sexta-feira, 21 de março de 2014

Bellini, o Brasil e o Futebol

De 1950 a 2014, o mundo mudou. O Brasil também

1950 – Brasil sede da Copa. Um Brasil ainda rural. Uma grande fazenda.
1958 – O Brasil sente a industrialização e urbanização. Campeão na Suécia.
1962 – O povo vai às ruas por Reformas de Base. Campeão no Chile.
1970 – Milagre brasileiro e Estado Terrorista. Campeão no México.
1994 – O Brasil do Real e neoliberalismo – Campeão nos Estados Unidos.
2002 – O Brasil de Lula e inclusão social – Campeão no Japão e Coreia.
2014 – O Brasil é sede da Copa no Corinthians. O povo quer padrão Fifa.

20 de Março de 2014 – Morre Bellini.
O símbolo de 1958.

A Folha edita uma página sobre Bellini e as Copas,
que deveria estar na primeira página.
Uma preciosidade jornalística,
um texto muito gostoso de Ruy Castro
e uma série de fotografias de causar inveja.

O futebol ainda é o maior unificador dos povos e das classes sociais.
Mesmo com crise na Petrobrás e nova pesquisa mostrando que Dilma vai ganhar no primeiro turno, a Folha conseguiu fazer uma página para entrar para a História. Como o gesto de Bellini.

O Brasil mudou e nós precisamos aprender a ser Educados e Respeitosos com as diferenças. E que o Brasil, além de acolher bem todas as torcidas e países, se possível, também seja Campeão do Mundo mais uma vez.

As fotos eu não consigo reproduzir, mas uma parte do texto de Ruy Castro eu mostro para vocês. Um prêmio Esso de jornalismo para a Folha. Os mais velhos sabem o que é isto.

Ao erguer taça, zagueiro iniciou prática comum aos vencedores


Como um irmão mais velho, dava broncas nos estouvados Pelé e Garrincha

RUY CASTROCOLUNISTA DA FOLHA – 21/03/2014

Quando Bellini, capitão da seleção brasileira, levantou a taça Jules Rimet --o troféu pela conquista da Copa do Mundo de 1958, na Suécia, pelo Brasil--, não imaginava que aquele gesto teria vida tão longa. Primeiro, tornou-se uma prática comum aos vencedores de qualquer esporte, erguer o troféu acima da cabeça. Segundo, o próprio Bellini ficou marcado por ele. Para todos que o admiravam, tornou-se --sem querer-- a estátua de si mesmo.

Quatro anos depois, o empresário Abraão Medina plantou na entrada do Maracanã a estátua de um homem levantando um troféu. O corpo era o de um atleta, mas o rosto era o do falecido cantor Francisco Alves, grande admiração de Medina. Pois o carioca não quis saber --chamou-a "a estátua do Bellini". E é assim que, até hoje, marca-se encontro "no Bellini", torcidas brigam "no Bellini", namorados se beijam "no Bellini". Se, antes, Bellini foi uma estátua, depois a estátua se tornou Bellini.

Durante anos, ele foi capitão de uma seleção brasileira que tinha Pelé, Didi, Garrincha, Nilton Santos, Zaga llo, Zito, Dino Sani, Orlando, Gilmar, Djalma Santos e o seu próprio reserva, Mauro. Eram homens de grande personalidade. Vários poderiam capitanear o time, e todos --sem exceção-- eram mais jogadores do que ele. Então, por que era Bellini o titular indisputado da zaga central do Brasil e só a ele se pensava em dar a camisa 3 e a braçadeira de capitão?

Pela aura que emanava de sua figura. Bellini era o líder, o comandante natural. Seu 1,82 m de altura e 80 kg de músculos podiam fazê-lo pairar acima da maioria, mas o que importava era a autoridade que brotava de dentro dele. Era inteligente, firme e articulado, e também educado, consciente e justo.

Como um irmão mais velho, dava broncas nos estouvados Pelé, Garrincha e Mazzola. Já com Didi, Nilton Santos e Zito, era o interlocutor adulto. No jogo propriamente dito, era valente --compensava a pouca técnica com o jogo duro. Mas, para que não se pense que era violento, saiba-se que suas pernas eram um mapa de cicatrizes, resultado de combates semanais com centroavantes tão pesados quanto ele.

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