segunda-feira, 17 de março de 2014

1964 - Golpe militar, civil, da imprensa e da Igreja

2014 – A disputa continua

O jornal Valor fez um bom caderno de fim de semana sobre o golpe de 1964.
Abordando vários aspectos e sem ter medo de recuperar fatos que,
se dependesse de alguns, continuariam escondidos.

Emocionante o depoimento da jornalista
e ex presa política, Vera Saavedra Durão.

Não sei se este caderno tem uma equipe própria
ou se são os jornalistas do Valor que escrevem.
Mas, que a qualidade é melhor que o quotidiano,
isto eu não tenho dúvida. Parabéns!

Leiam esta parte do Caderno EU & Fim de Semana do jornal Valor.

1964 - A queda da democracia

Por Diego Viana | Para o Valor, de São Paulo – 14/03/2014

Foi um começo de ano marcado por radicalização, agitações e instabilidade, ainda enquanto não se haviam dissipado, no ambiente político conturbado, os efeitos dos conflitos e manifestações de meses antes. Comícios e passeatas atraíam multidões, a favor e contra o governo. Intensificavam-se as articulações para a disputa presidencial que se aproximava. Mas a disputa jamais teria lugar.

Quando, em 13 de março de 1964, o Rio parou para um comício em que o presidente João Goulart discursaria, seria difícil imaginar que em semanas o país estaria mergulhado em uma ditadura que, ao longo de 21 anos, cassou políticos, perseguiu adversários, torturou, assassinou e censurou.

Passados 50 anos, o país mergulha fundo na memória do período ditatorial. As publicações sobre a época são abundantes e os debates, intensos e disseminados, num movimento amplificado de análise e interpretação das origens e fatos do tempo da ditadura.

Nos últimos anos, tornou-se comum, entre historiadores, a opção por denominar tanto o golpe de 1964 quanto o regime autoritário que se seguiu como de caráter civil-militar - não só militar. O objetivo é realçar a participação de forças políticas e o apoio de grandes grupos econômicos à conspiração contra Goulart.

Para Jorge Ferreira, que em parceria com Angela de Castro Gomes escreveu "1964: O Golpe que Derrubou um Presidente, Pôs Fim ao Regime Democrático e Instituiu uma Ditadura no Brasil" (Civilização Brasileira), "o golpe foi militar, mas teve ampla participação da sociedade: empresários, meios de comunicação, políticos, setores médios. Se o golpe claramente foi uma operação militar, teve sucesso graças ao amplo apoio civil".

Os governadores de São Paulo, Adhemar de Barros; da Guanabara, Carlos Lacerda; e de Minas Gerais, Magalhães Pinto, colocaram suas polícias em ação. O presidente do Congresso Nacional, Auro de Moura Andrade, declarou vaga a Presidência da República quando Goulart ainda estava em território brasileiro. O Supremo Tribunal Federal, diz Ferreira, omitiu-se.

Meios de comunicação celebraram o golpe, como se viu em dois editoriais do jornal carioca "Correio da Manhã" nos últimos dias da democracia, intitulados "Basta!" e "Fora!"

A classe média se manifestou: em São Paulo, a Marcha da Família com Deus, pela Liberdade tomou as ruas em 19 de março, com milhares de participantes execrando um suposto perigo comunista encarnado pelo governo de Goulart. A marcha marcada para o dia 2 de abril no Rio acabou ocorrendo depois do golpe, rebatizada Marcha da Vitória.

Nenhum comentário:

Postar um comentário