quinta-feira, 27 de março de 2014

Claudio Abramo “baixou” na Folha

Um dia para prestar atenção

Como todos os dias, acordei cedo e fui ver os jornais do dia.

O Estadão tinha na capa uma bela foto da manifestação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto.

A Folha estava dobrada com a parte de baixo para cima. Chamou-me atenção duas pequenas matérias:

Uma era “Médicos do exterior já atenderam 14 milhões, aponta Datafolha”, e a outra “Câmara aprova cota de 20% para negros em concurso federal”. Por 314 votos a 36, o projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados e segue para o Senado.

Fiquei pensando que apenas com estas duas ótimas notícias já teria assunto para vários dias...

Virei o jornal para ver a parte superior e fiquei mais surpreso ainda.
A Folha parecia aquele jornal de antigamente, quando Claudio Abramo ainda fazia parte da Editoria.

A manchete não era escandalosa, era um registro importante, realçando que a oposição ao governo Dilma, já tinha conseguido apoio para criar a CPI da Petrobras. Ao lado uma pequena chamada registrando que a Folha conseguiu documento que prova que a empresa sabia da existência do Comitê de Proprietários, apesar da sua presidenta ter dito ao jornal O Globo que desconhecia.

Na capa, o único pequeno erro foi não ter foto da manifestação dos Sem Teto e ter no lugar uma grande foto com a derrota do São Paulo F.C. e a chamada: “Deu Pena...”. Deu pena? Nada, grande vitória do Penapolense. Afinal, Penápolis, além de ser a cidade de Sabrina Sato, é também a cidade da melhor revelação neste campeonato paulista. O Santos que abra os olhos!

Voltando à edição especial da Folha de hoje. Outra grande surpresa:

Não vi nenhuma matéria provocativa, tipo Folha da Tarde, como vem sendo a Folha nos últimos anos. Até para mostrar que está diferente, junto com as análises dos 50 anos do Golpe Militar-Civil,a Folha publicou um artigo lindíssimo de Padilha.

De Padilha, o candidato a governador de São Paulo? Sim, este mesmo. Não é surpreendente? Leiam o texto de Padilha, um depoimento de vida para ser guardado. Eu já tinha visto muita gente falar bem de Padilha, mas neste artigo ele me ganhou. Eu concordo plenamente com Padilha. Conhecer a história, não deve ser para pregar revanchismo ou ódio, conhecer a História é imprescindível para superar os traumas, aprender a viver na diversidade e com equidade. É aprender a andar para frente, construindo um mundo melhor.

Enquanto tomava café, comendo uma saborosa tapioca, que nós baianos chamamos de “beiju”, fiquei pensando sobre o quê teria acontecido com a Folha para fazer uma jornal tão agradável e parecido com a velha Folha. Pensei, pensei e acabei chegado a esta conclusão:

O grande Claudio Abramo deve ter “baixado” na Redação da Folha,
mostrando que, depois de 50 anos do Golpe de 64,
depois do baixaria que a Folha deu com o Mensalão,
estava na hora de o Brasil voltar a se unir
para ter um Congresso Nacional que nos orgulhe,
para ter uma imprensa que ajude o povo a ter mais informação,
discernimento, mais liberdade
e mais capacidade de trabalho e fraternidade.

Se a Folha foi capaz de ser a vanguarda das Diretas Já,
a Folha também pode voltar a ser o bom jornal dos velhos tempos.
Quem sabe, assim a Rede Globo também melhore.

Jânio de Freitas bem que pode fazer esta discussão
com a Diretoria da Folha.

Nós, religiosos, adoramos acreditar nas boas coisas.

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