segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Filhotes de assanhaços partiram

Sem despedidas, saiu um, depois o outro

A vida é assim.
Na árvore em frente de casa, no galho em frente à nossa janela, o casal de assanhaços fez seu ninho. Só percebemos quando a festa diária para alimentar os filhotes começou. Um vai e vem sem parar.

O tempo foi passando e os filhotes crescendo. Um foi ficando maior do que o outro, o que, comparando com os pais, dava a impressão que o maior era o macho e o menor era a fêmea. O maior foi crescendo e aparecendo as penas, o menor demorou mais para aparecer a penugem.

Neste final de semana, já grandes, passeavam em volta do ninho e batiam as asas, treinando. A alimentação continuava.

No sábado, o maior desapareceu. Deve ter acompanhado o pai ou a mãe. Porque, de repente, em vez de os dois virem alimentar os filhotes, vinha apenas um de cada vez e alimentava o filhote meio distante, como querendo estimular a filhota a sair do ninho.

No domingo, quando voltei da caminhada no Parque Villa Lobos, o ninho estava vazio. Na árvore não tinha mais assanhaços. Durante o dia, várias vezes fui olhar o ninho. Sempre estava vazio...

No nosso quintal e no telhado, tinha maritacas, pardais, sabiás e o pássaro amarelo pequenininho. Mas os assanhaços não apareceram. Ficou só a lembrança.

Filhos. 
A gente trabalha tanto, para mais tarde vê-los ir embora.
No mesmo final de semana fomos ver um apartamento para alugar para nossa filha que voltará de Botucatu para trabalhar em São Paulo. Nove anos estudando fora de São Paulo. E quando voltar, já irá para sua moradia livre, leve e solta. Faz parte da vida.

Enquanto a filha se prepara para morar em São Paulo, em seu apartamento, e trabalhar num hospital, vemos nossa colega de sindicato ser operada no mesmo hospital em que nossa filha vai trabalhar.

Com o tempo, nossa vida começa a girar em torno de consultas e hospitais.
Com o tempo, a gente também vai descobrindo que em apenas uma geração, o Brasil melhorou muito. Filhos de pobres com pouca escolaridade têm filhos médicos, engenheiros, jornalistas, economistas e tantas outras profissões que mudarão mais ainda o nosso Brasil.



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