terça-feira, 9 de setembro de 2014

A Indústria e os Juros no Brasil

Presidente da Fiesp enlouqueceu?

Mesmo com taxas de juros abusivas e espoliadoras, os banqueiros ainda querem o Banco Central independente? E Marina prometeu isto? É preciso lembrar que nem o povo, nem as indústrias suportariam tanto abuso dos banqueiros.

Benjamin Steibruch, grande empresário brasileiro, atualmente presidente da FIESP, denuncia as taxas de juros escandalosas que os bancos praticam no Brasil. Para ele, as taxas de juros é um fator fundamental que contamina negativamente a economia brasileira.

Steibruch não é de esquerda, nem governista, simplesmente, é industrial e brasileiro. Vejam que denúncia relevante ele apresenta na Folha de hoje.

“Se quisesse aborrecer ainda mais o leitor com números, poderia citar muitas outras linhas de financiamento que envergonham o país muito mais que a derrota por 7 a 1 contra a Alemanha.”

Folha – Benjamin Steibruch – 09/09/2014

Balela

Indústria é doente quase terminal que precisa, além das reformas conhecidas, da redução da taxa de juros

A indústria cresceu 0,7% de junho para julho. O avanço interrompeu uma sequência de taxas negativas de cinco meses. Nos primeiros sete meses do ano ainda há uma queda de 2,8% na produção.
Várias razões explicam o atual momento de desolação econômica no país. Há fatores adversos externos e até políticos influenciando o ambiente, mas existe um que é fundamental: o crédito.

Convido o leitor a observar o que vem acontecendo
com o custo do crédito no país.

De junho para julho, os juros médios para as famílias, em empréstimos com recursos livres das instituições financeiras, aumentaram de 43% ao ano para 43,2% ao ano. Foi o sétimo aumento mensal consecutivo e a taxa atingiu o maior nível desde março de 2011. Doze meses atrás, essa taxa média era de 36%, mais de sete pontos percentuais inferior à atual.

Infelizmente, já nos acostumamos com os juros cobrados no Brasil.

Consideramos normal uma taxa básica de 11% ao ano com o país em recessão, assim como também consideramos normal que um empréstimo na linha de crédito pessoal (não consignado) custe 101,4% ao ano, cerca de 6% ao mês, segundo dados do Banco Central. E essa é a taxa média, o que significa que muitas instituições financeiras cobram juros bem maiores do que esse.

Consideramos normal, ainda, que os juros do cheque especial da pessoa física sejam, em média, de 172,4% ao ano (8,6% ao mês). Qualquer pessoa sã tem de admitir que esses números são escandalosos.

Citei acima os exemplos mais absurdos. Poderia, se quisesse aborrecer ainda mais o leitor com números, citar muitas outras linhas de financiamento que envergonham o país muito mais que a derrota por 7 a 1 contra a Alemanha. Não digo isso por moralismo. Digo porque o crédito é um forte impulsionador da economia e, se ele é caríssimo, como é o caso do Brasil, não tem como crescer, por desinteresse dos tomadores.

É uma balela a história de que o estímulo ao consumo se esgotou como fórmula de ativar a economia e que, agora, a atividade só pode crescer estimulada por investimentos. 

Os investimentos públicos, principalmente em infraestrutura, dependem só da vontade e da capacidade financeira dos governos e podem criar demanda ampla nas cadeias produtivas, embora sejam a menor parcela dos investimentos no país.


BENJAMIN STEINBRUCH, 61, empresário, é diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, presidente do conselho de administração da empresa e presidente em exercício da Fiesp.

Um comentário:

  1. enquanto isso......o imperio comeca a se desabar....morre Emilio Botin presidente do Santander.....Se preparem para mudancas

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