domingo, 13 de abril de 2014

Brasil – Da conivência ao confronto

Paz indefesa, Paz armada e Paz hostil.

As ditaduras são tentativas de domesticação dos adversários.
Na América Latina isto é bem visível.
Quando você conversa com alguém sobre o Chile ou mesmo sobre a Argentina, é comum ouvir a resposta que “graças à ditadura, a esquerda não tomou o poder e o país prosperou”. Isto, de forma mais camuflada também vale para o Brasil. Só que os brasileiros não têm coragem de falar ou escrever. Agora, até a Rede Globo faz reportagem contra a ditadura.

Os pactos de redemocratizações na América Latina, e no Brasil em especial, incluíam uma “anistia unilateral”, isto é, para que se permitisse à esquerda ser livre, a direita não seria punida por seus crimes e abusos em nome do Estado. Esta versão é defendida por muitos juristas, acadêmicos e a mídia.

O mesmo raciocínio vale para a questão racial, contra os negros, e para a inclusão dos pobres em geral. Os conservadores defendem a meritocracia, ignorando ou escondendo, as condições desiguais históricas.

No caso da mídia, o sistema de controle e dominação é mais perverso ainda.
Os conservadores controlam a legislação que regulamenta a liberdade de concessão e de produção midiática; os conservadores, desta vez como empresários, controlam os canais de TV, as concessões de rádio e, dentro do possível, a imprensa escrita.

Quando começamos no movimento sindical nos anos 70, a primeira iniciativa foi criar um jornal diário – a Folha Bancária – que chegamos a ter cem mil exemplares por dia, apenas para a grande São Paulo. Percebemos que era pouco. Criamos a Rádio dos Bancários e compramos um parque gráfico para fazer revistas e tudo mais. Continuou pouco...

Atualmente o Sindicato dos Bancários têm a Folha Bancária, a TV dos Bancários, a Rede Brasil Atual, e todos os espaços midiáticos possíveis a um sindicato: blog, face, etc. Mas, continua pouco para enfrentar a grande imprensa. A relação é muito desigual.

Com o PT no governo federal, imaginávamos que seriam criados mecanismos para facilitar a criação de uma mídia progressista, democrática, pluralista e de massa. Já o governo petista, talvez tenha imaginado que poderia fazer uma parceria com a Globo e com a Folha.

Das duas uma: Ou os petistas imaginavam que podiam “dobrar” a direita; ou aceitavam a ideia de uma “Paz Indefesa”, isto é, enquanto o governo não mexessem nos interesses econômicos e políticos da Globo e da Folha, o governo seria tratado como um “Otelo”. Um estranho que se aceita.

Na prática, enquanto o PT praticava a “Paz Indefesa”, a Folha e o Globo, praticavam a “Paz Armada”. Isto é, mantendo nosso governo sob controle da mídia...

Como é da “natureza humana”, com o tempo o PT resolveu querer fazer as tais das “Reformas Estruturantes”, também conhecidas na época de 1964 como Reformas de Base. Ao tentar fazer estas reformas, o PT mexeu com os demônios da direita brasileira, fazendo com que ela saísse da aparente convivência para a hostilidade permanente.

A tal da “Paz Hostil”.

O melhor exemplo do que é a Paz Hostil é a relação entre Israel e os Palestinos. Ou o que historicamente os americanos chamam de “Big Stick”, ou Grande Porrete, ou ainda “manda quem pode e obedece quem tem juízo”.

Não pensem que esta baixaria na imprensa vai durar apenas até novembro, quando passar as eleições. Se o PT reeleger Dilma e crescer no Congresso Nacional, a imprensa vai tentar fazer do Brasil uma Venezuela ou Argentina.

Da mesma forma que “dinheiro não cai do Céu”, “Democracia e inclusão social também não caem do Céu”. São conquistas históricas de uma classe contra a outra, de um povo contra outro ou de um país contra o outro.

A Holanda há séculos é um grande país e uma grande nação, mas, para chegar a isto, precisou fazer uma das mais sangrentas guerras de libertação da humanidade. E o adversário era a Espanha católica.

Ou criamos e sustentamos nossos meios de comunicação, combinando com liberar nosso mercado à competição internacional, ou não conseguiremos vencer os conservadores que controlam nossa imprensa.

Construir uma Nação e fazer do Brasil uma grande classe média
requer muito trabalho e muita cooperação.
Ou avançamos na luta pela Democracia para todos os brasileiros
ou teremos um retrocesso histórico.

Navegar é preciso...

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