quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A Direita envergonhada, porém eufórica

No Brasil a direita não se assume

Antigamente, perder uma eleição para Maluf ou Quércia não envergonhava ninguém. Os progressistas continuavam defendendo suas posições e a vida continuava.

Com o tempo, os progressistas se dividiram em vários partidos e boa parte deles - liderados pelo PSDB e pelo PPS - passaram a ser os porta-vozes da direita brasileira, liderada pelos conservadores. Tanto o PSDB como o PPS atualmente são aliados do DEM e estão felizes como aliados de confiança da direita.

Covas, quando era governador, já lamentava a hegemonia conservadora e neoliberal no PSDB, liderada pelo pragmatismo de Fernando Henrique Cardoso. Covas sempre foi um progressista mais vinculado à verdadeira social-democracia, quase socialista de mercado.

Nesta eleição presidencial, Aécio, como legítimo representante do PSDB não deu certo. Com a morte de Eduardo Campos, o pragmatismo político de Marina e seus aliados abriu oportunidade para que os neoliberais formassem uma aliança conservadora, onde se oferece vagas tanto para o pessoal mais liberal na área social, como para os neoliberais conservadores na área econômica. Socialmente tentarão manter as aparências de modernidade e inclusão social, economicamente será a cartilha conservadora com arrocho salarial e desemprego. Todos perceberão os reflexos desta aliança circunstancial.

Por incrível que pareça, o Brasil, em vez de copiar o modelo americano ou alemão, copia o modelo espanhol. Do atraso. Tanto no social como no econômico. Há alguns anos, quando começou a crise de 2008, quem governava a Espanha era o PSOE, partido socialista, que obedeceu a manual econômico conservador e, em função disto, perdeu as eleições para os conservadores. Atualmente a Espanha patina na economia, com alto índice de desemprego e arrocho salarial. Mas foi uma decisão pelo voto do povo.

Talvez, nesta eleição, o Brasil dê vários passos para trás.
Não será a primeira vez, nem a última.
Faz parte da vida e da aprendizagem democrática.

Uma coisa temos certeza:
Jamais alguém poderá negar os avanços e conquistas dos últimos doze anos. Podem até querer dizer que tudo começou em 1994 com FHC, mas as privatizações, o desemprego e o arrocho salarial da época de FHC não continuaram com Lula/Dilma. E, se Marina ganhar, com certeza voltará a acontecer com a gestão neoliberal na economia.

Fazia tempo que não via tanta baixaria numa eleição. Para a direita vale tudo. Surpresa é a adesão de muitos intelectuais e pessoas que sempre foram progressistas. Eles podem alegar que houve insensibilidade da parte do PT. Mas um erro não justifica o outro.

O jogo ainda não acabou, mas temos que reconhecer que estamos em desvantagem midiática. Ganhando ou perdendo estas eleições, tanto os progressistas têm que repensar suas concepções e práticas; como os conservadores também precisarão sair oficialmente do armário, porque serão cobrados pelas alianças de conveniências que estão fazendo.

Para a Folha de SPaulo, por exemplo, é mais fácil se declarar a favor do casamento gay, do que se assumir como conservadora e neoliberal. E isto não é pretexto para "neutralidade ou independência". Isto é conveniência pura. Ou oportunismo.

Aos poucos, todos terão que se assumir.

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