segunda-feira, 24 de março de 2014

Na Imprensa, a única unanimidade é Messi

No mais, tudo é polêmico e contra o governo

No Brasil, por ironia do destino, um ano tem eleições e outro ano tem ressaca, depois começam novamente as campanhas eleitorais e sobram as ressacas.

Quando minha filha era pequena e estudava na Escola da Vila, ela perguntava quando tinha Copa e quando tinha Olimpíadas. E eu respondia que era como a Ultragás, pulava um ano e tinha Copa, depois pula outro ano e tinha Olimpíadas.

Eu acho que os políticos escolheram as eleições nos anos das Copas e das Olimpíadas para diminuir o desgaste eleitoral. Isto é, como os brasileiros gostam de esportes, se prestaria mais atenção nos jogos do que nas campanhas eleitorais. E assim ficaria mais fácil de se eleger candidatos que dizem uma coisa e fazem outra.

Nossa imprensa, e particularmente, a Folha e o Estadão, resolveram entrar no mesmo jogo. Nos anos eleitorais eles ficam insuportáveis. E eu, masoquisticamente, assino os dois jornais.

Imaginem acordar as seis da manhã, pegar os dois jornais e olhar as notícias? Derruba o astral de qualquer um. Parece que vivemos num país que é “puteiro de baixa qualidade”, como dizia o compositor.

Até o Golpe Militar, a Folha resolveu reescrever a história, lançando uma campanha com o título de “Tudo sobre a ditadura militar” e enche o caderno de autoelogios e suas versões tipo tucana neoliberal.

A semana começa com o debate se vai ter CPI da Petrobrás ou não.
Se houvesse clima, eu bem que gostaria que se fizesse uma CPI ampla geral e irrestrita sobre as privatizações da época de FHC. Quanto custou a Vale? Quando custou o Banespa? E todas as outras empresas? Quem ganhou comissão e pró-labores como consultor? Por quanto FHC pretendia privatizar a Petrobrás, o BB e a CEF?

Mas no Brasil a história é sempre apagada e reescrita.
Mesmo pelos acadêmicos que, quando jovens eram progressistas.
Foi assim com a escravidão e com tantas outras coisas.

Neste fim de semana eu deixei de ver duas coisas que realmente eu gosto.

A primeira foi o show de Joan Baez.
Quando jovem passava noites ouvindo os discos dela e atualmente ainda os coloco no rádio do carro para ouvi-la. Simplesmente divina!

A segunda coisa que deixei de fazer foi assistir ao show de bola do Barcelona com o Real Madrid. Nossa filha estava voltando de Aracaju e tivemos que ir à Cumbica buscá-la no mesmo horário do jogo. Depois que vi os gols e o resultado, lembrei-me dos velhos tempos do Santos, do Flamengo, do Cruzeiro e do futebol brasileiro. Quando se jogava por prazer e não apenas por dinheiro.

Finalmente, podemos ler nos jornais que o governador de São Paulo vai garantir que a água do Rio Paraíba sirva para cobrir a falta de planejamento da Sabesp. Mesmo que São Paulo tenha que ir à guerra contra o Rio de Janeiro. Sérgio Cabral que se cuide. Quem mandou ser aliado de Dilma?

Apesar de tudo, leiam os jornais, reflitam sobre nossa imprensa. Assim podemos criar algo mais plural e mais informativo. Quem sabe possamos fazer uma parceria com a BBC, o NYT, o Le Monde e a Der Spiegel e criar uma Rede de Comunicação “O Brasil e o Mundo”?

Neste projeto, eu participaria de corpo e alma...

Enquanto isto não acontece, a única unanimidade só mesmo o Messi.
Mesmo sendo argentino.

Um comentário:

  1. Também perdi o jogo. Também por um bom motivo - fomos passar o fim de semana na Ilha da Gigoia. Mas ganhei do Gilmar numa coisa - não li jornais.

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