sábado, 11 de outubro de 2014

Elena - O filme do Brasil

Nem parece que é brasileiro

No final da semana passada assistimos ao filme ELENA, da diretora Petra Costa. Nem parece um filme brasileiro, embora seja todo ele falando do Brasil de ontem e de hoje. Um filme com músicas lindas, fotografias de primeira e depoimentos comoventes.

Não sabia nada sobre o filme, pegamos na locadora a pedido de minha esposa e fomos vendo devagarinho, isto é, sem grandes expectativas. Aos poucos fomos ficando hipnotizados, como se estivéssemos vendo algo como Morangos Silvestres, de Bergman.

Um filme envolvente e que tem muito a ver com o Brasil dos últimos cinquenta anos, tem a ver com nossa geração que estamos nos sessenta anos. E, só depois de ver ao filme e sair perguntando aos amigos sobre àquela história, ficamos sabendo que, mesmo distante, temos um pouco a ver com aquele tempo. Mais emoções ainda...

E porque o filme nem parece que é brasileiro?

Porque a maioria dos filmes atuais têm cara de Rede Globo, com os autores globais, a forma de falar global e o padrão globo de produção. Mesmo os filmes antigos, antes do domínio da Globo, eram filmes do Cinema Novo, de autoafirmação nacionalista tipo Deus e o Diabo na Terra do Sol, ou O Cangaceiro, ou ainda O Pagador de Promessa e Macunaíma. Todos estes tem o jeitão nacionalista.

Este filme é brasileiro, mas tem padrão universal.

É mais para o mundo moderno globalizado, não pela Globo, mas pelos valores do pós-Guerra Fria. O mundo sem fronteiras e cheio de crises existenciais. Um mundo sem partidos e sem governos legítimos. Apenas legalizados. Um mundo onde a Terra é nossa Pátria!

Descobri hoje que este filme foi produzido em 2012. Como fiquei sabendo somente agora? Como não vi nada antes? E olha que eu leio vários jornais e acompanho mais os cadernos de cultura do que os cadernos de política.

Mas, com certeza, é um dos melhores filmes brasileiros que já vi. E acho que ainda vai dar muito o que falar. Talvez, se os brasileiros assistem mais este filme, acharíamos com mais facilidade o Brasil que a gente está querendo construir. Como também entenderia um pouco mais das nossas angústias atuais.

As mulheres brasileiras, como as mulheres de Atenas, deram uma grande contribuição à nossa história e à nossa atualidade. Que surjam mais Elenas e Petras por este país tão grande e contraditório. E que possamos recuperar as histórias sem precisar ser revanchistas nem vingativos, simplesmente para conhecer as verdades e avançarmos no presente com qualidade, diversidade e mais tolerância. O mundo não precisa ser maniqueísta, dualista.

O mundo e a vida são plurais.

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