terça-feira, 29 de julho de 2014

A conjuntura e a realidade

Para onde estamos indo?

Participando dos debates sobre a conjuntura internacional e a realidade brasileira, confesso que fiquei confuso. Uns diziam que o Capitalismo está passando por uma crise profunda. Outros diziam que o Capitalismo está destruindo conquistas da Social Democracia e do Socialismo. Outros diziam que, comparativamente, o Brasil está bem melhor que a Europa. E assim o tempo foi passando...

Fiquei pensando sobre o porquê não se fala que todas estas mudanças aconteceram com o povo sempre votando, ora a favor da esquerda, ora a favor da direita. Que todos estes governos foram eleitos pelo povo. Mesmo os governos reacionários que são contra os imigrantes. Ou ainda o governo conservador de Israel. Foi o povo judeu de Israel que elegeu este pessoal que está matando crianças palestinas e destruindo a Faixa de Gaza. Até quando?

Convivendo com psicanalistas e economistas, além de políticos, fico sempre na dúvida sobre até onde vai a ação individual e onde começa a ação coletiva.

Por exemplo: O Brasil melhorou muito, mas, além da corrupção continuar existindo, o povo não sabe como acabar com a corrupção, a violência também toma conta das cidades e os governos estaduais dizem que fazem o que pode e isto interfere no emocional do povo. Para o bem e para o mal.

Outro exemplo: O garoto que nasce na Faixa de Gaza ou mesmo o garoto que nasce em Israel, o quê eles têm a ver com a violência dos adultos? Ambos estão ameaçados pela violência, pela guerra e pelas bombas. Mas a ONU e os países podem fazer muito para acabar esta violência. Da mesma forma que fizeram quando da criação do Estado de Israel. Protegeram as raposas e deixaram as ovelhas indefesas contra seus predadores.

Quando estudava na FGV, tínhamos uma matéria chamada Engenharia Operacional onde aprendíamos a analisar múltiplas alternativas, em vez de ficar no maniqueísmo binário do bem e do mal, do certo e do errado. Não sei se deve continuar chamando Engenharia Operacional, mas os analistas, os jornalistas, nossa imprensa e meso os sindicalistas e os políticos talvez estejam precisando desenvolver esta prática de múltiplas alternativas.

Estamos passando por profunda transição.
Já superamos as monarquias absolutistas, superamos o capitalismo da barbárie quando se trabalhavam 16 horas por dia, sem previdência, sem aposentadoria e sem nada, já superamos o comunismo stalinista, já superamos o século 20 com suas duas grandes guerras mundiais e o colonialismo violento. Agora a Europa e os Estados Unidos estão sendo superados pela China e pela Alemanha, mesmo continuando importantes. A Índia, a África do Sul, a Turquia e o Brasil também querem seu espaço internacional, contribuindo para o surgimento de uma "nova ordem efetivamente globalizada".

E já não temos mais a ONU como mediadora.
Isto é que é mais triste.
Vamos ter que resolver as divergências com bombas?
Eu prefiro que resolvamos com votos.
E muita democracia, é claro.


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