quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Mau humor na classe média

Inflação e custo de vida

Quando começou o noticiário de que o Brasil agora tinha uma nova classe média e que os pobres estavam diminuindo, foi só alegria. Com o passar do tempo a nova classe média também começou a reclamar que o custo de vida estava ficando muito caro e os salários não estavam dando para os gastos.

O curioso é que a imprensa não consegue traduzir esta angústia em noticiário. Fica noticiando o que "o mercado" manda. Isto é, notícias que interessa aos bancos, aos especuladores na Bolsa de Valores e aos analistas econômicos.

Para o povo, inflação, preço do dólar, câmbio, índices do Banco Central e do governo, são todos genéricos. Para o povo, o que interessa é se consegue manter o emprego, se o salário está dando para pagar as contas e para fazer novas compras, se a ida ao supermercado significa comprar mais e se os filhos conseguem o que pedem aos pais.

E para boa parte da nova classe média, além do emprego e do salário, a renda familiar deve incluir a despesa com o pagamento do DÍZIMO da Igreja Evangélica (10% da renda) e outras despesas com a religião. A religião serve como aglutinador na comunidade, como fonte para conseguir melhores empregos e melhores salários, além de rezar, é claro. A religião recuperou a autoestima da população desprotegida pela infraestrutura dos governos municipais, estaduais e federal.

Para o conjunto da classe média, nova e velha, o custo de vida está provocando um terrível mal estar. A inflação nominal de 6% é palatável, o que não é palatável são os produtos e serviços aumentarem em 15 ou 20%, como acontece com muitas coisas. Esta inflação real, não aparece nos indicadores oficiais. E esta forma enganosa de medir a inflação não foi criada por Dilma, foi criada junto com o Plano Real. Portanto, pelos tucanos de FHC. O PT só manteve a metodologia.

Como existe um mal estar econômico, este se transforma em um mal estar social e político. Como diminuir este mal estar? A solução passa por: ou reduzir o custo de vista o aumentar os salários. Os economistas vão preferir reduzir o custo de vida, em vez de aumentar os salários, alegando que, se tudo for aumentado estimulará a retomada da espiral inflacionária... O importante é que a qualidade de vida da população melhore de forma efetiva. Como dizem os chineses do velho tempo, o importante não é a cor do gato, o fundamental é que o gato pegue ratos.

Está muito difícil ler jornais em função da agenda política e das baixarias eleitoreiras, mas, a economia precisa ser resolvida.  Não existe um único caminho para melhorar a qualidade de vida da classe média e do povo. Precisamos construir o nosso caminho, que evidentemente é diferente do caminho dos banqueiros e dos especuladores da Bolsa de Valores.

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