domingo, 7 de setembro de 2014

Jornais impressos de Domingo

Para serem lidos ou para embrulharem lixo?

Antigamente a gente passava horas lendo os jornais de domingo. 
Quando nossa filha era pequena a gente ia para a USP, coloca a rede nas árvores e enquanto a pequena dormia a gente lia os jornais. A filha cresceu e já é uma médica formada. E os jornais em vez de melhorarem, pioraram. E não é culpa da internet. é culpa dos donos...

Neste domingo, depois de uma bela caminhada no Parque Villa Lobos, paramos para ler os jornais em nossa casa. Fui ficando preocupado porque passava as páginas e não achava nenhuma matéria motivadora de leitura completa. Só lia os títulos...

Passei todo o Estadão e nem o Caderno Aliás eu consegui ler. Pequei a Folha e também não vi nada motivador. Na verdade, ao repassar os cadernos, chamou-me atenção uma reportagem sobre a decadência da USP e a opinião de alguns professores. Olhei, li alguma coisa e parei. Não gostei do conjunto da reportagem. O editor não quis aprofunda o problema e a matéria ficou supérflua. Até as fotos do Aliás são "albinas". Importantes, mas já vi fotos mais historicamente relevantes...

Quando eu morava na Bahia e trabalhava no comércio, a gente usava jornais e revistas para embrulhar sabão. Foi assim que tomei conhecimento da morte de Ho Chi Min, o grande lider vietinamita que derrotou as tropas francesas e americanas. Tomei também conhecimento da morte de Luther King. Guardei as duas reportagens, levei para casa e mantive em nosso quarto a foto de Luther King na parede até quando vim para São Paulo. O racismo continua na ordem do dia. Inclusive no Brasil...

Atualmente não embrulho mais sabão com jornais, mas quando fazemos limpeza no quintal, uso os jornais para embrulhar lixo, vidros quebrados, etc.

Quando tomamos posse no Sindicato dos Bancários de São Paulo, em 1979, criamos um jornal diário, chamado Folha Bancária diária, no início eram 500 exemplares por dia, feito com letra set e montado na xeros. Quando eu saí da presidência em  em 1994, a edição era de 100 mil jornais por dia. Até hoje a Folha Bancária é fundamental para os bancários.

Mais do que servirem de papel de embrulho, os jornais deveriam ser democráticos, pluralistas, analíticos e abrangentes. Em período eleitoral, os jornais ficam maniqueístas, monopolistas, mentem, fazem análises somente para defender seus candidatos e escondem a realidade brasileira. Não é a toa que estão sendo substituídos pelas redes sociais.

Maria Bethânia acabava de cantar uma música dizendo: "Eu vou deixar de ler jornais... "Eu, teimosamente, não consigo deixar de ler jornais. Mesmo quando estão insuportáveis, como neste domingo.

Depois da irritação, lembrei-me que o Caderno "EU&fim de semana", do jornal Valor, que eu trouxe ontem, sexta-feira, traz uma belíssima reportagem sobre NELSON FREIRE, o maior pianista brasileiro, que completa 70 anos de vida e de sucesso. Ainda bem que temos jornais de ontem...

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