quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

“Valor” descreve o neoliberalismo de Eduardo Campos

Escuta os neoliberais, anda com os neoliberais, logo...

Lembram do programa de Sílvio Santos: “topa tudo por dinheiro”?

Tem gente que para ser presidente ou para vingar-se de mágoas ou ressentimentos com petistas, é capaz de vender a própria história. É o famoso “topa tudo por vingar-se”. Heloisa Helena, Marina, Cristóvão, etc. A lista é razoável.
É claro que os petistas devem ter uma parte de responsabilidade. Enquanto Lula sempre ganha aliados, outros petistas não costumam ter o mesmo carisma de Lula. A vida é assim mesmo.

Mas, daí deixar de ser de esquerda para ser de direita, a história é outra.
Como diz um professor famoso (que já faleceu):

O poder não corrompe, o poder revela...

Que saudade nós temos do velho e grande Miguel Arraes...
Vejam o resumo da matéria do jornal Valor de hoje.

Campos defenderá mandato fixo no BC
e metas plurianuais de inflação e superávit


Valor - Por Murillo Camarotto | Do Recife – 19/02/2014

Disposto a incrementar seu "goodwill" - termo do mercado financeiro para perspectiva de ganho de um ativo -, o governador de Pernambuco e pré-candidato ao Palácio do Planalto, Eduardo Campos (PSB), deve defender na campanha eleitoral um mandato fixo para o presidente do Banco Central (BC) e a adoção de metas plurianuais para inflação e superávit primário. Ele também poderá pregar maior abertura comercial, nova agenda microeconômica e uma reforma na atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Os nomes mais célebres do grupo foram trazidos pela ex-senadora Marina Silva, provável candidata a vice-presidente. O economista e filósofo Eduardo Giannetti, que assessorou Marina na campanha de 2010 e é um de seus mais próximos colaboradores, participa diretamente da elaboração do programa de governo, enquanto o ex-presidente do BNDES André Lara Resende também contribui com sugestões e interlocução junto ao mercado financeiro.

Também aconselham o governador os economistas Cláudio Porto, sócio da consultoria Macroplan; Tiago Cavalcanti, professor na Universidade de Cambridge; e Alexandre Rands, da Macrométrica. Informalmente, Campos conversa ainda com a professora da UFPE, Tânia Bacelar, que foi secretária da Fazenda do governo de seu avô, Miguel Arraes, e com Fabio Giambiagi, economista do BNDES.

Fontes ligadas a Campos citam conversas do pré-candidato com André Esteves e Pérsio Arida, sócios do BTG Pactual, como inspiradoras de seus planos para a economia. Campos os recebeu no Recife e depois esteve na sede do banco, em São Paulo. O BTG também está entre as seis empresas que patrocinaram a reforma do Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco''. A obra custou R$ 30,6 milhões.

O Valor apurou que o banco tem optado por manter frentes de diálogo tanto com os principais candidatos de oposição quanto com a equipe da presidente Dilma Rousseff. No entanto, fontes das principais instituições financeiras consideram que a derrota de Dilma ou um cenário eleitoral com mais chances de segundo turno teriam, pelo menos num primeiro momento, um efeito benéfico sobre o mercado.

Foi com um ataque à política econômica do governo federal que Marina Silva marcou sua chegada ao PSB. Poucos dias depois de anunciar, em outubro último, a surpreendente aliança com Campos, a ex-ministra saiu atirando contra a administração da presidente, acusando-a de negligenciar o tripé macroeconômico formado por superávit primário, câmbio flutuante e metas de inflação.

André Lara Resende concorda. "Gosto muito da ideia de um mandato para o presidente do BC, pois contribui para a independência na prática - algo difícil de ser definido formalmente - e dá um horizonte de estabilidade à política do BC", disse ao Valor o economista, que confessou ter ficado "muito bem impressionado" com o governador de Pernambuco.

Gianetti, que também admitiu entusiasmo com Campos, disse não ter nada contra o mandato fixo e avalia que o Brasil deve caminhar em direção à autonomia formal do BC. Ressalta, entretanto, que é preciso cautela. "Precisa estar muito bem definido como será a escolha do presidente e da diretoria", alertou o economista, que classifica como "barbeiragem" a gestão do BC adotada desde o segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A crítica de Campos e Marina à negligência petista com o tripé deve vir acompanhada do compromisso de estabelecer metas plurianuais de inflação e superávit primário, com o objetivo de dar maior confiabilidade ao governo. "Se poderia pensar em definir metas para o terceiro e o quarto anos do mandato corrente e para o primeiro e segundo anos do mandato seguinte", opinou Giambiagi. "Na atual conjuntura, poderia-se pensar em 4% (de meta de inflação) para o período entre 2017 e 2020", completou.

Se depender da avaliação de seus conselheiros, o programa de Campos e Marina também vai pregar maior abertura da economia nacional e menos influência do governo sobre o câmbio. "O câmbio real sempre se ajusta no longo prazo. Não acredito em política cambial para incentivar a indústria, mas sim em baixar os custos para a indústria. Na Coreia do Sul, o governo dá subsídio à indústria com a condição de que compita no exterior. Aqui, protege", critica Tiago Cavalcanti.

Até o momento, Campos tem concentrado fogo contra a política de desonerações implementada pelo governo federal para fomentar o consumo. O governador também é crítico do direcionamento dos empréstimos subsidiados concedidos por meio do BNDES. Apesar disso, mantém conversas informais com o presidente do banco, Luciano Coutinho, que é pernambucano e amigo de longa data da família do governador. A assessoria do BNDES nega as conversas.

A tendência é que Campos defenda uma mudança na governança do BNDES.
A instituição, segundo um dos economistas ouvidos, terá que "retomar os bons fundamentos da gestão bancária, com foco não em setores, mas na qualidade dos projetos e das garantias". A atuação no financiamento a projetos de infraestrutura, bem como nas pequenas e médias empresas, também deve ser intensificada. (Colaborou Talita Moreira, de São Paulo)

Nenhum comentário:

Postar um comentário