sábado, 22 de novembro de 2014

Dilma: Acalmando a Direita?

Governando para o Brasil

O segundo mandato de Dilma não pode ser igual ao primeiro de Lula. 
Isto é, Lula começou seu governo mantendo a política neoliberal na economia comandada por Palocci. Graças aos acidentes políticos, Palocci acabou saindo e Lula passou a fazer um governo desenvolvimentista. Palocci ajudou a diminuir a inflação, mas o arrocho salarial e o desemprego não foram combatidos como deveria.

Passada a eleição presidencial, por pressão dos bancos e dos especuladores, além do fato de a economia ter patinado nos últimos anos de Mantega na Fazenda, tudo indica que Dilma vai fazer concessões à ortodoxia econômica para recuperar o diálogo com o "mercado". Forma esdrúxula de se chamar os conservadores e patronato.

Só que, ao apresentar um pacote de ministros conservadores, Dilma pode estar sinalizando que governará como árbitra e moderadora. Isto é, todos os setores econômicos e sociais devem fazer suas reivindicações, pressões e tudo, mas a palavra final será sempre da presidente. Lula era e é bom nisso.

Os trabalhadores e os movimentos sociais também precisam ser acalmados. 
Afinal, trabalhamos muita por esta vitória de Dilma e do PT. Mas ainda não fomos recebidos nem recebemos uma visita de gratidão.

Começar agradando a direita pode representar que, mesmo o governo tendo lado, como foi dito na campanha eleitoral, o governo seja mais de Centro do que Democrático-Popular, ou de Centro-Esquerda. Se a arbitragem da presidência der moleza, o governo tenderá a ser de Centro-Direita, como os tucanos neoliberais e a imprensa querem. Mas não foi para isto que fizemos tanta campanha eleitoral, sofremos juntos e ganhamos as eleições com lágrimas nos olhos.

A ideia de governar para todos, numa democracia é correta,
mas não devemos nem podemos perder a identidade. 

O Brasil precisa continuar sendo um país capitalista, com um governo de crescimento econômico com distribuição de renda e inclusão social. Este é o nosso lado, o nosso governo. Este é nosso compromisso. Só falta formalizar nosso projeto numa nova Constituição, através de uma Constituinte Livre e Soberana.

Concordo que é preciso acalmar a Direita, mas lembro que quem elegeu Dilma foi predominantemente a Esquerda. Foram os pobres, os nordestinos. as empregadas domésticas, os frentistas, os jovens, os aposentados e a classe média progressista de todo Brasil.

Quem sabe, a perspectiva de um governo Salomônico ou Bonapartista, faça parte da nova realidade mundial. As democracias estão fragilizadas, os parlamentos estão desacreditados, os partidos políticos viraram fardos, o judiciário está confuso e a segurança da população está nas mãos dos traficantes.

Vamos tentar fazer um governo com todos, de todos e para todos?


Um comentário:

  1. Muito bom Gilmar. Nossa Presidente NÃO pode esquecer quem a elegeu, sob pena de desmoralizar todo o trabalho da militancia.

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