domingo, 30 de março de 2014

Ninguém precisa justificar o golpe de 64

O importante é não negar a verdade

Todas as guerras são terríveis, trágicas e dilaceradoras. As famílias são atingidas, a violência toma parte do cotidiano e a verdade deixa de ser importante.

Os golpes civis e militares são como as guerras, mesmo não tendo o mesmo tanto de mortes como nas guerras. Talvez a violência seja até maior. Sessenta anos de ditadura em Portugal e mesmo na Espanha, talvez tenham feito mais mal do que a Guerra Civil Espanhola.

No Brasil, o golpe civil e militar de 64 começou como um blefe que deu certo, em função do aval americano e do apoio dos grandes empresários e instituições civis e religiosas, como foi tomando um rumo e uma proporção que nem os golpistas civis esperavam. Os golpistas viraram terroristas de Estado. Um golpe contra políticos e sindicalistas, transformou-se em uma ditadura sangrenta e intimidadora.

Depois de 50 anos os apoiadores e da ditadura tentam se justificar, apoiados na grande imprensa e na academia, os mesmos que também apoiaram o golpe.

Considero tudo isto um grande equívoco. Não queremos que os conservadores deixem de ser conservadores, queremos sim que deixem de ser golpistas, que respeitem a democracia e aceitem que o povo tenha soberania para decidir o que quer experimentar. Afinal, democracia é a arte de aceitar experiências políticas e econômicas, desde que submetidas à maioria dos eleitores. Podemos ter um governo conservador e depois eleger um governo progressista ou mesmo de esquerda. Isto é a democracia.

Ainda não li um texto ou um artigo sobre o golpe civil militar de 64 que me agrade. Talvez tenhamos que pedir a algum historiador inglês para escrever.

As esquerdas acusam os golpistas e os conservadores acusam a revolução cubana e a guerra fria. Simplificam tudo e não explicam quase nada.

Por coincidência, 50 anos depois do golpe, o centro das atenções está sobre a Petrobras. O maior símbolo nacional e maior herança do Varguismo. É importante lembrar que a elite paulista nunca gostou de Getúlio Vargas, o criador da Petrobras.

Apesar dos conservadores, dos golpistas, dos esquerdistas e de tantas lutas, o Brasil está se modernizando e aprendendo a conviver com a Democracia. Está inclusive fazendo uma grande inclusão social, a maior de sua história.

Talvez seja hora de todos olharem para os lados, incluir socialmente as Favelas da Maré e todas as outras comunidades na vida urbana e com políticas públicas para todos.

Será que a direita brasileira não pode aceitar que a maior inclusão social da nossa história possa ser feita por um partido de esquerda, mas que se submete à Democracia e às regras do jogo, sendo mais subserviente do que precisa?

Precisamos enterrar nossos mortos, conhecer a verdadeira história, saber do destino dos desaparecidos e, depois disto tudo, devemos definir uma nova regra de convivência, com nova Constituição e priorizar a qualidade de vida para todos.

A Copa deveria ser um grande momento de confraternização entre os brasileiros e todos os povos do mundo. Afinal, a economia de mercado venceu a guerra fria, só falta vencer a pobreza e o preconceito.

Eu prometo que não falo mais sobre o golpe, sobre a ditadura e sobre a estupidez dos conservadores brasileiros, só vou falar de coisas boas.

Para frente é que se anda…

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