladas por traficantes, acabando com o romantismo e a inocência.

A Democracia começou a dar sinais de fragilidade e a deixar o povo indefeso. A Justiça perdeu a neutralidade propagada, os partidos se contaminaram com o poder e as facilidades, os empresários passaram a achar mais fácil fazer negócios com os políticos do que competir no mercado internacional e o mundo acadêmico, perplexo, perdeu seu discurso e suas bandeiras. Para onde estamos indo? Até agora, ninguém sabe...

Neste último domingo do ano, pensei que os jornais apresentariam grandes análises sobre o quê está acontecendo no Brasil e no mundo. Não sei porque, não aconteceu. A Folha veio meia-boca, enxutinha, burocrática, só para dizer que veio... O Estadão veio maior, mais jornal, mesmo conservando sua pobreza política nacional. O quê salva o Estadão, como sempre, são os cadernos 2, com uma ótima reportagem sobre os Beatles e com um título muito sugestivo: "História sem fim" e o Caderno Aliás.

O Caderno ALIÁS honra a tradição secular de um jornal que não merece mais a herança que tem. O Caderno Aliás está ótimo! Todo mundo deve ler. Ilustrado por Jaguar. Isto mesmo, o velho Jaguar do Pasquim! E textos de Sergio Rodrigues, Lee Siegel, Jurandir Freire Costa, Lúcia Guimarães, Kenneth Serbin, Luiz Felipe Alencastro, Sergio Augusto, Ellen R. Stofan, Renato Janine Riberito, José de Souza Martins, Hilário Franco Junior, José Castello e Juan Pablo Villalobos. Artigos livres e sem manipulação. Sem censura como nos velhos tempos em que os Mesquitas enfrentavam ditadores...

Parece mentira, quem fica com raiva do caderno de política do Estadão e cancela a assinatura ou não ler o jornal, não tem acesso a bons artigos como os publicados no Caderno 2 e no Aliás. A luz vence às trevas. Tanto na vida, como nos jornais... Nem sempre o jornal mais rico faz o melhor jornal. E mesmo o pessoal da política achando-se poderoso, o poder real do Estadão está no Caderno 2 e no Aliás.

Que nos próximos domingos de 2016, a Democracia sempre vença a Violência.
Parabéns ao pessoal que resiste no Estadão. Um povo culto é um povo livre. O Estadão sempre defendeu a cultura e a diversidade.

Por falar em cultura, se tiverem tempo, comprem a edição da Odisseia de Homero, publicada pela editora Cosacnaify. Mais uma das boas coisas no Brasil que estão ameaças pela crise e pela nossa ignorância... A Editora vai fechar, mas a edição é histórica e servirá como alimento sagrado do saber.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Natal para si e para todos

Um bom abraço para todos

Quando era pequeno, o Natal era uma festa familiar e religiosa... Hoje em dia o Natal virou o momento de maior consumo do ano. Em vez de dar abraços e afetos, as pessoas dão presentes, gastam dinheiro, mesmo que não tenham...

Até por solidariedade, procuro fazer com que nosso Natal seja um pouco o Natal familiar e religioso, com o Natal de presentes. Poucos e simbólicos presentes. 

É o eterno dilema entre o individual e o coletivo. Qual é o ponto de equilíbrio? Creio que varie de pessoa para pessoa. Reconheço que vivemos numa sociedade de consumo, mas gosto mais da sociedade solidária e fraterna. Sem dogmas e preconceitos. Sem excessos...

Por isto que, para melhor lembrar do Natal solidário, mostro nossas flores do pé de Lágrimas de Cristo. Elas nascem verdes, ficam brancas, com pequenas flores vermelhas por dentro e depois vão secando, secando, até chegar o frio e as flores e folhas caírem, ficando apenas cipós. Para depois renascerem. Belas e coloridas...

Cristo deve renascer diariamente em nossos corações e nossas mentes. Não apenas no Natal. Mas, todos os dias...


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Alegria e Tristeza com a Chuva

Tem chovido todo dia em São Paulo

Há anos temos rezado para chover em abundância para encher o reservatório da Cantareira e assim o povo de São Paulo voltar a ter água 24 horas por dia. Para os ricos isto é o óbvio. Para os pobres nos bairros da periferia é uma triste realidade.

De tanto rezar, Deus tem mandado chuva todos os dias, principalmente no final da tarde quando o povo precisa ir para casa. Dependendo do bairro, é um Deus nos acuda.

Nós moramos na Vila Madalena.
Pronto! Qualquer chuvinha aqui vira tempestade, por ser uma região cheia de morros, a chuva desce em alta velocidade e volume, levando tudo que encontra pela frente: árvores, carros e até pessoas... Sem contar que sempre que chove, também acaba a energia elétrica.

Mesmo assim, comemoramos que depois de vários anos, o Cantareira parece que vai sair do Volume Morto. Morte e Vida, Severina!

Mas nesta manhã de terça-feira, quando vi as fotos dos automóveis acumulados uns sobre os outros na Rua Harmonia fiquei muito triste. A rua Harmonia é onde compro pão todo dia. Ontem, quando cheguei para comprar o pão já era mais de oito horas da noite e a água já tinha baixado. Como compro na parte alta da rua, não deu para ver os carros lá na parte de baixo da Harmonia...

Não sei não, fui várias vezes na Holanda e nunca vi enchentes por lá. Aqui no Brasil tem enchentes todos os anos em todas as regiões do país. Bem que os brasileiros podiam aprender com os holandeses como fazer canais urbanos e sistema de controle do fluxo das águas... Mas o Brasil demora para aprender as coisas do mundo.

Enquanto não aprendemos com os holandeses, vamos esperar para ver os estragos da chuva do final da tarde desta terça-feria. Sei que o bicho pegou lá para os lados do Ipiranga. E lá tinha o tal do riacho do Ipiranga onde dizem que D. Pedro deu o "Grito do Ipiranga, isto é, o Grito da Independência". Hoje um motorista teve que amarrar seu automóvel num grande caminhão para não ser arrastado. Ainda bem que ele gritou pedindo ajuda.

Viu o que dá não aprender com os holandeses?

sábado, 19 de dezembro de 2015

Balanço da Semana: Porque hoje é sábado!

Brasil ainda tem jeito

Tivemos uma semana com muito trabalho, muitos desafios e boas surpresas.
Ficamos com a sensação de que o golpe não passará; de que o Judiciário no STF voltou a funcionar com dignidade; o Congresso Nacional passou a ter que ouvir à sociedade e o judiciário; os movimentos sociais mostraram capacidade de resistência; os intelectuais também se manifestaram contra o golpe. E até a imprensa teve que desdizer-se e apresentar números decentes, obrigando a própria PM de Alckmin a dizer que 3 mil pessoas na Paulista não era verdade, que a verdade era muito maior. Até a presidente Dilma aproximou-se mais do povo, dos trabalhadores, dos empresários, dos jovens, dos índios e das mulheres...

Três fatos foram bem marcantes, positivamente:

1 - O povo na rua dizendo não ao golpe;
2 - O jeito civilizado e cidadão do STF decidir contra os abusos de Eduardo Cunha;
3 - A saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda e a sua substituição por Nelson Barbosa.

Tivemos ainda alguns fatos que com o tempo merecem mais explicações:

1 - Porque o banqueiro André Esteves foi libertado, mas o bancário João Vaccari continua preso?
2 - Porque alguns parlamentares são detidos por suspeita de propinas e outros continuam gozando das atribuições de seus relevantes cargos na Câmara e no Senado? São dois pesos e duas medidas?
3 - Porque alguns grandes empresários uniram-se aos trabalhadores na defesa da produção e dos empregos, enquanto o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, priorizou fazer campanha pelo golpe do impeachment:? A Fiesp virou aparelho partidário do PMDB de Skaf e Temer?

Estamos entrando na semana de Natal, 
e depois na semana de Ano Novo. 
Poderemos viver uma trégua na guerra suja que vivenciamos neste ano de 2015, onde as instituições foram tripudiadas e as verdades passaram a virar versões desqualificadas, ou poderemos começar uma nova fase de entendimento e respeito às instituições.

O Brasil é maior que a crise.
Nós somos maior que a crise.
O Brasil merece um Natal e Ano Novo mais fraterno.
Nós merecemos um país mais democrático, mais transparente,
mais honesto, mais trabalhador e mais solidário.

Tudo indica que 2016 não será igual a 1964.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

BTG: Demissões e Desmanche

Demissões expressivas de pessoal?

Cada dia que olhos os jornais, fico mais assustado com do desmanche das empresas brasileiras. Além do desmanche da Petrobras e suas prestadoras de serviços, agora até os bancos começam a ser afetados. O Brasil passa por uma grande operação de recomposição política e econômica. Uma verdadeira guerra não declarada. Além dos prejuízos que qualquer guerra trás, esta guerra ataca somente as operações que comprometem os governos de Dilma e de Lula, preservando o PSDB e seus aliados. Apesar da parcialidade, o Brasil está vivendo a maior operação contra a corrupção já vista.

No caso dos bancos, temos como principal vítima desta guerra, o BTG, de André Esteves. Ao envolver-se com operações comprometedoras e até ilegais, o jovem banqueiro, além de destruir sua vida e de sua família, comprometeu profundamente o seu banco, o BTG.

Todos os dias o BTG está nas capas do jornais. E os jornais têm priorizado o desmonte da imagem pública de André Esteves. Como já fizeram com Eike Batista.

Hoje, o jornal Valor, divulga na capa:

"Em delação, Cerveró cita Color e DVBR, de Esteves"

Mesmo o jornal dizendo que André Esteves comprou a rede de postos de gasolina em Brasília, através da DVBR, sua empresa e sem ligação jurídica com o BTG, no corpo da matéria, diz que, para Cerveró, o conjunto das empresas de André Esteves era usado para fazer negociatas...

Já no caderno Finanças do mesmo jornal Valor, na contra capa, há meia páginas de noticias ruins sobre o banco e sobre André Esteves.

Por exemplo: 

"Há uma expectativa de que em breve o banco comece a fazer cortes expressivos de pessoal, já que seus negócios têm encolhido desde a prisão de Esteves e ficarão ainda menores conforme vende ativos para fazer caixa."

Já o titulo da página é: "Sócios e associados do BTG ficarão sem bônus".
Os famosos bônus milionários que os gestores dos bancos recebem todos os anos. Lembram da crise de 2008 com os banqueiros americanos? A crise fica para os clientes e sócios indefesos...

Outra matéria:
"A varejista carioca Leader, controlada pelo BTG, passou os últimos dias renegociando uma dívida de R$ 310 milhões que venceu no último sábado."

A terceira matéria:
"Na sexta-feira, a CVM negou pedido do BTG para recomprar 41% de suas units em circulação na bolsa (free float) e manter os papeis em tesouraria."

Porque o Banco Central não decreta intervenção no BTG?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Eduardo Cunha desmoraliza o PSDB

Diz-me com quem andas...

Na redemocratização do Brasil, após a posse de Sarney em 1985, os paulistas viveram uma disputa política que influenciou o Brasil:

- Existiam os progressistas, liderados pelo PSDB e pelo PT; os conservadores, liderados por Paulo Maluf e o PFL/DEM; e os centristas liderados PMDB. Os demais partidos acompanhavam estes maiores.

- Na medida que o PT foi crescendo e consolidando-se como alternativa de governo, o PSDB foi aliando-se aos conservadores e centristas, provocando a redução de tamanho dos partidos conservadores como o PFL/DEM e também a redução do PMDB - que passou a ser um partido que em determinado lugar ficava com o PSDB e em outro lugar ficava com o PT. Perdendo assim sua identidade governante.

- Com o PSDB centralizando a direita brasileira e o PT aliando-se com partes significativas do PMDB, dos Evangélicos e até do malufismo, o Brasil ficou sem representantes progressistas de peso. É como se no Brasil só existisse direita e centro. A esquerda ficaria com o PSOL. Mas o PSOL não cresceu como se esperava, abrindo espaço para Marina e sua Rede de apoio ao PSDB. Portanto, sem ser de esquerda, apenas camuflada como ambientalista neoliberal.

- Cansado de ser oposição federal, o PSDB decidiu partir para o Golpe - seja que tipo de golpe for - o importante é derrubar o PT. Aí o PSDB partiu para o vale tudo, virando um partido de direita neoliberal assumida. Perdendo o pudor. O maior exemplo desta perda de pudor foi a aliança com Eduardo Cunha e seus aliados nos partidos conservadores. Que agora são dezenas... Já que agora o Brasil tem 35 partidos políticos. Virou um grande balcão de negócios...

E o PSDB até aceitou ser subordinado ao PMDB, desde que o PMDB também apoie o golpe contra Dilma e o PT. Isto é, sem votos suficiente para ganhar uma eleição presidencial, o PSDB e o PMDB podem ganhar a presidência pelo golpe do impeachment. Passando de partidos progressistas e centristas para partidos de golpistas...

E elegeram Eduardo Cunha, como o operador-chefe dos golpistas.
Só que, de tanto se sentir poderoso, Cunha achou que poderia mentir e esconder seu passado... A direita nacional achou que poderia controlar Cunha e seus aliados. A própria Igreja Católica achou que poderia fazer uma aliança com Cunha e seus evangélicos do vale tudo pelo poder e pelo dinheiro. A imprensa transformou Cunha naquele que podia derrotar o PT. Mesmo que fosse abusando da legalidade e da legitimidade. É como se Cunha fosse o Franco da velha Espanha pré Guerra Civil.

Mas o povo Brasileiro, a nova e a velha Classe Média, começou a perceber que algo estava errado. Que, em vez de se combater a corrupção, o PSDB e seus aliados, estavam colocando a luta contra o PT acima da luta contra a corrupção. Era como se tudo fosse uma briga entre bandidos. E o povo honesto estava sendo usado como bucha de canhão. E quando chamaram o povo para respaldar um dos lados, o povo não compareceu. Para esta direita golpista, sem o povo, só resta o tapetão...

Esta semana pode definir o futuro do Brasil.
Serão os políticos que definirão nosso futuro?
Não. Eles não estão à altura desta missão.

Quem pode definir o futuro do Brasil é o Poder Judiciário.
Os juízes ainda representam o pouco de esperança em nosso Brasil.
Mesmo cometendo alguns erros, os juízes estão errando bem menos do que os políticos.

Dia 16 teremos dois fatos relevantes:

1 - O Judiciário definirá o rito processual do julgamento e da procedência do impeachment;

2 - O povo irá às ruas contra o impeachment, contra o golpe, contra Eduardo Cunha e, principalmente, contra a política econômica recessiva de Joaquim Levy, ministro da Fazenda.

Se o Judiciário der mais uma oportunidade a presidente Dilma e se o povo for às ruas em número maior do que a direita foi neste domingo passado, a presidente fica na obrigação de pressionar para tirar Eduardo Cunha da presidência da Câmara Federal - mesmo que seja mais uma vez pelo Judiciário -  e a presidente Dilma também fica com a obrigação de trocar este ministro da Fazenda, neoliberal e incompetente. Mesmo com carta branca, Levy não conseguiu resolver os desafios econômicos. Pelo contrário, jogou o Brasil numa brutal recessão, causando desemprego e paralisando a economia.

Já que não podemos contar com os políticos, 
Vamos contar com o Judiciário
e com o Povo nas Ruas no dia 16 de Dezembro.

O Brasil não precisa de golpe, de impeachment e de fascistas,
O Brasil precisa de mais Democracia, 
mais respeito às regras democráticas,
e, principalmente, mais respeito ao Povo e ao Judiciário.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Frank Sinatra e Luiz Gonzaga no Brasil

O quê eles têm em comum?

Hoje Frank Sinatra faria 100 anos de idade. Dia do seu aniversário.
Amanhã, dia 13 de dezembro, Luiz Gonzaga também estaria fazendo aniversário.

Frank Sinatra marcou o mundo e Luiz Gonzaga marcou o Brasil. 

Hoje ouvi no programa Vira e Mexe da Rádio USP as notícias e as músicas de Luiz Gonzaga.
Há vários dias venho ouvindo as músicas de Sinatra no toca CD's do carro. Há meses coloquei o disco " The best of frank", onde os destaques são as músicas My way, Strangers in the night, New York New York e Moon river. Hoje os jornais dão destaques ao aniversário de Sinatra. Três bons artigos na Folha e um artigo no Estadão.

Pela manhã, voltando da feira e ouvindo Luiz Gonzaga, fiquei pensando qual seria o significado dele e de sua música. Lembrei-me que comecei a ouvir Luiz Gonzaga com pouco mais de 8 anos, quando os sanfoneiros de Serrinha tocavam e cantavam as suas músicas. Nos rádios, ainda não existia a televisão, ouvíamos muitas músicas de Luiz Gonzaga. Era o Brasil rural deixando seu passado para trás e passando a ser o Brasil urbano e integrado pelo rádio e pela TV.

Na parte da tarde, lendo os jornais e os artigos de Sinatra, lembrei-me que comecei a escutá-lo já nos anos 60, na segunda metade, quando já tinha acontecido o golpe militar, os festivais da Record, já existia Caetano, Chico, Gil e Milton Nascimento. Além de Gal Costa e Bethânia... Depois apareceu Elis Regina e a Bossa Nova. E Frank Sinatra já disputava a audiência com os cantores brasileiros. Era o pós-guerra e o boom americano. O Brasil fazia parte do mundo americano. Não foi por acaso que Sinatra gravou Tom Jobim e a Bossa Nova.

Novo século, nova década e o mundo volta para o passado, comemorando 50 anos de carreira, 100 anos do nascimentos de seus artistas e escritores. O mundo está doente e saudoso. A violência e a crise preponderam sobre a cultura e a criatividade.

Estamos mais para anos sombrios do que para nova Bossa Nova.
Mas ainda temos Frank Sinatra, Luiz Gonzaga e muita gente boa.
Poderemos ter novas guerras e novas ditadura,
mas todas passarão. Só não passarão os artistas e os escritores.

Afinal, passarão o Céu e a Terra, mas minhas palavras não passarão.
Isto lembra alguém?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Golpe, impeachment, judicialização e militarização

Brasil: Os fins justificam os meios?

O Brasil tem longa tradição de "vale tudo", "lei de Gerson", "jeitinho brasileiro", etc. O Brasil não tem tradição de democracia, regras válidas para todos e ética coletiva ou individual. O Brasil tem tradição de ser o país tardio, retardatário, porém beneficiário deste atraso.

Dizem os analistas que, graças a esta lerdeza nacional, mantivemos o país grande, unificado e com crescimento constante. Mesmo que, para isto, os pobres continuem pobres, o Nordeste e o Norte continuem atrasados e os negros continuem subjugados e como reserva de mão de obra mais barata...

Apesar da pressão dos ricos sobre os pobres, o Brasil lentamente vai melhorando. O padrão de vida dos pobres melhorou muitos nos últimos anos, os pobres passaram a ter mais acesso à universidade, a automóveis e a aeroportos, incluindo viagens ao exterior...

Mas a educação, embora tenha sido massificada, continua fraca na qualidade. É mais do que a hora de se investir muito na qualidade da educação e na qualidade das instituições.

O Brasil nunca teve tanta liberdade como tem agora, mesmo esta liberdade sendo usada de forma abusiva. Mas é uma grande liberdade e um importante aprendizado.

Temos 35 partidos políticos e péssima representação parlamentar. O Brasil está afundando no mar de lama ético, moral e comportamental. Os fins estão justificando os meios.

Temos um governo fraco, uma presidente difícil, uma imprensa golpista, um judiciário que ocupa cada vez mais espaço sobre os demais e a economia refluindo e levando o povo à angústia e ao desespero.

Todos concordamos que como está não pode continuar. 

Porém, os golpistas que pregam a necessidade de uma Unidade Nacional neoliberal, conservadora, não  podem chamar esta unidade como justificativa para dar o golpe. O impeachment nas condições que está sendo executado é golpe sim. Não adianta tergiversar. É golpe! Golpe civil, sem as mãos sujam de sangue dos militares. Por enquanto, apenas as polícias militares estão abusando da violência.

Da mesma forma, o governo Dilma e sua base de sustentação, mesmo tendo sido eleita com a maioria dos votos, precisa também viabilizar a governabilidade quotidiana, diária. A economia e o povo não podem viver de solavancos e de angústias...

Temos um governo de centro-esquerda e um congresso nacional de extrema-direita. Como equilibrar os poderes e a governabilidade? Este é o "x" do problema.

O judiciário pode ajudar, como pode atrapalhar. Ajudará mais se tiver uma expectativa de governabilidade por parte do governo, caso contrário, tenderá a apoiar os golpistas. Legalizando-os. O Congresso Nacional daria o golpe e o Judiciário reconheceria a "soberania do Legislativo". Tudo isto em nome da governabilidade. E os empresários e investidores comemorariam. Como fizeram em 1964.

Até o próximo dia 16, muita água correrá sob as pontes turbulentas em todo o Brasil...

O jornalista Ilmar Franco, em sua coluna no Globo de hoje, 11/12/2015, reproduz declaração do ministro do STF, Edson Fachin, sobre o que pode acontecer:

"Um presidente que não tiver 171 votos, caiu! Não tem governabilidade.""

Eu concordo como o ministro Edson Fachin.
Cabe, portanto, ao governo garantir seus 171 votos na Câmara Federal. Cabe a Câmara Federal e ao Judiciário punir o deputado Eduardo Cunha, que vem desmoralizando o Congresso Nacional e nossa frágil Democracia.

Para os verdadeiros democratas, os fins nunca podem justificar os meios.
Onde estão os democratas brasileiros?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

O Brasil está sendo rebaixado

Todos estão contribuindo...

O povo não sabe o que é "crise de hegemonia", como gostam de dizer os sociólogos, mas o povo sente na pele a desordem que tomou conta do Brasil. E todos estão contribuindo para a degradação humana, ética, política, social, econômica e cultural.

Olhando os jornais de hojqe a mensagem é a mesma:
Vamos destruir tudo e vamos botar a culpa em Dilma e no PT.

E Dilma e o PT tem culpa nisto tudo? Tem uma parte de culpa, sim.
Dilma por ter escolhido Joaquim Levy para a Fazenda,
promovendo um ajuste fiscal recessivo, inflacionário,
aumentador dos juros e do desemprego.
O PT tem culpa por ter deixado Dilma escolher o Levy para a Fazenda.

E o PSDB também tem culpa?
Tem mais culpa do que Dilma e o PT.
O PSDB, juntamente com o PT, o PSB, o PDT, o PC-B e o PMDB formam a base social que lutou contra a ditadura militar. Estes partidos fizeram a Constituição de 1988 e estão governando a maior parte do Brasil.

Portanto, estes partidos são os avalistas da Democracia, da Constituição e das regras democráticas.

Acontece que o PSDB, não quer esperar por resultados eleitorais, e resolveu juntar-se aos viuvos da ditadura militar, e estão inviabilizando o Brasil, como forma de destruir a imagem de Dilma e do PT. Mesmo que para isto, subordinem-se aos Cunhas e Bolsonaros da vida.

Juntamente com estes novos partidos da direita brasileira, herdeiros da ditadura, os parlamentares se aliaram com a imprensa e com um judiciários que mais parece agentes da ditadura militar do que agentes da neutralidade, da honestidade e das liberdades democráticas...

E quando as agências internacionais de risco dizem que podem rebaixar o Brasil, estes mesmos atores sociais, como os políticos, a imprensa e até os empresários dizem que será ruim o Brasil ser rebaixado. Mas, na verdade, quem está rebaixando o Brasil são os próprios brasileiros. Sejam eles intelectuais, juízes, políticos, analistas econômicos, empresários ou sindicalistas. Estamos todos no mesmo saco.

O golpe do impeachment não passará, mas, o Brasil passará quatro anos de crive em todos os sentidos. E como vai acabar esta autodestruição ninguém sabe. A História ensina como foi no passado.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

BTG, a cadeia, os clientes e os funcionários

A imprensa é sádica?

Ontem o jornal Valor deu matéria de capa: "O que faço em Bangu 8?", referindo-se ao presidente e dono do BTG, André Esteves. O próprio jornal diz que "André Esteves foi preso sob suspeita de dar auxílio financeiro a um suposto plano de fuga do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró".

Olhem os detalhes na própria matéria de capa: suspeito de auxiliar um suposto plano de fuga. Isto é, foi parar em Bangu 8 por ser suspeito de um suposto plano...

No jornal Valor de hoje, dia 09/12/15, André Esteves volta à capa do jornal, desta vez em conjunto com Delcídio Amaral. Ambos foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República por "impedir e embaraçar" as investigações da Operação Lava Jato, e concurso em "patrocínio infiel" (contribuir para que advogado atue contra os interesses do próprio cliente).

Ao abrir hoje à tarde o site da Uol, deparo-me com a matéria:

"Vida de Bilionário na Cadeia

Cama de concreto, ratos e cabeça raspada

(Bloomberg) -- Há 12 dias, André Esteves foi levado para uma cela com camas de concreto. A cabeça dele foi raspada. Alguns de seus companheiros são ratos, atraídos pelo aterro sanitário vizinho à prisão.
O banqueiro de 47 anos ainda é bilionário, mas tem que usar um sanitário sem porta estilo turco --ou "boi'', como chamado por detentos-- no famoso complexo penitenciário de Bangu, no subúrbio do Rio de Janeiro.
Do lado de fora, o cheiro das valas de esgoto se mistura com o aroma de terra batida e frituras que as mulheres compram para seus maridos presos de vendedores em frente ao presídio.
Do lado de dentro, o ex-presidente do conselho e ex-CEO do Grupo BTG Pactual, o maior banco de investimento independente da América Latina, toma banho com um sabão em barra, que se vindo de fora é cortado em fatias por guardas na revista em busca de contrabando."
Más notícias...
Vejo também em outras matérias que o banco está sendo reestruturado, funcionários estão ameaçados de demissões, o banco está vendendo ativos, pegando dinheiro emprestado e ameaçado pelo Banco Central. Os clientes e funcionários estão inseguros.
Será que a imprensa é sádica? O que acha disto tudo a Fenaban - Federação Nacional dos Bancos? E a Bolsa de Valores, que ganhou tanto dinheiro com o BTG? Onde vamos parar? 
Antes de ser condenado, André Esteves precisa passar por tanta humilhação? Isto é normal?

domingo, 6 de dezembro de 2015

Brasil: Quando a verdade é o quê menos importa

Na guerra, a verdade é a primeira vítima

Como a verdade no Brasil é o que menos importa,
logo, só podemos podemos estar em guerra.

Até os adolescentes que tiveram que ocupar suas escolas em São Paulo, tiveram que descobrir empiricamente que as intenções do governador e de seu secretário de educação só mudariam se os próprios adolescentes fossem à luta contra o fechamento de suas escolas. E são os grandes vencedores!

Folheando os jornais, vemos tantas notícias e tantas versões que ficamos com a impressão que o Brasil está se desmanchando... Sem rumo, sem direção, sem justiça, sem imprensa e principalmente sem políticos e governantes que tenham autoridade para serem seguidos e obedecidos.

Um chantagista resolve abrir processo contra uma presidente em crise de autoridade e logo aparecem as hienas para compartilhar do banquete da degradação da lei e da ordem institucional. E setores da sociedade que já estão sofrendo em função da crise econômica e política, como se fossem prisioneiros de campos de concentração nazistas, preferem à morte e à falta de esperança, à lutar contra os chantagistas e desonestos. Não vêem mais esperanças...

Todo mundo quer saber se a presidente vai ser cassada pela horda de políticos inescrupulosos ou se será salva por uma minoria de resistentes defensores das regras democráticas e da Constituição.

Será que realmente as guerras são necessárias?
Será que as mortes e os sofrimentos precisam acontecer regularmente como forma de aperfeiçoamento da democracia e do respeito às diferenças?

Amanhã será constituída a comissão que decidirá sobre a presidente e na terça-feira será o dia que a Comissão de Ética decidirá sobre o chantagista que está na presidência da Câmara, se o processo de cassação por corrupção e mentira será aberto ou não.

Na História,quando Pilatos perguntou ao povo hebreu se eles preferiam Jesus ou Barrabás, eles preferiram Barrabás, mesmo depois reconhecendo os méritos de Jesus. No Brasil, outros brasileiros já traíram e entregaram pessoas para à morte. No Congresso Nacional, é mais fácil encontrar representantes de Judas, do que representantes da Honestidade e da Verdade. Mas, Dilma não depende da maioria absoluta dos votos, bastam 172... Será que nem isto conseguirá?

Só o tempo dirá....

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Demissões no BTG?

A História se repete...

Os jornais de hoje continuam noticiando sobre a crise do BTG, depois da prisão de seu presidente e principal acionista, André Esteves.

Trocaram de presidente, transferiram as ações, recorreram a outros bancos, recorreram também ao Fundo Garantidor de Crédito, venderam a Rede D'Or,  puseram o banco suíço à venda e agora começam a querer demitir funcionários.

Os funcionários do BTG precisam entrar em contato com os Sindicatos dos Bancários para poder garantir seus direitos, embora tenham dificuldade de garantir os empregos.

E assim vamos chegando ao final de Dezembro de 2015.

O ano que não quer acabar...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Vejam que foto significativa!

Um outro mundo é possível!

Esta foto, tirada em Paris, mostra representantes de vários países que podem mudar a História para melhor.

Canadá, Austrália, França, Brasil e Chile. 
Grandes e importantes países que prezam a Democracia, a diversidade e a qualidade de vida.


Que venha 2016!

Sim, queremos um mundo solidário onde a Terra seja nossa Pátria.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Banco BTG no olho do furacão

Como ficam os funcionários e os clientes?

Há momentos trágicos na vida dos bancários e dos clientes de bancos. Atualmente o risco é menor porque no Brasil há bem menos bancos. Mas, antigamente, quando tínhamos centenas de bancos, era comum acordar com a notícia de intervenção do Banco Central ou a venda deste ou daquele banco. Os funcionários perdiam empregos, perdiam dinheiro, assistência médica e a família passava privações. Os clientes faziam filas nas portas dos bancos tentando sacar seus depósitos e sofrendo o pouco caso das autoridades... Lembram do Comind? Do Nacional? Do Bamerindus? Do Banco Santos?

Todos os dias estamos vendo nos jornais as fotos e as notícias do BTG. 
Um grande banco de investimento. Um grande exemplo de sucesso da era FHC, onde seus ministros iam ser sócios e trabalhar. Um banco que dava orgulho trabalhar lá e ser seu cliente.

De repente, não mais que de repente, seu presidente e principal acionista vai preso e acusado de tentar   prejudicar as investigações judiciais contra outras pessoas envolvidas em outras operações fraudulentas.

De repente, não mais que de repente, os diretores do banco decidem substituir o presidente, por este estar preso, além de pressioná-lo para vender suas ações. Evitando assim a fuga dos correntistas e aplicadores. Fuga aqui no sentido de tirarem suas aplicações, não é a fuga pretendida pelo banqueiro e denunciada pelo filho do detido e envolvido em operações ilegais na Petrobras...

De repente, não mais que de repente, as pessoas evitam falar que trabalham no BTG ou que têm aplicações financeiras no BTG....

Mais uma vez volta a mesma pergunta de sempre:

Será que as empresas internacionais de auditoria e o Banco Central NUNCA desconfiaram de nada? Será que só ficaram sabendo depois que tudo virou notícia policial?

Como ficam os funcionários e os clientes deste Banco?
Como eles passarão o Natal e o Ano Novo?
Como será 2016 para eles?

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Brasil está igual à Inglaterra de 1965

O Futuro ainda é o Passado?
Ou o Futuro é agora?

Quando pensamos que estamos superando grandes desafios de condições de vida e da própria estrutura da democracia capenga que o Brasil vem passando, descobrimos, por relatos dos estrangeiros que moram no Brasil, que a qualidade de vida que temos, chegou há um bom tempo atrás em outros países. Se chegou lá, também pode chegar aqui.

Leiam este relato interessantíssimo!
Se quiserem mais detalhes sobre o padrão de vida na Europa depois do pós guerra, pode comprar o bom livro: A Europa no pós-guerra.


Minha primeira geladeira e 
por que o Brasil de hoje 
lembra a Inglaterra dos anos 60 
– Tim Vickery - BBC

Acho que nasci com alguma parte virada para a lua. Chegar ao mundo na Inglaterra em 1965 foi um golpe e tanto de sorte. Que momento!
Na minha infância, nossa família nunca teve carro ou telefone, e lembro a vida sem geladeira, televisão ou máquina de lavar. Mas eram apenas limitações, e não o medo e a pobreza que marcaram o início da vida dos meus pais.

Tive saúde e escolas dignas e de graça, um bairro novo e verde nos arredores de Londres, um apartamento com aluguel a preço popular – tudo fornecido pelo Estado. E tive oportunidades inéditas. Fui o primeiro da minha família a fazer faculdade, uma possibilidade além dos horizontes de gerações anteriores. E não era de graça. Melhor ainda, o Estado me bancava.

Olhando para trás, fica fácil identificar esse período como uma época de ouro. O curioso é que, quando lemos os jornais dessa época, a impressão é outra. Crise aqui, crise lá, turbulência econômica, política e de relações exteriores. Talvez isso revele um pouco a natureza do jornalismo, sempre procurando mazelas. É preciso dar um passo para trás das manchetes para ganhar perspectiva.

Será que, em parte, isso também se aplica ao Brasil de 2015?
Não tenho dúvidas de que o país é hoje melhor do que quando cheguei aqui, 21 anos atrás. A estabilidade relativa da moeda, o acesso ao crédito, a ampliação das oportunidades e as manchetes de crise – tudo me faz lembrar um pouco da Inglaterra da minha infância.

Por lá, a arquitetura das novas oportunidades foi construída pelo governo do Partido Trabalhista nos anos depois da Segunda Guerra (1945-55). E o Partido Conservador governou nos primeiros anos da expansão do consumo popular (1955-64). Eles contavam com um primeiro-ministro hábil e carismático, Harold Macmillan, que, em 1957, inventou a frase emblemática da época: "nunca foi tão bom para você" ("you’ve never had it so good", em inglês).

É a versão britânica do "nunca antes na história desse país". Impressionante, por sinal, como o discurso de Macmillan trazia quase as mesmas palavras, comemorando um "estado de prosperidade como nunca tivemos na história deste país" ("a state of prosperity such as we have never had in the history of this country", em inglês).

Macmillan, "Supermac" na mídia, era inteligente o suficiente para saber que uma ação gera uma reação. Sentia na pele que setores da classe média, base de apoio principal de seu partido, ficaram incomodados com a ascensão popular.

Em 1958, em meio a greves e negociações com os sindicatos, notou "a raiva da classe média" e temeu uma "luta de classes". Quatro anos mais tarde, com o seu partido indo mal nas pesquisas, ele interpretou o desempenho como resultado da "revolta da classe média e da classe média baixa", que se ressentiam da intensa melhora das condições de vida dos mais pobres ou da chamada "classe trabalhadora" ("working class", em inglês) na Inglaterra.

Em outras palavras, parte da crise política que ele enfrentava foi vista como um protesto contra o próprio progresso que o país tinha alcançado entre os mais pobres.

Mais uma vez, eu faço a pergunta – será que isso também se aplica ao Brasil de 2015?
Alguns anos atrás, encontrei um conterrâneo em uma pousada no litoral carioca. Ele, já senhor de idade, trabalhava como corretor da bolsa de valores. Me contou que saiu da Inglaterra no início da década de 70, revoltado porque a classe operária estava ganhando demais.

No Brasil semifeudal, achou o seu paraíso. Cortei a conversa, com vontade de vomitar. Como ele podia achar que suas atividades valessem mais do que as de trabalhadores em setores menos "nobres"? Me despedi do elemento com a mesquinha esperança de que um assalto pudesse mudar sua maneira de pensar a distribuição de renda.

Mais tarde, de cabeça fria, tentei entender. Ele crescera em uma ordem social que estava sendo ameaçada, e fugiu para um lugar onde as suas ultrapassadas certezas continuavam intactas.

Agora, não preciso nem fazer a pergunta. Posso fazer uma afirmação. Essa história se aplica perfeitamente ao Brasil de 2015. Tem muita gente por aqui com sentimentos parecidos. No fim das contas, estamos falando de uma sociedade com uma noção muito enraizada de hierarquia, onde, de uma maneira ainda leve e superficial, a ordem social está passando por transformações. Óbvio que isso vai gerar uma reação.

No cenário atual, sobram motivos para protestar. Um Estado ineficiente, um modelo econômico míope sofrendo desgaste, burocracia insana, corrupção generalizada, incentivada por um sistema político onde governabilidade se negocia.

A revolta contra tudo isso se sente na onda de protestos. Mas tem um outro fator muito mais nocivo que inegavelmente também faz parte dos protestos: uma reação contra o progresso popular. Há vozes estridentes incomodadas com o fato de que, agora, tem que dividir certos espaços (aeroportos, faculdades) com pessoas de origem mais humilde. Firme e forte é a mentalidade do: "de que adianta ir a Paris para cruzar com o meu porteiro?".

Harold Macmillan, décadas atrás, teve que administrar o mesmo sentimento elitista de seus seguidores. Mas, apesar das manchetes alarmistas da época, foi mais fácil para ele. Há mais riscos e volatilidade neste lado do Atlântico. Uma crise prolongada ameaça, inclusive, anular algumas das conquistas dos últimos anos. Consumo não é tudo, mas tem seu valor. Sei por experiência própria que a primeira geladeira a gente nunca esquece.

Algo estranho em São Paulo

Por que hoje é segunda-feira?

Trânsito totalmente parado hoje, muita chuva no domingo e o Corinthians de férias antecipadas, plantas cheias de gotas d'água, o esocial continua difícil e os computadores com dificuldade de acessar a internet. Faz parte dos desafios por morar em São Paulo.

O trânsito anda difícil há vários dias. Um dos motivos é o clima de final de ano. Como meu estacionamento é no Anhangabaú, sofremos com o quase um milhão de pessoas que vêem diariamente para a Rua 25 de março fazer compras.

Também temos boas notícias, por exemplo, o filho do nosso colega, Gilberto Salviano, vai defender tese de doutorado em astrofísica na Universidade Federal do Rio de Janeiro. É mole? O pai foi cassado por ser sindicalista na época da ditadura militar. Já o filho, estuda muito e vira Doutor em astrofísica e Mestre em astrobiologia. Sinais dos tempos...

Já a Fetec-SP, também criada para organizar os bancários do estado de São Paulo, por mais direitos e mais conquistas, fez seu Congresso em Atibaia e elegeu nova diretoria, sendo uma mulher como presidente, Aline Molina. Mais garra, mais olhar feminino e mais conquistas.

Apesar de todo o clima destrutivo, um novo mundo vai sendo construído.
Já que o Bamerindus voltou ao noticiário, gosto sempre de lembrar da propaganda da Poupança Bamerindus:

"O tempo passa, o tempo voa...
E a Poupança Bamerindus continua numa boa!
É a Poupança Bamerindus!"

Que venha 2016!

sábado, 28 de novembro de 2015

Chico Buarque em filme

Chico - Artista Brasileiro

A Folha e o Estadão desta semana publicaram ampla reportagem sobre a presença de Chico como protagonista de um novo filme nacional. Já é um sucesso! Todos estão falando da novidade com Chico. Li todas as matérias e, como sempre, quanto mais se conhece Chico Buarque e Família, mais se gosta destes personagens da História do Brasil.

Além de ser lançado nos cinemas, se for lançado em DVD, poderá será o grande presente de Natal...

O interessante é que o diretor do filme, Miguel Faria Jr. é amigo de Chico há 50 anos. E amigo dos bons, porque foi isto que deixou Chico mais à vontade para falar de sua vida e de seus sonhos...

Num momento em que o Brasil está sendo destruído, devassado, manipulado e vendido aos estrangeiros, nada melhor do que poder voltar às "Raízes do Brasil", justamente com nosso símbolo de brasilidade inclusiva e solidária. Este Velho Chico continua "gente humilde" e gente muito boa.

Ainda temos o Chico Buarque e tantos outros artistas e personagens que fazem o lado bom da nossa história.

Que venha 2016!
E 2015?
Vai passar!


terça-feira, 24 de novembro de 2015

As sombras e as luzes

O mundo fica mais tenso, mas ainda temos as flores

A história vai se repetindo como os períodos iniciais dos séculos. A primeira guerra mundial começou na região da. Turquia e Servia. As guerras atuais estão se espalhando a partir da Síria e Turquia. Napoleão e Hitler perderam suas guerras quando invadiram a Rússia. A Turquia errou ao derrubar o avião russo. O que vai acontecer?

A crise econômica mundial transforma-se em crise política que pode fortalecer democracias ou pode levar a novas guerras. A América Latina também está no olho do furacão.

Mas ainda temos as flores.


Flores que já foram gravetos secos...


O tempo passa e os direitos humanos progridem.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

São Paulo na chuva

Agora chove todo dia

O trânsito pára, mas a cidade comemora a chuva.


Por mais que seja durompara quem estuda ou trabalha à noite. 
Todos precisamos da chuva.... E das flores.


domingo, 22 de novembro de 2015

Domingo marcante!

Corinthians é campeão e na Argentina ganha oposição 

Além de ser campeão, ganhar do São Paulo de seis a um, no Itaquerão, é um presente muito especial.

Já acompanhar o resultado eleitoral das eleições na Argentina é constatar que o povo argentino estava cansado da crise. Crise econômica , política e de perspectiva. Acabaram elegendo um neoliberal que não declara que é neoliberal. Vamos ver como vai ser o governo. 

O mundo está mudando, sofrendo e ficando inseguro. 
O mundo precisa de paz, retomada da economia e mais segurança. 
O resto é discurso!

sábado, 21 de novembro de 2015

Até tu, Nizan Guanaes?

Brasil vende tudo ao estrangeiro 

Até Nizan, um dos empresários com melhor discurso de Brasil Moderno, 
trocou sua modernidade por um bilhão de reais...

Já ando triste com a falta de gente com autoridade para botar ordem na zona que se transformou o Brasil. Comecei a ter um pouco de esperança com a união entre empresários e trabalhadores para mudar a política econômica e botar a economia para crescer e gerar emprego, renda e lucros. No outro dia, no dia da consciência negra, Nizan, que veio da Bahia, vende suas empresas aos empresários americanos.

O Brasil continua sendo uma terra sem leis, sem ordem e sem uma burguesia nacional que construa um capitalismo brasileiro. Os empresários continuam preferindo ganhar dinheiro rápido, em vez de construir multinacionais. Continuamos colônia...

Ainda bem que, ao lado da chamada de capa da Folha sobre a venda do Grupo ABC de Nizan, tem a notícia de Informando que Jorge Paulo Lemann defende o entendimento nacional e até que Lula e FHC criem juízo e priorizem o Brasil.

Enquanto isto não acontece, é este espírito de vira lata que faz com que apareçam políticos mercenários que querem privatizar a Petrobras. Depois vão querer vender o Itau e o Bradesco para os estrangeiros e depois venderão os jornais e TVs. 

Por ultimo e para facilitar, vão transformar o inglês em língua oficial e deixar o português como língua secundária. 

E o povo vai aceitar isto passivamente?
Só Deus sabe...

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

É preciso superar 2015

Para a frente é que se anda...

Ninguém aguenta mais a crise política, econômica e de valores que tomou conta do Brasil. Já passou da hora de se começar uma nova etapa. O desafio é dar o primeiro passo. Dia 3 de Dezembro, empresários e centrais sindicais tentarão unificar algumas propostas. Conseguirão ???

Só Deus sabe...

Enquanto o novo não surge, o Brasil continua vivendo refém da incompetência e da má fé dos políticos, do judiciário e da imprensa.

Já passou da hora de quem produz, trabalha e cuida da família exigir respeito.

Para a frente é que se anda...


terça-feira, 17 de novembro de 2015

A Paz começa com as Palavras

Steibruch dá um sinal

Mais um empresário sinaliza que o Brasil também precisa de Paz. 
A começar pelas palavras escritas e faladas... 
Leiam o bom artigo de Benjamin Steinbruch na Folha de hoje.

A era dos excessos

17/11/2015  02h00 – Folha – Benjamin Steinbruch

É difícil escrever sobre qualquer assunto num momento em que o mundo assiste petrificado ao avanço da barbárie e chora pelas vítimas de Paris. Mas, colocando foco em problemas brasileiros, lembro inicialmente uma frase atribuída a Paracelso, médico e físico do século 16: "A diferença entre um veneno e um remédio está só na dosagem".

O país precisa muito refletir sobre essa ideia, que está longe de se aplicar apenas à química e à medicina. Há um claro exagero em quase tudo no país: na polarização política, na ortodoxia econômica e monetária, nas críticas, no denuncismo e no pessimismo geral que deprime cada vez mais os brasileiros.

Nada é mais deprimente, por exemplo, do que o nível das discussões que se desenrolam nas redes sociais. Pessoas xingam-se e acusam-se mutuamente por discordâncias ideológicas ou religiosas, sem nenhum receio de cometer crimes de calúnia, injúria e difamação. É preciso diminuir a dosagem desses atritos para um nível civilizado de discussão de convicções e ideias.

Doses exageradas de crítica têm um nome: intolerância, atitude que, infelizmente, já saiu das redes sociais para a vida real. Todos vimos imagens lamentáveis do ex-ministro Guido Mantega, por exemplo, sendo hostilizado em restaurantes, chamado de muitas coisas ruins. Mantega foi ministro da Fazenda durante quase nove anos, teve momentos de acertos e erros, mas não é disso que se trata.

Assistimos, durante a Copa do Mundo do ano passado, à presidente Dilma ser xingada por grupos de torcedores com uma frase-palavrão que não dá para transcrever. Dilma também é responsável por acertos e erros, mas não é disso que se trata. Trata-se de educação, civilidade, boas maneiras, respeito às diferenças e tolerância, coisas que estão em falta no atual momento brasileiro.

O debate econômico está excessivamente radicalizado. Um exemplo: cansamos de ver, nos últimos anos, articulistas de todas as tendências defendendo a redução da carga tributária brasileira, em razão do pesado ônus que isso significa para o setor produtivo. 

Ou seja, as desonerações que beneficiaram vários segmentos da atividade eram necessárias e tinham apoio geral no país. Pode ter havido aqui também erro na dosagem, não no remédio. Mas não é porque existem problemas fiscais que vamos amaldiçoar as desonerações e jogá-las no fogo do inferno. O país ainda precisa reduzir sua carga tributária. Alguém discorda?

Esses excessos fazem muito mal ao país. O pessimismo é insuflado de forma estridente nas manchetes de jornais, no rádio, na televisão e, com ódio e intolerância, no dia a dia dos debates das redes sociais. Se você manifesta uma opinião um pouco diferente, é hostilizado imediatamente.

Aqueles que cometem excessos por razões políticas, unicamente pela disputa do poder, e que apostam no "quanto pior, melhor" deveriam saber que o resultado dessa disputa é o desemprego, a desagregação de famílias, o sofrimento de mães e crianças, o aumento da criminalidade, a insegurança e a desesperança geral no país.

Acreditamos que a frase de Paracelso embute uma mensagem que se aplica perfeitamente ao Brasil de hoje. 

Todos temos a obrigação de dosar as críticas –para que elas sejam remédio e não veneno–, aceitar diferenças, evitar radicalismos e buscar entendimento.


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Dilma não dá carta branca a Henrique Meirelles

Deu no jornal Valor

Parece mentira ou gozação, mas o jornal Valor fez esta chamada de capa, nesta segunda-feira.

O último presidente que deu Carta Branca ao seu ministro da Fazenda foi Itamar Franco. Depois foi ridicularizado por seu ministro da Fazenda, que assumiu-se como "o pai do Plano Real", elegeu-se presidente e depois convenceu o Congresso Nacional a mudar a Constituição para o Brasil ter REELEIÇÃO presidencial e demais cargos executivos.

Conhecendo a história de Fernando Henrique Cardoso,
iria a presidente Dilma dar carta branca a Henrique Meirelles?

Há, porém, uma informação muito valiosa na matéria do Valor de hoje:
"a única certeza, no momento, é a saída de LEVY, ainda sem data marcada"

Meirelles, segundo o jornal, humildemente recomenda que, para ele assumir o ministério, Dilma deveria trocar o ministro do Planejamento e o presidente do Banco Central. O jornal ainda diz que havia outras exigências...  É mole?

A posição de Levy é considerada insustentável, diz o jornal. Mesmo assim, tudo indica que, pelo menos desta vez, Henrique Meirelles não assumirá o Ministério da Fazenda.

A presidente Dilma continua procurando um bom candidato ou candidata...
Enquanto isto, Levy continua em banho-Maria.
Pelo jeito, 2016 não será igual a 2015.



domingo, 15 de novembro de 2015

Imprensa no Brasil: entre o fascismo e a cultura

Fascismo totalitário ou apenas na política?

Este tem sido o dilema da nossa imprensa.

Por exemplo, as revistas semanais todas viraram fascistas, mentindo e manipulando os fatos... 

Os jornais vivem manipulando a parte política, mas ainda deixam um pouco de liberdade e diversidade nos outros cadernos. O caderno de economia cada vez mais fica refém do neoliberalismo e do fascismo. Mas ainda tem um pouco de liberdade. Na política, só a Folha ainda mantém articulistas como Janio de Freitas. O Estadão já acabou com vozes diferentes na política.

Durante a semana eu quase que não folheio mais o Estadão. Vai direto para o lixo.
Olho as capas e me desanimo. Todos os dias tenho vontade de telefonar e cancelar minha assinatura. Mas algo me segura. 

Por exemplo, neste domingo, mesmo com os atentados terroristas na França, eu só consegui ler um artigo na Folha, enquanto li três artigos no Estadão. O artigo de Guille Lapouge, nosso velho correspondente em Paris. Um ótimo artigo de Sergio Rodrigues sobre o futebol de Neymar, com o título " A insustentável leveza de um golaço " e, por ultimo, um bom artigo do crítico de cinema Luiz Zanin Oricchio, sobre Kurosawa e o filme Kagemusha - A sombra do samurai. 

Se eu cancelar minha assinatura do Estadão, perco estas preciosidades. Mesmo contribuindo para manter os fascistas do primeiro caderno. O de política. 

Já a Folha, no único artigo que li, ainda encontramos a posição do jornal, chamando o presidente da Síria de Ditador. Quem é a Folha para decidir quem é democrata e quem é ditador? Será que a Folha tem sido democrata no trato com a política brasileira? Porque a Folha não chama os governantes chineses de ditadores? Ou lá é democracia igual a dos Estados Unidos, que é o parâmetro da Folha? Mesmo quando os Estados Unidos invadem os países, destituem os governantes e acabam com a democracia?

Como a ONU está deixando de existir, os parâmetros estão perdendo suas referências. As democracias estão desaparecendo para surgir um novo fascismo. O fascismo da imprensa e do judiciário. 

Onde fica o Povo? 
Vira mero coadjuvante?

sábado, 14 de novembro de 2015

Paris encore? Paris Novamente?

O mundo parou por Paris

Que violência ! Que crime!

Sabemos que as primaveras árabes viraram tragédias; 
Sabemos que os Estados Unidos e seus aliados desorganizaram os países árabes;
Sabemos que as disputas religiosas são pretextos para as guerras econômicas e políticas;
Sabemos que a violência atrai violência.

Mas, quando acabaremos com tanta violência ?

Porque atacar logo Paris? Com tanta beleza e tanto charme?
Porque atacar sempre no final de ano quando o clima natalino está mais forte?
Porque combater o turismo francês?
Porque matar inocentes que estavam dançando ou vendo o futebol?

Mesmo assim, ainda temos Paris. 
Como no filme Casablanca.
Quando as esperanças se esvaem...
Ainda temos Paris com seus sonhos e suas lembranças.

Quem não ama Paris?

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Quebra do sigilo bancário e dos telefones

O uso da lei conforme a conveniência

Nós que vivemos o tempo da ditadura militar, sabemos o que é ser seguido, grampeado, preso e cassado pela Polícia Federal da época. Os federais diziam que estavam "cumprindo ordens".

Com a redemocratização e a nova Constituição em 1988, todos ficamos com a sensação de que agora os direitos individuais e coletivos seriam respeitados pelo agentes do Estado (União, Estados e Municípios). 

Aos poucos, fomos percebendo que as Leis e as Instituições são usadas conforme as conveniências das pessoas e da tal "correlação de forças". 

Por exemplo: 

- Se um grande fazendeiro manda matar uma freira brasileira, mesmo prendendo quem atirou na freira, o fazendeiro não vai preso. Mas, se  a freira for americana ou da Europa, a probabilidade de o atirador e o fazendeiro serem presos aumenta muito. 

- Quando, já na democracia, os bancários decretam suas greves, os bancos, inclusive os públicos, entram na Justiça e ganham o tal "Interdito Proibitório", que proíbe a presença de trabalhadores que tentam obstruir a entrada dos fura-greves. A defesa  do interdito proibitorio é totalmente infundada, mas mesmo assim a maioria dos juízes aprova o pedido dos banqueiros.

- É cada vez mais comum a gente ver notícias de que os procuradores públicos e a Polícia Federal solicitaram à Justiça e conseguiram autorização para grampear telefones, ter acessos à internet e às contas bancárias de pessoas físicas e pessoas jurídicas. Acontece que tudo indica que os agentes do Estado sempre acessam estas informações e, quando acham algo que lhes interessa, formalizam o pedido à Justiça. Esta prática contra traficantes, assassinos e corruptos goza da simpatia da população. O problema é quando esta prática se generaliza contra adversários políticos.

- É público e notório que está havendo no Brasil uma campanha contra o PT e seus aliados. Tudo isto em nome da moralidade... Mesmo ignorando-se tudo que aparece em nome dos demais partidos e pessoas que não são do PT. Esta partidarização de agentes do Estado (Juízes, ministério público e policiais federais), como de agentes beneficiários de concessões públicas como Rádio e Televisão contraria os princípios básicos da democracia e dos direitos iguais perante a lei.

O mais curioso disto tudo é que a subversão das instituições públicas e das concessões públicas se dá num governo federal do PT, caracterizando uma situação onde o PT tem o cargo mas não tem a governabilidade. Principalmente porque foi eleito numa aliança com o PMDB e outros partidos, sendo que estes partidos resolveram jogar duplo, isto é, usufruem dos cargos do governo, mas votam contra o governo no Congresso Nacional. Caracterizando uma esquizofrenia ou um oportunismo incomum em nossa precária democracia.

Nos jornais de hoje temos duas notícias bem exemplares desta aberração institucional:

1 - Matéria paga da Odebrecht manifesta sua indignação com a indevida exposição a que vêm sendo submetidos seus integrantes... em razão dos reiterados vazamentos de documentos, dados e informações sigilosos.... Essa prática lamentável e abusiva que se tornou rotineira, a despeito das reclamações formais dirigidas às autoridades competentes, continuam.

O fato de a Construtora Norberto Odebrecht ter apoiado a Fundação iFHC, nunca constituiu segredo.

A Odebrecht espera que o bom senso das autoridades responsáveis pela condução da investigação predomine e o respeito aos Direitos e Garantias dos Cidadãos, inclusive dos investigados, seja incondicional. 

Enquanto a Odebrecht resiste com dignidade, os empresários brasileiros e suas instituições patronais se calam covardemente...

2 - Já na capa de outro jornal aparece a seguinte matéria:

"Moro quebra sigilo telefônico da sede do PT
O juiz Sérgio Moro, da Lava-Jato, autorizou a quebra do sigilo telefônico do PT na ação que investiga o ex-tesoureiro João Vaccari." (Capa dÓ Globo).
"Além da quebra do sigilo telefônico do partido, a Justiça autorizou interceptações de ligações feitas no Sindicato dos Bancários de São Paulo...  as quebras foram autorizadas na ação que investiga se a Gráfica Atitude, ligada à CUT e aos sindicatos dos Metalúrgicos do ABC e dos Bancários de SP..."

Tanto num caso como no outro, o que mais constatamos são abusos das autoridades e omissão das instâncias superiores, sejam elas do Judiciário ou do Executivo. Já o Legislativo, está totalmente desmoralizado...

Se os que deveriam zelar e proteger as leis, 
são os primeiros a desrespeitá-las, 
como fica a nossa frágil Democracia? 

A democracia foi criada para conviver com as diferenças e com a convivência pacífica, sem negar a existência da luta de classe. Mas, quando uma classe abusa de suas atribuições para impedir a governabilidade e o bem estar social, a sociedade precisa ser chamada a se manifestar contra estes abusos.