quarta-feira, 21 de maio de 2014

Querem derrubar os governos da Tailândia e do Brasil

Clovis Rossi explica como
É evidente que Clovis Rossi explica como os conservadores estão derrubando o governo da Tailândia e não explica diretamente como estão fazendo isto no Brasil.
No entanto, quando vemos o comportamento da imprensa, as ações do Judiciário, as manifestações e greves misteriosas e o comportamento das oposições ao governo Dilma e ao PT, o que nos diferencia da Tailândia, do Egito, de Honduras ou mesmo do Paraguai, é que no Brasil ainda não “chamaram” publicamente os militares.
Mas o golpe está em andamento…
Depois das greves do policiais de Pernambuco, Bahia e agora a greve da policia civil e mesmo dos ônibus em várias cidades, onde se cria o clima de ingovernabilidade, esta matéria de Clovis Rossi pode servir como alerta aos “entendidos” ou mesmo uma mensagem.
Até a Polícia Federal está ameaçando entrar em greve! Só governos fracos permitem que policiais civis e militares entrem em greve e boicotem à governabilidade.
Por ironia do destino, as Forças Armadas que historicamente serviram aos conservadores, podem ser chamadas a servir ao povo brasileiro e inibir qualquer tentativa de golpe jurídico, parlamentar ou mesmo militar.
O voto democrático continua sendo a melhor solução. 
Precisamos garantir que o povo exerça a democracia e escolha seu destino.
Leiam abaixo a materia Clovis Rossi. Este entende das coisas…
Movimentação de elite e militares segue figurino notabilizado na América Latina
CLÓVIS ROSSI
COLUNISTA DA FOLHA – 21/05/2014

Se você não tem votos suficientes para ganhar uma eleição, bata às portas dos quartéis. Essa lei não escrita da política, tão conhecida na América Latina, explica a versão "light" de um golpe militar, dada na Tailândia, na forma de estado de sítio e imposição da lei marcial.
De fato, o grupo político de Thaksin Shinawatra, eleito primeiro-ministro em 2001 e deposto pelos militares cinco anos depois, ganha todas as eleições desde então, com os votos principalmente do interior e dos mais pobres.
É algo que as classes médias e as elites tailandesas não conseguem suportar, o que as leva a recorrer a todos os artifícios possíveis, legais e ilegais (como o estado de sítio agora) para afastar o grupo do poder. Primeiro foi com o próprio Thaksin, hoje exilado mas a sombra por trás do trono da irmã Yingluck.
Duas semanas atrás, o golpe foi mais original: tomou a forma de ordem da Corte Constitucional para que Yingluck abandonasse o poder.
O que vem agora? O primeiro-ministro interino, Niwattumrong Boonsongpaisan, assegura que a Tailândia celebrará eleições no próximo dia 3 de agosto.
É improvável que baste para resolver a crise. Afinal, o clã Shinawatra ganhou o pleito mais recente, realizado em fevereiro, faz, portanto, apenas três meses. Não houve, de lá para cá, nenhuma alteração substancial --salvo os percalços enfrentados pelo governo legítimo-- que faça supor que, desta vez, os Shinawatra perderão. Michael Peel, do "Financial Times", relata assim o que pensam os críticos dos militares:
"[A intervenção militar] é parte de um golpe gradual cuidadosamente orquestrado pelo establishment tradicional, em que as Forças Armadas estão agindo para reforçar os protestos de rua apoiados pela elite, que carece de suporte de âmbito nacional, mas estão respaldando seus simpatizantes nas principais instituições civis e militares para uma campanha destinada a suspender o Parlamento e instalar, no lugar dele, uma Junta não eleita".
Não seria nenhuma novidade: os militares foram responsáveis por 18 golpes de Estado nos 82 anos decorridos desde o fim da monarquia absoluta, em 1932.
A reação das elites se deve aos programas típicos do populismo implantados pelo clã Shinawatra, que pode se gabar de dados econômicos bastante bons: o desemprego é de 0,9% da população economicamente ativa, e a inflação não passa de 2% ao ano.

O problema para o governo deposto é que os protestos bancados pela elite e que serviram para chamar os militares provocaram retração na economia, que encolheu 2,1% no primeiro trimestre, comparado com o último trimestre de 2013.

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